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quarta-feira, 25 de abril de 2012

A FORMAÇÃO DOS PAÍSES LATINO-AMERICANOS

  A maioria dos países latino-americanos tornou-se independente já na primeira metade do século XIX. Esse processo foi motivado por inúmeros fatores, com destaque para as lutas pela abolição da escravidão, as revoltas dos nativos que sobreviveram à ocupação europeia e, principalmente, os conflitos provocados pelo choque de interesses entre os colonizadores e as novas elites, que foram se constituindo ao longo de três séculos de colonização.
  Essas elites, genericamente denominadas criollas, eram descendentes dos colonizadores, mas não podiam exercer o poder político nas colônias por terem nascido e se formado na América. Com a conquista da independência, começaram a surgir conflitos de interesse entre as elites criollas distribuídas por diferentes locais, o que levou à fragmentação das colônias em diversos territórios e deu origem à maioria dos países que hoje compõem a América de colonização espanhola.
A colonização europeia na América foi marcada pelo extermínio e escravização dos povos indígenas
  As tentativas de unificação do território não foram tão fortes quanto os interesses das elites locais. Isso explica por que as fronteiras dos países latino-americanos são, de maneira geral, mais fragmentadas do que as antigas fronteiras coloniais.
  No México, por exemplo, os índios e mestiços, liderados por padres da Igreja Católica, iniciaram em 1810 um intenso processo de lutas de libertação, motivados principalmente pela perspectiva de que, num país independente, teriam acesso à propriedade das terras onde trabalhavam.
  Os colonizadores espanhois e a elite local mexicana associaram-se contra esses levantes populares, e, após sufocarem as rebeliões, as elites locais assumiram a condução do processo de independência, concluído em 1821.
Hidalgo - primeiro defensor da independência do México
  Após a independência, as fronteiras mexicanas chegaram a englobar um território duas vezes maior que o atual. Além das terras que perdeu para os Estados Unidos, o México chegou a incorporar, por um curto período, praticamente toda a porção continental da América Central.
  As províncias da América Central, com exceção do território hoje correspondente ao Panamá, que fazia parte da Colômbia, formaram em 1823 as Províncias Unidas do Centro da América. A Confederação, posteriormente, fragmentou-se nos diversos países que compõem essa parte do continente.
Países que faziam parte das Províncias Unidas do Centro da América
   Tais processos estavam diretamente relacionados com os arranjos territoriais promovidos, principalmente, pelos interesses das elites locais que, a exemplo do que ocorreu no México, tiveram um forte papel na condução dos processos de independência dos países latino-americanos.
  Entretanto, a definição das fronteiras de alguns países da América espanhola não ocorreu exclusivamente dos confrontos entre as diversas elites criollas. Em alguns casos, essas elites se associaram aos remanescentes dos antigos povos e sociedades indígenas que, quando não foram totalmente dizimados, permaneceram resistindo e lutando pela afirmação de sua identidade cultural.
Mapa da América espanhola
  Para a América espanhola prevaleceu um processo diferente daquele que se verificou no Brasil. Este, além de manter o mesmo território herdado da colonização portuguesa, ainda o ampliou, e, apesar da ocorrência de vários conflitos localizados, aqui as forças que lutaram pela manutenção da unidade prevaleceram sobre os separatistas.
  Portanto, o processo de formação das fronteiras brasileiras pode ser considerado mais parecido com o dos Estados Unidos do que com o dos outros países latino-americanos. O Brasil também passou por uma fase de expansão territorial, mas, ao contrário dos EUA, isso ocorreu antes da independência.
Formação territorial do Brasil
FONTE: Carvalho, Marcos Bernardino de
Geografias do mundo: fronteiras, 8º ano / Marcos Bernardino de Carvalho, Diamantino Alves Correia Pereira. - 1. ed. renovada. - São Paulo: FTD, 2009. - (Coleção geografias do mundo) 

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