ALDANN CONSTRUÇÕES

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sábado, 31 de janeiro de 2015

OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Filarmônica 11 de Dezembro da cidade de Carnaúba dos Dantas - RN
 Os movimentos sociais são ações coletivas de caráter social, cultural e político. São compostos de pessoas que se reúnem e se organizam para reivindicar ou promover algo a partir de interesses comuns. Desenvolvem um contexto de solidariedade alternativa que tenta resistir ou modificar as instituições estabelecidas, sejam locais, nacionais ou mesmo internacionais.
  Anteriormente, baseavam-se mais fortemente na luta dos operários por melhores condições no trabalho. Mais recentemente, no mundo globalizado, passaram também a enfatizar questões de identidade - sexo (defesa das mulheres), raça (luta contra preconceito), nacionalidade (construção da cidadania) etc. -; ecológicas (movimentos de defesa da natureza); de defesa do consumidor; reforma agrária (como o MST - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, no Brasil); contra a violência e exclusão social; a favor dos direitos humanos e da saúde (como os Médicos Sem Fronteiras e a Cruz Vermelha, em todo o mundo) e muitas outras.
  Um número significativa de organizações populares está concentrado no chamado Terceiro Setor, composto de associações comunitárias, organizações não governamentais (ONGs), fundações e até empresas denominadas "cidadãs", que contribuem para transformar o meio social no qual se inserem.
População protesta contra a Ditadura Militar no Brasil, no início dos anos 1980
Princípios dos movimentos sociais
  Dentre os princípios dos movimentos sociais, segundo o sociólogo francês Alain Touraine, estão:
1. Princípio de identidade - corresponde à autodefinição do ator social e à sua consciência de pertencer a um grupo ou classe social. Um movimento social só pode se organizar se essa definição for consciente. Entretanto, a formação do movimento precede essa consciência. É o conflito que constitui e organiza o ator.
2. Princípio de oposição - um movimento só se organiza se puder nomear seu adversário, mas a sua ação não pressupõe essa identificação. O conflito faz surgir o adversário, forma a consciência dos atores.
3. Princípio de totalidade - os atores em conflito, mesmo quando este seja circunscrito ou localizado, questionam a orientação geral do sistema. Um movimento social não é inteligível senão na luta tendo em vista o "controle da historicidade", isto é, dos modelos de conduta a partir dos quais uma sociedade produz suas práticas.
Alain Touraine
AS ORGANIZAÇÕES NÃO GOVERNAMENTAIS (ONGs)
  As Organizações Não Governamentais (ONGs) são organizações formadas pela sociedade civil ou por grupos sociais sem fins lucrativos e que tem como missão a resolução de algum problema da sociedade, seja ele econômico, racial, ambiental, entre outros, ou a reivindicação de direitos e melhorias e fiscalização do poder público.
  As ONGs podem ser particulares ou públicas, desde que não tenham como principal objetivo a geração de lucros e, que se houver geração de lucros, estes sejam destinados para o fim a que se dedica a organização, não podendo este ser repassado aos proprietários ou diretores da organização.
  As organizações da sociedade civil são uma forma de suprimir as falhas do governo com relação à assistência e resolução dos problemas sociais, ambientais e até mesmo econômicos, podendo também auxiliá-lo na resolução desses problemas. As ONGs têm ainda a capacidade de despertar o civismo e a cooperação social nos seus participantes.
  Constituindo uma forte ferramenta de mobilização social, as organizações da sociedade civil contribuem para a manutenção da democracia, uma vez que possibilita a manifestação dos interesses das minorias.
  No Brasil, as ONGs ganharam força a partir do processo de redemocratização política que se deu após o período da Ditadura Militar (1964-1985). Mas foi a partir da década de 1990 que surgiram as principais organizações não governamentais no país, como o Instituto Ethos (1998) e a Rede de ONG's da Mata Atlântica (1992).
  Dentre as principais organizações não governamentais estão:
Fundações:
  • Fundação SOS Mata Atlântica - criada em 1986 para defender os últimos remanescentes de Mata Atlântica, gerando conhecimento e oferecendo capacitação de pessoas, essa fundação é uma organização não governamental privada, sem vínculos partidários ou religiosos e sem fins lucrativos. Recebe financiamento de diversas e grandes empresas privadas nas mais diferentes áreas de atuação como bancos, indústrias automotivas, alimentícias, de produtos de higiene pessoal, além de pessoas que se filiam à causa.
  • Fundação ABRINQ - criada em 1990, nasceu de uma proposta de empresas fabricantes de brinquedos sensibilizadas pela situação preocupante da infância no Brasil. Seu principal objetivo é mobilizar a sociedade para questões relacionadas aos direitos da infância e da adolescência, tanto por meio de ações, programas e projetos, como por meio do estímulo ao fortalecimento de políticas públicas de garantia à infância e adolescência. É mantida por pessoas, empresas e organizações nacionais e internacionais que lutam pela causa da criança e do adolescente. Dentre as principais ações da Abrinq estão: oferecer a crianças e adolescentes o acesso à educação, saúde, cultura, lazer, formação profissional e inclusão digital; proteger as crianças e os adolescentes que sofrem violação dos seus direitos ou que estão em situação de risco, por meio do combate ao trabalho infantil e da proteção de crianças e adolescentes nas diferentes formas de violência; sensibilizar e conscientizar a sociedade, o setor público, as organizações da sociedade civil e as empresas para se posicionar e participar das questões da infância e da adolescência do nosso país.
Associações
  • Anda (Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente) - fundada em 1978 por estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem como principal objetivo a preservação das florestas, ainda que sua influência tenha sido durante toda a sua história associada ao movimento ambientalista no estado de Minas Gerais, sendo uma das ONGs mais atuantes do Brasil.
  • Associações culturais - As associações culturais têm como missão e fim institucional apoiar e realizar iniciativas voltadas para o desenvolvimento social, artístico e cultural das comunidades, objetivando promover a arte e a cultura, implementando programas que vise o pleno exercício da cidadania cultural para o desenvolvimento da qualidade de vida da população, montar e apoiar oficinas, escolas informais, espetáculos nas áreas artísticas, apoiar estudos e pesquisas, captar fundos e recursos, patrocinar pesquisas e projetos relativos à geração de renda em arte e cultura, beneficiar grupos populares em situação de vulnerabilidade, entre outros.
Associação Cultural Maestro Felinto Lúcio Dantas, de Acari - RN
Institutos
  • Instituto Ethos - criado em 1998, o Instituto Ethos de Responsabilidade Social tem como missão "mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerir seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa.
  • Instituto Akatu - criado no dia 15 de março de 2001, o Akatu, que em tupi significa "semente boa" ou "mundo melhor", tem como objetivo promover a responsabilidade social para educar e mobilizar a sociedade para o consumo consciente e a construção de uma sustentabilidade para o nosso planeta.
PRINCIPAIS MOVIMENTOS SOCIAIS DO BRASIL E DO MUNDO
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
  O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) é um movimento político-social brasileiro que busca uma melhor distribuição das terras brasileiras. Esse movimento teve origem no modelo de reforma agrária imposto pelo regime militar, principalmente na década de 1970, que priorizava as terras devolutas em regiões remotas, com objetivo de exportação de excedentes populacionais e integração estratégica. Contrariamente a este modelo, o MST busca fundamentalmente a redistribuição das terras improdutivas.
  O MST teve origem no ano de 1984, na cidade de Cascavel, no Paraná, defendendo que a expansão da fronteira agrícola, os megaprojetos - como a construção de grandes barragens - e a mecanização da agricultura seriam formas de eliminar as pequenas e médias unidades de produção agrícola e aumentar a concentração da propriedade da terra.
  Paralelamente, o modelo de reforma agrária adotado pelo regime militar priorizava a colonização de terras devolutas em regiões remotas, tais como as áreas ao longo da rodovia Transamazônica, com o objetivo de "exportar excedentes populacionais" e favorecer a integração do território, considerada estratégica. Esse modelo, no entender do movimento, era inadequado e eventualmente catastrófico para centenas de famílias, que acabaram abandonadas, isoladas em um ambiente inóspito, condenadas a cultivar terras que se revelaram impróprias para o uso agrícola.
Construção da Transamazônica
  Nessa época, intensificou-se o êxodo rural, com a migração de mais de 30 milhões de camponeses para as cidades, atraídos pelo desenvolvimento urbano e industrial, durante o chamado "Milagre Econômico". Grande parte desses camponeses ficou desempregado ou subempregado, sobretudo no início dos anos 1980, quando a economia brasileira entrou em crise. Alguns tentaram resistir nas cidades, outros se mobilizaram para voltar ao campo. Desta tensão, movimentos locais e regionais se desenvolveram na luta pela terra.
  Em 1984, apoiados pela Comissão Pastoral da Terra, representantes dos movimentos sociais, sindicatos de trabalhadores rurais e outras organizações ruralistas reuniram-se em Cascavel, no Paraná, para a realização do Primeiro Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, fundando o MST.
João Pedro Stédile - um dos fundadores do MST
Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)
  O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) é um movimento de caráter social, político e popular organizado em 1997 pelo Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para atuar nas grandes cidades com o objetivo de lutar pela reforma urbana, por um modelo de cidade mais justa e pelo direito à moradia. É uma organização autônoma, com princípios, programa e forma de funcionamento próprios. Além do trabalho organizado de luta por moradia, o MTST mobiliza pessoas em bairros pobres, organizando lutas e propondo soluções para problemas que afligem os bairros periféricos pobres. Defende também uma transformação profunda da forma da sociedade, como única maneira de atender aos interesses dos trabalhadores. Aposta na luta direta, em especial através das ocupações de terrenos urbanos ociosos, orientada no sentido da construção de poder popular.
Movimento Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis (MNCR)
  O Movimento Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis (MNCR) é um movimento social que surgiu em meados de 1999 durante o Primeiro Encontro Nacional dos Catadores de Papel, sendo fundado em junho de 2001 durante o Primeiro Congresso Nacional dos Catadores (as) de Materiais Recicláveis em Brasília, e vem organizando os catadores e catadoras de materiais recicláveis por todo o Brasil. Nesse congresso foi lançada a Carta de Brasília, documento que expressa as necessidades do povo que sobrevive da coleta de materiais recicláveis. O principal objetivo desse movimento é valorizar os catadores de materiais recicláveis, bem como inserir os mesmos dentro da sociedade e formar cidadãos para um mundo mais justo e sustentável.
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
  A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) é uma associação nacional de entidades que representam os povos indígenas do Brasil. Essa associação nasceu durante o Acampamento Terra Livre de 2005, num momento em que as lideranças indígenas regionais começavam a se tornar notórias nacionalmente, mas se encontravam ainda bastante dispersas e isoladas. Os propósitos declarados da fundação eram:
  • fortalecer a união dos povos indígenas e a articulação entre as diferentes regiões e organizações indígenas do país;
  • unificar as lutas dos povos indígenas, a pauta de reivindicações e as demandas e a política do movimento indígena;
  • mobilizar os povos e as organizações indígenas do país contra as ameaças e agressões aos direitos indígenas.
  Fazem parte da APIB: Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo (APOINME), Articulação dos Povos Indígenas do Pantanal e Região (ARPIPAN), Articulação dos Povos Indígenas do Sudeste  (ARPINSUDESTE), Articulação dos Povos Indígenas do Sul (ARPINSUL), Grande Assembleia do Povo Guarani (ATY GUASSÚ) e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB).
Movimento Negro (MN)
  O Movimento Negro (MN) é um movimento social composto por pessoas de diversas origens étnicas, que defendem a igualdade civil entre as pessoas, independentemente de sua ascendência racial. O movimento negro, assim como outros movimentos sociais, é liderado por indivíduos que percebem a relevância da igualdade racial para o desenvolvimento do Brasil.
  O militante negro quase sempre tende a vestir roupas com a expressão 100% negro, ouve rap e/ou pagode, usam cores da bandeira da Jamaica e acredita que a solução de todos os problemas sociais brasileiros virá quando a sociedade deixar de ser racista.
Integrantes do Movimento Negro
Comissão Pastoral da Terra (CPT)
  A Comissão Pastoral da Terra (CPT) é um órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), vinculado à Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz e nascido em 22 de junho de 1975 durante o Encontro de Pastoral da Amazônia, convocado pela CNBB e realizado em Goiânia (GO).
  Fundada em plena ditadura militar, como resposta à grave situação dos trabalhadores rurais, posseiros e peões, sobretudo na Amazônia, a CPT teve um importante papel na defesa das pessoas contra a crueldade deste sistema de governo, que só fazia o jogo dos interesses capitalistas nacionais e transnacionais. A CPT também atua junto aos trabalhadores assalariados e boias-frias.
Grito dos Excluídos
  O Grito dos Excluídos é um conjunto de manifestações populares que ocorrem no Brasil ao longo da Semana da Pátria, que culminam com o Dia da Independência do Brasil, em 7 de Setembro. Estas manifestações têm como objetivo dar visibilidade aos excluídos da sociedade, denunciar os mecanismos sociais de exclusão e sinalizar/propor caminhos alternativos para uma sociedade mais inclusiva. Participam do movimento: as igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, movimentos sociais, organizações e entidades envolvidas com a justiça social.
  As manifestações são variadas: celebrações, atos públicos, romarias, caminhadas, seminários e debates, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, além de outras.
Via Campesina
  A Via Campesina é uma organização internacional de camponeses composta por movimentos sociais e organizações de todo o mundo. A organização visa articular os processos de mobilização social dos povos do campo em nível internacional. Essa organização coordena organizações camponesas de pequenos e médios agricultores, trabalhadores agrícolas, mulheres camponesas e comunidades indígenas da Ásia, África, América e Europa, sendo um movimento autônomo e pluralista.
LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros)
  A LGBTT é a sigla de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, e é utilizado para identificar todas as orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de gênero divergentes do sexo designado no nascimento.
  Inicialmente, o termo mais comum era GLS, sendo a representação para gays e lésbicas. Com o crescimento do movimento contra a homofobia e da livre expressão sexual, a sigla foi alterada para GLBS, que foi mudado GLBTS com a inclusão da categoria dos transgêneros.
  O principal objetivo desse movimento é visibilizar a transfobia (discriminação relativa à pessoas transexuais e transgênero) sofrida por pessoas transexuais, particularmente, os travestis. O principal movimento organizado por essa associação é a Parada do Orgulho Gay.
Marcha da Reforma Urbana
  Iniciativa dos movimentos sociais CONAM (Confederação Nacional de Associações de Moradores), MNLM (Movimento Nacional de Luta pela Moradia), UNMP (União Nacional por Moradia Popular), CMP (Central de Movimentos Populares), FNRU (Fórum Nacional de Reforma Urbana) e da FNSA (Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental), a Marcha da Reforma Urbana conseguiu sensibilizar a sociedade e o poder público, garantindo conquistas importantes na promoção do direito à cidade.
  O objetivo desse movimento é mobilizar a sociedade e o poder público para a necessidade de colocar a questão urbana no centro da questão social, apresentando uma agenda de políticas públicas que garantam a efetivação do direito a cidades socialmente mais justas, democráticas e sustentáveis.
Ação Global dos Povos (AGP)
  A Ação Global dos Povos (AGP) é um movimento radical e social, que realiza campanhas populares e ações diretas em resistência ao capitalismo e para justiça ambiental e social. O objetivo desse movimento é lutar contra o capitalismo e a globalização e a formação de uma sociedade mais justa e com maior preocupação com o meio ambiente. A maior função da AGP seria servir um espaço político para ações descentralizadas de dias de ação globais anticapitalistas e movimentos populares de resistência ao capitalismo.
  Os principais princípios da AGP são:
  • rejeição muito clara ao capitalismo, ao imperialismo, ao feudalismo e a todo acordo comercial, instituições e governos que promovem uma globalização destrutiva;
  • rejeição a todas as formas e sistemas de dominação e discriminação, como o patriarcado, o racismo e o fundamentalismo religioso de todos os credos;
  • confronto com as organizações antidemocráticas e tendenciosas e com o capital transnacional;
  • apoio à ação direta, à desobediência civil e às lutas dos movimentos sociais, propondo formas de resistência que maximizem o respeito à vida e os direitos dos povos oprimidos, assim como a construção de alternativas locais ao capitalismo global;
  • filosofia organizacional baseada na descentralização e na autonomia.
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
  A Marcha Mundial das Mulheres (MMM) é um movimento feminista internacional que se iniciou em 2000, com a finalidade de realizar uma campanha mundial contra a pobreza e a violência contra as mulheres. Nesse mesmo ano, realizou-se a primeira marcha, com uma grande mobilização que reuniu mulheres do mundo todo, que iniciou no dia 8 de Março (Dia Internacional da Mulher) e terminou no dia 17 de outubro, tomando por base o chamado "2000 razões para marchar contra a pobreza e a violência sexista".
  A MMM propõe-se a organizar as mulheres urbanas e rurais a partir da base e se aliar com os diferentes movimentos sociais na defesa das mulheres como sujeitos ativos na luta pela transformação de suas vidas e, para isso, a superação do sistema capitalista patriarcal, racista, homofóbico e destruidor do meio ambiente.
Fórum Social Mundial (FSM)
  O fórum Social Mundial é um evento altermundialista organizado por movimentos sociais, ONGs e pela comunidade civil de vários países, com o objetivo de elaborar alternativas para uma transformação social global, além de discutir e lutar contra o neoliberalismo, o imperialismo e, sobretudo, contra as desigualdades sociais provocadas pela globalização. É caracterizado por ser não governamental e apartidário.
  Nos encontros da FMS objetiva-se promover debates abertos descentralizados, assim como a formulação de propostas que sirvam de alternativas para o padrão econômico e social mundial, a troca de experiências entre os diversos movimentos sociais e a promoção de uma articulação entre pessoas, movimentos e instituições que se opõem ao neoliberalismo.
  O primeiro encontro do FMS aconteceu em 2001, na cidade de Porto Alegre (RS). Nesse encontro, quatro grandes temas foram debatidos: a produção de riquezas e a reprodução social; o acesso às riquezas e à sustentabilidade; a afirmação da sociedade civil e dos espaços públicos; e o poder político e a ética na nova sociedade. Esse fórum é uma oposição ao Fórum Econômico Mundial, que ocorre todos os anos em Davos, na Suíça.
Médicos sem Fronteiras
  O Médicos sem Fronteiras ou Médecins sans Frontiéres (MSF) é uma organização internacional, não governamental e sem fins lucrativos que oferece ajuda médica e humanitária a populações em situações de emergência, em casos como conflitos armados, catástrofes, epidemias, fome e exclusão social. É a maior organização não governamental de ajuda humanitária do mundo na área da saúde.
  O MSF proporciona também ações de longo prazo, na ajuda a refugiados, em casos de conflitos prolongados, instabilidade crônica ou após a ocorrência de catástrofes naturais ou provocadas pela ação humana. A organização foi criada com a ideia de que todas as pessoas têm direito a tratamento médico, e que essa necessidade é mais importante do que as fronteiras nacionais.
Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV)
  O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) é uma organização humanitária, independente e neutra, que se esforça em proporcionar proteção e assistência às vítimas de guerra e de outras situações de violência.
  Com sua sede em Genebra, na Suíça, possui um mandato da comunidade internacional para servir de guardião do Direito Internacional Humanitário, além de ser o órgão fundador do Movimento da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.
  No seu constante diálogo com os Estados, o CICV insiste continuamente no seu caráter neutro e independente em relação a qualquer governo ou a qualquer outra autoridade.
Caritas Internacional
  A Caritas Internacional é uma confederação de 162 organizações humanitárias da Igreja Católica que atua em mais de duzentos países, cuja missão é trabalhar para construir um mundo melhor, especialmente para os pobres e oprimidos. Atua na promoção social dos excluídos e excluídas e trabalha na defesa dos direitos humanos, da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável solidário, em defesa da vida e na participação da construção solidária de uma sociedade justa, igualitária e plural.
Greenpeace
  A Greenpeace é uma organização não governamental de ambiente com sede em Amsterdã, Países Baixos, e com escritórios espalhados em mais de 40 países, que atual internacionalmente em questões relacionadas à preservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável, com campanhas dedicadas às áreas de florestas, clima, nuclear, oceanos, engenharia genética, substâncias tóxicas, transgênicos e energia renovável. A organização busca sensibilizar a opinião pública através de atos, publicidades e outros meios. Sua atuação é baseada nos pilares filosófico-morais da desobediência civil e tem como princípio básico, a ação direta.
FONTE: Lucci, Elian Alabi. Geografia: homem & espaço, 7° ano / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco. - 20. ed. - São Paulo: Saraiva, 2010.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

AS PLACAS TECTÔNICAS

  As placas tectônicas ou placas litosféricas são blocos sólidos que se dispõem um ao lado do outro e compõem a litosfera. Essas placas são limitadas por zonas de convergência, zonas de subducção e zonas conservativas.
  As placas tectônicas estão assentadas abaixo da litosfera, na camada da astenosfera, onde as condições térmicas e de pressão levam os materiais existentes nela a apresentar um estado físico que permite a movimentação desses blocos rochosos, a exemplo das rochas fundidas, que geralmente ficam a uma profundidade entre 60 e 400 quilômetros da superfície. Elas são criadas nas zonas de divergência, ou "zonas de rift", e são consumidas em zonas de subducção. É nas zonas de fronteira entre placas que se registra a grande maioria dos terremotos e erupções vulcânicas.
  Ao se movimentarem, as placas tectônicas arrastam consigo, de forma lenta, mas perceptível ao longo de uma escala de tempo geológica muito grande, as massas líquidas e continentais da superfície terrestre, trazendo mudanças na configuração dos continentes na superfície do planeta, de muitos terremotos e erupções vulcânicas.
  Abaixo temos um vídeo sobre o movimento das placas tectônicas.
  O território de alguns países, ou parte deles - como o Japão, a Turquia, a Itália, o Chile, o México e o oeste dos Estados Unidos -, localiza-se sobre as zonas de contato entre as placas. Por isso estão mais sujeitos à ocorrência de atividades vulcânicas e de abalos sísmicos do que outros países, distantes dessas zonas de contato ou colisão das placas, como é o caso do Brasil. 
  O Brasil está situado no centro da placa Sul-Americana, que atinge até 200 quilômetros de espessura. Os sismos nessa localidade raramente possuem magnitude e intensidade elevadas. No entanto, existe a ocorrência de terremotos no território brasileiro causados por desgastes na placa tectônica, promovendo possíveis falhas geológicas. Essas falhas, causadoras de abalos sísmicos, estão presentes em todo o território nacional, proporcionando terremotos de pequena magnitude.
  Porém, já foram registrados alguns terremotos de média intensidade, como foi o caso do Mato Grosso, que em 1955 chegou a medir 6,6 graus na escala Richter, no Ceará, em 1980, que registrou 5,2 graus, e no Amazonas, em 1983, que registrou 5,5 graus. Esses terremotos não provocaram danos materiais e nem vítimas, pois ocorreu em regiões de pouca concentração populacional.
  João Câmara, localizado no Agreste do Rio Grande do Norte, foi atingido por uma série de terremotos na década de 1980. O mais grave deles ocorreu no dia 30 de novembro de 1986, quando a cidade foi sacudida por um terremoto que registrou 5,1 graus na escala Richter, provocando a destruição de mais de quatro mil residências.
Casas destruídas após o terremoto de 1986, em João Câmara - RN
  Em Minas Gerais, no município de Itacarambi, um terremoto de 4,9 graus em dezembro de 2007 promoveu um tremor que durou aproximadamente 20 segundos, promoveu a derrubada de algumas casas e a desestruturação de várias residências.
  O último grande terremoto registrado no Brasil ocorreu no dia 22 de abril de 2008, quando um tremor de 5,2 graus na escala Richter foi sentido nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, porém, não foi registrado nenhum desabamento nem a ocorrência de vítimas.
Casas destruídas pelo terremoto de Itacarambi - MG, em 2007
OS MOVIMENTOS DAS PLACAS TECTÔNICAS
  De acordo com a teoria de tectônica de placas, as placas litosféricas deslizam e às vezes colidem entre si, em uma velocidade que oscila entre 1 e 10 cm/ano. Os movimentos das placas tectônicas podem ser: divergentes, afastando-se uma das outras; convergentes, aproximando-se uma das outras; e horizontais, deslocando-se em direções contrárias.
  O movimento das placas gera diferenças de pressão e temperatura nas áreas em que ocorre o contato e são responsáveis pela fusão de material sedimentar que dá origem aos vulcões. Esse material fundido, o magma, é chamado de lava vulcânica quando jorra na superfície terrestre.
A lava vulcânica é o material fundido que sai do interior da Terra
1. Placas divergentes
  As placas divergentes se movimentam afastando-se uma das outras. Elas determinam a formação de fendas ou fissuras na crosta. Isso faz com que o magma alcance a superfície e, consequentemente, solidifique-se pelo resfriamento, formando uma lacuna que é preenchida com fragmentos de rochas oriundas do manto em estado líquido. O movimento desta placa solidifica o magma, transformando-o em rocha basáltica dando origem ao assoalho submarino, quando a erupção ocorre no fundo dos oceanos. Esse processo pode ser observado ao longo das extensas cadeias de montanhas, como é o caso da Dorsal Mesoatlântica.
Esquema de uma placa divergente
2. Placas convergentes
  As placas convergentes se deslocam para um mesmo ponto, pressionando-a. Esse movimento forma os chamados dobramentos modernos (ou montanhas jovens), as cadeias montanhosas formadas no Período Terciário da era em que estamos vivendo, a Cenozoica. Quando as duas placas se chocam a borda de uma fica debaixo da outra até chegar ao manto. Além de formar o relevo, os movimentos convergentes podem provocar a ruptura das rochas, o que propaga ondas mecânicas e causadoras de danos na superfície, como as provenientes de terremotos e vulcões. Um fenômeno natural causado pelo movimento desta placa pode ser observado na Cordilheira dos Andes, em que a grande quantidade de energia causou o soerguimento da superfície terrestre.
Esquema de uma placa convergente
3. Placas horizontais
  As placas horizontais, também chamadas transformantes, se deslocam lado a lado. Esse tipo de movimentação faz com que suas bordas se esbarrem provocando, frequentemente, atritos que podem gerar terremotos. Entretanto, os terremotos formados no encontro das placas horizontais possuem uma intensidade menor do que aqueles ocasionados pelo contato das placas convergentes. O movimento desta placa pode gerar falhas geológicas, como a encontrada na Califórnia, nos Estados Unidos. A Falha de Santo André, que se prolonga por cerca de 1.290 km através daquele estado, já produziu terremotos devastadores, como o que atingiu São Francisco em 1906, e destruiu grande parte da cidade.
Esquema de uma placa horizontal ou transformante
PRINCIPAIS PLACAS TECTÔNICAS
  São reconhecidas 52 placas tectônicas, 12 principais e 40 menores. As principais placas tectônicas são:
1. Placa Africana
  A placa Africana é a principal placa do continente africano e faz divisas com as placas Sul-Americana, do Caribe, Euroasiática, Arábica, Indo-Australiana e Antártica. No meio do Atlântico, uma falha submersa abre caminho para o magma do manto inferior, fazendo com que esse bloco se afaste progressivamente da placa Sul-Americana - com quem formava um continente único há 135 milhões de anos, a Gondwana -, e cresça de tamanho. Essa placa mede aproximadamente 65 milhões de km² e a tendência é ultrapassar esse tamanho. O choque da placa Africana com a placa Euroasiática fez surgir o mar Mediterrâneo e o Vale do Rift. 
  Todos os limites da placa Africana são divergentes, exceto o da placa Euroasiática. A placa inclui vários blocos continentais estáveis de rochas antigas, que formaram o continente africano, durante a Gondwana. Esses blocos são, de norte a sul, o Kalahari, Congo, Saara e o bloco Oeste da África.
Deserto do Kalahari, na Namíbia
  Um dos aspectos mais importantes dessa placa é o Rift Valley, no leste. A fratura da placa Africana irá separar uma parte do continente e dividir essa placa em duas: a placa de Núbia e da Somália.
  O encontro da placa Africana com a Euroasiática está fazendo com que o continente europeu comece a mergulhar sob a África, dando origem a uma nova zona de subducção com o potencial de aumentar o risco de terremotos no Mediterrâneo Ocidental. A placa Africana está se afastando em média entre 8 e 10 cm/ano da placa Sul-Americana.
Rift Valley, na Tanzânia
2. Placa Antártica
  A placa Antártica abrange toda a Antártica e a região austral dos oceanos. Faz divisa com as placas de Nazca, Sul-Americana, Africana, Indo-Australiana, Scotia e do Pacífico. Possui aproximadamente 60,9 milhões de km², sendo a quinta maior placa tectônica do mundo.
  O movimento da placa Antártica é estimado em pelo menos 1 cm/ano em direção ao oceano Atlântico. Suas fronteiras com muitas placas são formadas principalmente por cristas oceânicas, especialmente no sudoeste e sudeste dos oceanos Índico, Pacífico, Glacial Antártico e com o Chile.
  Há aproximadamente 200 milhões de anos a parte leste da placa se encontrava bem próxima do que hoje é a Austrália, a Índia e a África, se chocando com outras placas menores que ficavam do lado oeste.
Continente Antártico
3. Placa Arábica
  A placa Arábica abrange áreas da península Arábica e da Turquia, além de parte do Irã e de outros países do Oriente Médio, que sofrem bastante com terremotos originados do choque desta placa com a Euroasiática. Possui em torno de 6,5 milhões de km² e faz divisa com as placas Indo-Australiana, Africana e Euroasiática. Em tempos remotos essa placa foi responsável pela origem do Mar Vermelho.
  A região em que esta placa está localizada passou por vários processos naturais que favoreceram a formação de enormes reservas de petróleo e gás natural. Há aproximadamente 40 milhões de anos, o movimento das placas tectônicas contribuiu para o fechamento dos oceanos primitivos. A água evaporou e minúsculos vegetais marinhos se depositaram no fundo dos mares. Por meio da decomposição e do aumento da pressão e da temperatura, o material orgânico desses microrganismos deu origem às imensas reservas de petróleo existentes atualmente no Oriente Médio.
Extração de petróleo na Arábia Saudita
4. Placa Indo-Australiana
  A placa Indo-Australiana é formada por duas placas: a Australiana e a Indiana. Possui em torno de 45 milhões de km² e sobre esta placa estão assentados a Austrália, a Índia, a Nova Zelândia, parte da ilha de Nova Guiné e do Oceano Índico. Essa placa forma uma zona de convergência com a placa das Filipinas, o que contribui para o aparecimento de ilhas.
  De acordo com estudos recentes, a placa Indo-Australiana encontra-se em processo de divisão, principalmente pela colisão dessa placa com a Euroasiática ao longo da cordilheira do Himalaia. A parte oriental (Austrália) está se movendo em direção ao norte, a uma taxa de 5,6 centímetros por ano, enquanto a parte ocidental (Índia) está se movendo a uma taxa de 3,7 centímetros por ano por causa do Himalaia. Este movimento diferencial dá lugar a uma compressão da placa perto do seu centro em Sumatra, na Indonésia.
Cordilheira do Himalaia, no Nepal
5. Placa do Caribe
  A placa do Caribe, também chamada de placa das Caraíbas, cobre uma área de 3,2 milhões de km², inclui uma parte da América Central Continental e constitui o fundo do Mar do Caribe. Essa placa faz divisa com as placas Norte-Americana, Sul-Americana e de Cocos, e está se movendo na direção sudeste. Sobre a borda desta placa existe uma intensa atividade sísmica com presença de alguns vulcões ativos.
  A placa do Caribe possui várias falhas geológicas, a falha de Motagua, na Guatemala, das ilhas Swan (Honduras), Túmulo Cayman (pequena elevação divergente no fundo do mar do Caribe), em Cuba e o Trench Puerto Rico (trincheira marinha localizada na fronteira entre o mar do Caribe e o Oceano Atlântico).
  A zona de subducção existente nessa placa é responsável pela ocorrência do arco de ilhas vulcânicas existentes nas Pequenas Antilhas, que vai das Ilhas Virgens até a costa da Venezuela. Nesta área encontram-se vários vulcões ativos, como o Soufriere Hils em Montserrat, Monte Pelée em Martinica, o La Grande Soufriere em Guadalupe, o Soufriere São Vicente em São Vicente e Granadina, e o Kick-'em-Jenny em Granada.
Monte Pelée - Martinica
6. Placa de Cocos
  A placa de Cocos localiza-se no oceano Pacífico, na costa oeste da América Central e faz limites com as placas do Pacífico, de Nazca, Norte-Americana e do Caribe. Possui uma área de cerca de 3,4 milhões de km² e fazia parte, junto com a placa de Nazca, da antiga placa de Farallon, que se fragmentou há cerca de 23 milhões de anos atrás. Depois da fissura, a placa foi empurrada para leste, fundindo-se em algumas partes com a placa do Caribe, num processo chamado de subducção, criando um arco vulcânico na América Central Continental (Guatemala e Costa Rica) e em parte do México.
  Na parte sul da placa de Cocos ocorre a dorsal de Cocos, uma cordilheira submarina que vai do Panamá até a ilha de Galápagos, onde nessa ilha está o hotspot Galápagos (arco de vulcões ativos e inativos).
Ilha de Galápagos
7. Placa Euroasiática
  A placa Eurasiática possui uma área de cerca de 100 milhões de km² e é a maior das placas tectônicas, compreendendo quase toda a Eurásia, com exceção do Subcontinente Indiano, da Península Arábica e de parte da Sibéria. Limita-se com as placas Norte-Americana, Africana, Arábica, Indo-Australiana, do Pacífico, das Filipinas, além das placas menores de Okhotsk e Amuria. Essa placa divide-se em Euroasiática Ocidental e Euroasiática Oriental.
  A placa Euroasiática Ocidental possui uma área de cerca de 60 milhões de km² e nela estão localizadas o continente europeu e o oeste do continente asiático. O choque entre essa placa e a Indo-Australiana originou-se a Cordilheira do Himalaia, no sul da Ásia, onde há mais de 100 montanhas com altitudes superiores a 7 mil metros.
  A placa Euroasiática Oriental possui uma área de cerca de 40 milhões de km² e nesse bloco se localiza a parte leste do continente asiático. Essa placa forma uma zona de convergência com as placas das Filipinas e do Pacífico, formando a zona com a maior intensidade de atividades vulcânicas e sísmicas do planeta.
Monte Evereste - a montanha mais alta do mundo
8. Placa das Filipinas
  A placa das Filipinas possui uma área de cerca de 7 milhões de km², e nas zonas de seus limites concentram-se quase a metade de todos os vulcões ativos do planeta. Essa placa faz limites com as placas Euroasiática, Indo-Australiana, do Pacífico e de Amuria e Okhotsk.
  A leste dessa placa, uma zona de subducção com a placa do Pacífico deu origem à Fossa das Marianas, o ponto mais profundo do planeta Terra. O ponto mais setentrional dessa placa é a península de Izu, no Japão, onde encontra-se o monte Fuji.
Monte Fuji - ponto culminante do Japão
9. Placa de Nazca
  A placa de Nazca possui uma área de cerca de 10 milhões de km² e está situada à esquerda da América do Sul, ao lado da cordilheira dos Andes. Essa placa faz fronteira com as placas da Antártica, Sul-Americana, de Cocos, do Pacífico e do Caribe. A zona leste da placa de Nazca está dentro de uma zona de subducção com a placa Sul-Americana, que deu origem à Cordilheira dos Andes. Nessa área há uma intensa atividade sísmica e vulcânica. O limite sul da placa, na fronteira com a placa da Antártica, forma a dorsal do Chile.
Machu Pichu - Peru
10. Placa Norte-Americana
  A placa Norte-Americana possui uma área de aproximadamente 70 milhões de km² e abrange a América do Norte, a Groenlândia, as ilhas de Cuba e das Bahamas, parte ocidental do Oceano Atlântico, parte do Oceano Glacial Ártico e o leste da Sibéria. Faz limite com as placas Euroasiática, de Cocos, do Caribe, Africana, Sul-Americana e do Pacífico.
  Nos últimos tempos (em termos geológico), a placa Norte-Americana vem passando por um processo de subducção com duas outras placas menores (de Kula e a placa Farallon, que desapareceram completamente). O contato entre as placas do Pacífico com a Norte-Americana originou a falha de San Andreas, bem como o choque dessas placas com outras placas originou também o conjunto de montanhas denominados de Montanhas Rochosas.
Montanhas Rochosas, no Colorado - EUA
11. Placa do Pacífico
  A placa do Pacífico possui uma extensão de cerca de 70 milhões de km² e abrange a maior parte do oceano Pacífico. Ao norte ela faz divisas com algumas placas menores, como as placas do Explorador, de Juan Fuca e de Gorda. Estes conflitos geram fissuras na litosfera. Também faz limite com as placas Norte-Americana, de Cocos, Nazca, das Filipinas, Antártica, Indo-Australiana, além de outras placas menores. É a maior placa oceânica e, junto com a placa Norte-Americana, forma uma zona de convergência que é a principal responsável pela ocorrência da Falha de San Andreas.
Falha de San Andreas, na Califórnia - EUA
12. Placa Sul-Americana
  A placa Sul-Americana é uma placa continental que inclui toda a América do Sul e se estende para leste até a Dorsal Média Atlântica. Possui uma extensão de aproximadamente 32 milhões de km² e faz limite com as placas Africana, Antártica, do Caribe, Nazca e outras placas menores. O Brasil está localizado no centro dessa placa, o que explica a inexistência de dobramentos modernos no país.
  A placa Sul-Americana faz um limite divergente com a placa Africana, provocando o afastamento em torno de 5 a 10 cm/ano das duas placas. Esse afastamento vem aumentando o tamanho da dorsal Meso-Oceânica do Atlântico. À medida que se afasta da placa Africana, a placa Sul-Americana vai se aproximando cada vez mais da placa de Nazca, provocando a cada ano a elevação da Cordilheira dos Andes.
Dorsal Meso-Oceânica do Atlântico
 FONTE: Antunes, Celso Avelino. Geografia e participação: 6° ano / Celso Avelino Antunes, Maria do Carmo Pereira e Maria Inês Vieira. - 2. ed. - São Paulo: IBEP, 2012.

domingo, 25 de janeiro de 2015

AS DEZ FLORESTAS MAIS AMEAÇADAS DO MUNDO

  A Conservação Internacional (CI) é uma organização não governamental sediada em Washington D.C. (EUA), que visa a proteção dos hotspots de biodiversidade (região biogeográfica) da Terra, áreas selvagens ou regiões marinhas de alta biodiversidade ao redor do globo. O grupo também é conhecido por suas parcerias locais com ONGs e povos indígenas.
  A CI foi fundada em 1987 e possui mais de 900 funcionários. Seu trabalho se desenvolve em mais de 40 países, principalmente nos países em desenvolvimento na África, na Orla do Pacífico e nas florestas tropicais das Américas do Sul e Central.
Marca da Conservação Internacional
  A Conservação Internacional, organização que atua na defesa da biodiversidade do planeta, lançou uma lista dos dez locais mais ameaçados do mundo em 2011. Esta iniciativa tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de se proteger as florestas com maior chance de desaparecer do mapa. Todos os dez locais mais críticos já perderam 90% ou mais de sua cobertura original. Cada um deles abriga pelo menos 1,5 mil espécies de plantas endêmicas (nativas dessas regiões). A Mata Atlântica brasileira, da qual resta menos de 8% da cobertura original, aparece na lista ocupando a quinta posição.
  As florestas são responsáveis por abrigar 80% da biodiversidade do mundo, garantir o sustento de 1,6 bilhão de pessoas e prover os mais importantes reservatórios de água doce do planeta. Somente as dez florestas ameaçadas, juntas, armazenam mais de 25 gigatoneladas de carbono, auxiliando na diminuição dos efeitos da mudança climática.
Mapa do Brasil mostrando o que era e o que resta da Mata Atlântica
  A Conservação Internacional ainda ressalta a importância de se manter as florestas saudáveis, devido ao seu capital natural, ao oferecimento dos melhores meios econômicos para enfrentar os diversos desafios ambientais trazidos pela mudança climática e à crescente demanda por produtos florestais.
  O objetivo do estudo, segundo a Conservação Internacional é encorajar os países a definirem novas estratégias de proteção aos biomas, exaltando o fato de que também é possível obter benefícios econômicos mantendo a floresta em pé.
Em vermelho estão as áreas mais ameaçadas do planeta
  As dez florestas mais devastadas são:
1. Regiões da Indo-Birmânia
  Localizada na região da Ásia-Pacífico (Tailândia, Mianmar, Laos, Camboja, Vietnã e Índia) essa região é formada por florestas latifoliadas tropicais e/ou subtropicais úmidas, possui rios e pântanos importantes para a conservação da fauna. Boa parte dos rios foi represada para a instalação de usinas hidrelétricas e muitos mangues foram transformados em reservatórios com interesses econômicos. Possuía uma extensão total de 2.373.057 km², mais de sete mil plantas, 73 mamíferos, 73 aves e 343 répteis e anfíbios endêmicos.
  Os rios e pântanos desta área da Ásia são extremamente importantes para a conservação de aves, tartarugas e peixes de água doce, incluindo alguns dos maiores peixes da água doce do mundo. Atualmente, resta menos de 5% de sua cobertura vegetal.
Vegetação em colinas ao longo do rio Mekong, em Laos
2. Nova Zelândia
  Na Nova Zelândia, florestas latifoliadas tropicais e subtropicais úmidas abrigam mamíferos e répteis que não são encontrados em nenhum outro lugar do planeta. A caça e a destruição dos habitats dessas florestas causaram a extinção de algumas espécies. Com a caça e a destruição de habitats nos últimos duzentos anos houve a extinção de inúmeras espécies de aves, invertebrados e plantas. Na Nova Zelândia existem 1.865 plantas, dois mamíferos, 89 aves e 41 répteis e anfíbios endêmicos. Atualmente, restam menos de 5% dessa vegetação no país. As poucas áreas remanescentes dessas florestas estão em lugares de difícil acesso nos Alpes Neozelandeses.
  O Departamento de Conservação da Nova Zelândia desenvolveu um programa de preservação, visando minimizar o impacto ambiental em seu território. Seus objetivos englobam a regeneração da floresta natural, o uso da energia solar e a reciclagem do lixo.
Vegetação da Ilha do Norte - Nova Zelândia
3. Sunda (Indonésia, Malásia e Brunei)
  A área de Sunda é composta por florestas latifoliadas tropicais e subtropicais, possui uma extensão territorial de 1.501.063 km² e abriga 17 mil ilhas equatoriais, sendo as duas maiores, as ilhas de Bornéu e Sumatra. Suas florestas estão sendo dizimadas para o uso comercial, para a produção de borracha, óleo de dendê e celulose, além de outros cultivos agrícolas. Essa região abriga 15 mil plantas, 173 mamíferos, 146 aves e 416 répteis e anfíbios endêmicos, e atualmente possui menos de 7% do habitat remanescente.
Plantação de chá em área de floresta na Malásia
4. Filipinas
  Considerado um dos países mais ricos em biodiversidade do mundo, as Filipinas vêm tendo suas florestas dizimadas por causa das intensas atividades madeireiras e agrícolas, além do crescimento populacional, que provocaram a destruição de cerca de 93% de suas florestas latifoliadas tropicais e subtropicais úmidas, que cobriam juntas cerca de 297.179 km². As Filipinas possui 6.091 plantas, 102 mamíferos, 185 aves e 234 répteis e anfíbios endêmicos.
Montanhas com vegetação destruída nas Filipinas
5. Mata Atlântica (América do Sul)
  Composta por uma floresta latifoliada tropical e subtropical densa, a Mata Atlântica já esteve presente em praticamente toda a costa brasileira, indo do nordeste do Rio Grande do Sul até o norte do litoral nordestino, além de áreas no leste do Paraguai e na província de Missiones, na Argentina, abrigando cerca de vinte mil espécies de plantas.
  Essa vegetação desenvolveu-se graças à umidade trazida pelos ventos que sopram do mar. A maior parte das espécies tem folhas perenes (permanecem verdes o ano todo). Possui uma grande biodiversidade, convivendo nessa floresta árvores gigantescas, como jequitibás e figueiras, e grande variedade de palmeiras, folhagens, arbustos, além de musgos e fungos.
Vegetação de Mata Atlântica na Serra do Mar, no Paraná
  Durante séculos, a Mata Atlântica manteve-se vigorosa e com grande poder de regeneração. Enquanto a natureza esteve em equilíbrio, a própria floresta se encarregava de cobrir rapidamente as clareiras abertas pela queda de alguma grande árvore. Atualmente, menos de 8% da cobertura original continua em pé, a maior parte em pequenos fragmentos de floresta secundária.
  No Brasil, restam menos de 7% de sua cobertura original, sendo a maior parte na Serra do Mar. A destruição da Mata Atlântica começou no início da colonização europeia, com a extração do pau-brasil e, posteriormente com o cultivo da cana-de-açúcar e da atividade cafeeira. Atualmente, a urbanização é o principal responsável pela destruição da Mata Atlântica.
  A Mata Atlântica possui cerca de 8 mil espécies de plantas, 270 de mamíferos, 992 de aves, 569 de répteis e anfíbios e 350 espécies de peixes endêmicos.
As linhas amarelo escuro representa a área coberta pela Mata Atlântica
6. Montanhas do Centro-Sul da China
  As montanhas do Centro-Sul da China cobrem uma área de 262.446 km² e inclui uma grande diversidade de habitats, uma das maiores taxas de endemismo do mundo e a maior parte dos sistemas hídricos da Ásia. É composta por uma floresta de coníferas temperadas, e o seu principal problema ambiental é a construção de barragens para a obtenção de energia, além das atividade ilegais de caça, coleta de lenha e pastagens. Atualmente, menos de 8% da vegetação nativa continua intacta. Essa região abriga 3.500 plantas, cinco mamíferos, uma ave e 55 répteis e anfíbios endêmicos.
Montanhas do Centro-Sul da China
7. Província Florística da Califórnia (EUA)
  A Província Florística da Califórnia, possui uma área de 293.804 km², é formada por florestas latifoliadas tropicais e subtropicais úmidas, possui um clima mediterrâneo e abriga o maior organismo vivo do planeta, a sequoia gigante. É também o local de maior reprodução de aves dos Estados Unidos. Essa região é o lar de 3.500 espécies diferentes de plantas, sendo 61% delas endêmicas. Os principais problemas que ameaçam essa província são a expansão de áreas urbanas, a poluição, a agricultura comercial e a construção de estradas. Atualmente, a região possui menos de 10% de seu habitat natural.
Sequoias localizadas no Sequoia National Park, na Califórnia - EUA
8. Florestas Costeiras da África Oriental (Somália, Quênia e Tanzânia)
  Espalhadas pela Somália, Quênia e Tanzânia, essas florestas ocupavam uma área de 291.250 km², e possuem uma grande diversidade de espécies endêmicas, que sofrem com um solo pobre e o crescimento populacional. Apesar de pequenos e fragmentados, os remanescentes que formam as Florestas Costeiras da África Oriental contêm níveis extraordinários de biodiversidade. São 1.750 plantas, 11 mamíferos, 12 aves e 62 répteis e anfíbios endêmicos. Os primatas são espécies-símbolo da região. A expansão agrícola continua sendo a principal ameaça para essas florestas, principalmente a agricultura de subsistência e a comercial. Atualmente restam menos de 10% de sua cobertura vegetal.
Área que antes era ocupada pela Floresta Costeira na Tanzânia
9. Madagascar e ilhas do Oceano Índico (África)
  Essas ilhas juntas compreendem uma área de 600.461 km² e possuem diversos animais que não são encontrados no continente. São 11.600 plantas, 144 mamíferos, 183 aves e 593 répteis e anfíbios endêmicos. Menos de 10% da área de floresta conseguiu resistir às pressões do crescimento populacional e das atividades mineradoras, agrícolas e de extração não sustentável de madeira, além da caça e da pesca predatória. Este hotspot é um exemplo vivo da evolução de espécies em isolamento e contém uma exuberante coleção de espécies, com altos níveis de endemismo.
Área desmatada em Madagascar
10. Florestas de Afromontane (África)
  As Florestas de Afromontane possuem uma área total de 1.017.806 km² e é uma sub-região de montanhas descontínuas e separadas uma das outras por zonas baixas. Essas florestas possuem uma flora única e abrigam alguns dos lagos mais belos do mundo. A agricultura, especialmente as grandes plantações de banana, feijão e chá, é a principal ameaça desse ecossistema, seguida do comércio, da caça predatória e da extração ilegal de madeira. O Vale do Rift abriga uma grande variedade de plantas, mamíferos, aves, peixes e anfíbios endêmicos. São 2.356 plantas, 104 mamíferos, 110 aves, 172 répteis e anfíbios e 617 espécies de peixes endêmicas vivendo nessas florestas. Atualmente existe menos de 11% da floresta remanescente.
Montanhas Semien, na Etiópia
FONTE: Perspectiva geografia, 6 / Cláudia Magalhães ... [et al.]. - 2. ed. - São Paulo: Editora do Brasil, 2012. - (Coleção perspectiva).