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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CRESCIMENTO ECONÔMICO DOS PAÍSES DA OCDE DIMINUIRÁ EM 2011

Agência EFE
  O crescimento econômico médio dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) se situará entre 2 e 2,5% em 2011, inferior ao previsto, informou nesta sexta-feira o grupo.
  Além disso, o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, advertiu que os níveis de dívida e o déficit público são "insustentáveis".
  A OCDE confirmou que o crescimento econômico previsto para 2010 estará entre 2,5 e 3%, um nível que os países da organização só recuperarão em 2012.
  Gurría acrescentou que a maioria dos países terá que reduzir a dívida para entre 6 e 9% do Produto Interno Bruto (PIB).
  "Terá que ser inclusive maior para que a dívida alcance níveis sustentáveis", destacou.
  Em relação à tendência de crescimento econômico nos 33 países da OCDE, a organização confirmou que o ritmo de recuperação mundial "desacelerou" desde o início deste ano enquanto na maioria deles a dívida pública alcançou valores históricos.
  Segundo a organização, os países registram diferentes níveis de recuperação econômica, especialmente dentro da zona do euro.
  A OCDE espera que a recuperação econômica dos Estados Unidos acelere, enquanto que no Japão o ritmo diminuirá.
  Já nos países emergentes o crescimento deve continuar "robusto", embora em um ritmo menos acelerado.

KADHAFI AFIRMA QUE VAI 'TRIUNFAR SOBRE INIMIGOS' NA LÍBIA

TV mostrou ditador falando para multidão em praça na capital Trípoli
Reuters

   O ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, voltou à TV nesta sexta-feira (25) e disse que vai "triunfar sobre os inimigos", em meio aos protestos que tomam o país do norte da África  e já provocaram as mortes de centenas de pessoas.
  As imagens mostraram o coronel falando a uma multidão de partidários na Praça Verde, na capital líbia, Trípoli.
Ele pediu à população que "se prepare" e proteja o país e também as instalações petrolíferas, importante fonte de riqueza da região. O país é o 12º maior produtor mundial de petróleo.
  "O povo líbio ama Kadhafi", disse à multidão.
  Em tom ameaçador, Kadhafi falou que, se necessário, vai abrir os arsenais do país para armar a população e as tribos.
  Enquanto isso, os rebeldes, que já praticamente tomaram o leste do país a partir da cidade de Benghazi, continuam seu avanço.
  Kadhafi ainda domina a capital, mas, segundo testemunhas, algumas áreas já estão em poder dos rebeldes. Há relatos de que forças de segurança atiraram contra manifestantes em vários bairros, provocando mortes.
  Ao mesmo tempo, cresce a ofensiva diplomática contra o ditador, com a União Europeia e o Conselho de Segurança da ONU preparando sanções ao país.
  As Nações Unidas seguem preocupadas com a situação humanitária do pais, temendo uma crise na distribuição de alimentos no país e também um colapso gerado pelas mais de 30 mil pessoas que deixaram o país, temerosas da violência.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ÁFRICA: O CONTINENTE DO FUTURO

  No século XIX, a Revolução Industrial avançava na Europa. Com o desenvolvimento das máquinas, a produção era cada vez mais acelerada e, os produtores, necessitavam de mercados consumidores e fornecedores cada vez maiores.
  Assim, manteve-se o interesse das potências europeias pela África. Os vastos recursos naturais do continente, como metais e solos férteis, passaram a ser ainda mais cobiçados. Iniciou-se então, uma verdadeira corrida de exércitos europeus para a África, fato que acirrou as rivalidades entre as potências europeias. Temendo um grande conflito, os líderes europeus passaram a buscar um entendimento para dividir a África entre eles.
   Proposta por Portugal e organizada pelo líder alemão Otto von Bismarck, realizou-se a reunião que ficou conhecida como a Conferência de Berlim (1884/85). Nesses encontros, os governantes europeus faziam acordos para dividir a África sem gerar conflitos, que seriam desastrosos para a vida econômica da Europa.
Mapa da África após a Conferência de Berlim. Fonte: Novo Atlas do Estudante, FTD, 2007
  Entre os séculos XVI e XIX apenas alguns trechos litorâneos do continente africano foram efetivamente conquistados; na segunda metade do século XIX, foi iniciada a colonização de todo o território africano.
Foto da Conferência de Berlim. Fonte: retalhosdehistoria.blogspot.com
  Diversas empresas europeias se encarregaram de explorar e comercializar as riquezas africanas. Nomes como a Royal Niger Company, Société Anversoise du Commerce au Congo, De Beers Mining Company, dentre outras, eram conhecidas em toda a África. Essas companhias conseguiam enormes lucros com a exploração das terras e dos recursos minerais africanos.
  Quando a população de europeus se tornou ainda maior na África, no final do século XIX, ocorreram radicais transformações no espaço geográfico e no modo de vida dos africanos.
  As formas tradicionais de organização em clãs familiares, monarquias e grupos étnicos foram pouco a pouco sendo substituídas por Estados organizados com fronteiras, forças policiais, regras e leis novas e tantas outras características impostas pelos europeus e que eram totalmente estranhas aos africanos.
   Além disso, as atividades econômicas tradicionais foram substituídas por novos modelos produtivos. Nas savanas, implantaram-se as plantations de borracha, café, amendoim, dentre outros produtos muito utilizados pelas indústrias europeias.
Agricultores no Quênia. Fonte: nepanodoesntext.com
  A mão de obra africana foi utilizada a serviço das empresas europeias, na extração de minérios, na agricultura ou na construção de portos e prédios, o que impedia qualquer possibilidade de desenvolvimento interno das nações africanas e desprezava as necessidades de sua população.
Mineração na África do Sul. Fonte: TAMDJIAN, James Onnig. Estudos de geografia: o espaço do mundo II. São Paulo, FTD, 2008.
  Para escoar os produtos agrícolas e minerais, construíram-se ferrovias que interligaram as principais áreas produtoras aos portos, alterando radicalmente o espaço geográfico africano.
A descolonização
  A situação de dominação e de exploração provocou a indignação dos africanos, que não concordavam com o esmagamento do seu continente pelos europeus. Com isso, houve sangrentas revoltas na África que marcaram todo o séculoXIX.
  O poder econômico e militar europeu era muito grande. Por isso, os líderes e intelectuais africanos passaram a defender a independência como forma de libertação, lutando para que os países fossem livres para promulgar as próprias leis e controlar suas riquezas.
Mapa da independência dos países africanos. Fonte: cprcalahorra.org
  Em 1919, realizou-se em Paris, o Primeiro Congresso Pan-Africano, que reivindicava os direitos dos nativos e a libertação das colônias africanas. Esse movimento cresceu e cada vez mais africanos passaram a apoiar a expulsão dos europeus.
William Edward Du Bois (1868/1963) - pai do Pan-Africanismo. Fonte: Gl.com
  A Segunda Guerra Mundial envolveu as potências europeias em um conflito que consumiu vidas, armas e dinheiro. Pouco restava para manter a dominação na África, e em alguns anos os exércitos coloniais europeus abandonaram o continente, o que levou à independência de inúmero países africanos.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

BRIC (BRASIL, RÚSSIA, ÍNDIA E CHINA)

  O termo BRIC foi criado para fazer referência a quatro países Brasil, Rússia, Índia e China. Estes países emergentes possuem características comuns. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, estes países não compõem um bloco econômico, apenas compartilham de uma situação econômica com índices de desenvolvimento e situações econômicas parecidas.
  Os quatro países em conjunto representam atualmente mais de 1/4 da área terrestre do planeta e mais de 40% da população mundial.
Características comuns desses países
  • Economia estabilizada recentemente;
  • Situação política estável;
  • Mão de obra em grande quantidade e em processo de qualificação;
  • Níveis de produção e exportação em crescimento;
  • Boas reservas de recursos minerais;
  • Investimentos em setores de infraestrura (estradas, ferrovias, portos, aeroportos, usinas hidrelétricas etc);
  • PIB (Produto Interno Bruto) em crescimento;
  • Índices sociais em processo de melhorias;
  • Diminuição, embora lenta, das desigualdades sociais;
  • Rápido acesso da população aos sistemas de comunicação como, por exemplo, celulares e Internet (inclusão digital);
  • Mercados de capitais (Bolsas de Valores) recebendo grandes investimentos estrangeiros;
  • Investimentos de empresas estrangeiras nos diversos setores da economia. 
Futuro
  Economistas afirmam que, mantidas as situações atuais, os países do BRIC poderão se tornar grandes economias num futuro próximo. Dentre estes países, destaca-se a China, em função do rápido desenvolvimento econômico (crescimento do PIB em torno de 10% ao ano) e a sua elevada população (1,3 bilhão de pessoas).
Características particulares para o desenvolvimento econômico de cada país
Brasil
  É o país mais atraente entre as nações do grupo quanto à possibilidade de receber investimentos estrangeiros, pois foi elevado à posição de grau de investimento, pelas agências de classificação de risco Standard e Poor's.
  Os principais aspectos que contribuem para o crecimento econômicos do Brasil são:
  • Grande produtor agrícola;
  • Parque industrial diversificado;
  • Grandes reservas minerais, e com a descoberta do pré-sal será autossuficiente em petróleo e possível exportador;
  • Apresenta um grande mercado consumidor (190 milhões de habitantes).
São Paulo - maior cidade brasileira. Fonte: Wikipédia
  De acordo com o relatório O'Neill, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil vai apresentar acréscimo de 150% até 2030 e chegará a US$ 2,4 trilhões, o que proporcionará ao país a quinta maior economia do mundo, atrás dos EUA, China, Índia e Japão.
  O estudo afirma que o Brasil precisa crescer uma média de 4% ao ano para atingir essa posição econômica.
Indústria - um dos fortes setores da economia brasileira. Fonte: hprepres.com.br
Rússia
  Segundo as projeções de O'Neill, a Rússia será a sexta maior economia do planeta em 2050. Os cálculos apontam que, em 2018, o PIB russo ultrapassará o italiano. Em 2024, será maior que o da França, e, nos anos de 2027 e 2028, a Rússia deixará para trás o Reino Unido e a Alemanha, respectivamente.
  Entre os fatores que fortalecem a economia russa estão:
  • Apresenta grandes reservas de petróleo e gás natural;
  • Atualmente é o segundo maior produtor e exportador de petróleo do mundo;
  • O país conta com a maior reserva de gás natural do planeta;
  • Apresenta um grande mercado consumidor (142 milhões de habitantes).
Oleoduto na Rússia. Fonte: exame.abril.com.br
 Índia
  Começou a crescer economicamente em números significativos a partir de 1991, quando o governo realizou a abertura econômica, fato que começou a atrair investimentos internacionais.
  As principais características da Índia são:
  • Possui profissionais qualificados em áreas tecnológicas, principalmente de informática;
  • O país conta hoje com um verdadeiro parque de indústrias de tecnologia, nacionais e estrangeiras;
  • Apresenta um grande mercado consumidor (1,1 bilhão de habitantes).
  Conforme projeções, a Índia será o único país entre as potências emergentes a crescer acima dos 5% ao ano a partir de 2030. Já a taxa de crescimento do PIB do Brasil, Rússia e China, a partir de 2030 começará a declinar, ficando na média de 3% ao ano. A Índia, em 2050, será a terceira maior economia do planeta, ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Trabalhadores no setor de informática da Índia. Fonte: blog.br.com
  Porém, o país necessita solucionar algumas questões, como por exemplo, a deficiência em infraestrutura e agricultura, além da falta de mão de obra especializada.
China
  Em 1997, a China abandonou o socialismo de mercado e deu início ao capitalismo. Desde então ocorreram várias privatizações dos meios de produção, atualmente cerca de 70% da economia chinesa é privada.
Imagens do trânsito em Pequim - China. Fonte: noticiasautomotivas.com.br
  A China teve um crescimento econômico, nos últimos anos, de 8% a 10,7% por ano, bem superior à média mundial, que é de 4%. Se persistir esse crescimento, a China será, em 2050, a maior economia mundial.
  Entre os fatores responsáveis por esse acelerado crescimento econômico, estão:
  • Apresenta um vasto exército de operários;
  • Elevada população absoluta (mais de 1,3 bilhão de habitantes);
  • Alto investimento em tecnologia e infraestrutura;
  • Possui vários investidores estrangeiros atuando no país;
  • Sistema de educação de alto nível, onde 99,8% dos jovens são alfabetizados;
  • Apenas 10% da população vive abaixo da linha de pobreza.
Imagem de Xangai - China. Fonte: adoroviagem.uol.com.br 
  Conforme projeções de O'Neill, em 2020 a taxa real de crescimento da economia chinesa deverá está por volta de 5% ao ano, enquanto em 2040 este número será ainda menor, por volta de 3,5%. Mesmo assim, o país estará ultrapassando os EUA ainda em 2041.
  Em breve o BRIC ganhará mais um membro, onde estima que ainda esse ano será oficializada a entrada da África do Sul no grupo.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

PREÇO DO PETRÓLEO SOBE PUXADO POR ONDA DE VIOLÊNCIA NA LÍBIA

Brent fechou a US$ 108, maior patamar desde setembro de 2008. WTI subiu mais de US$ 5, fechando a US$ 91,42, maior nível em 2 semanas.

  Os preços do petróleo tipo Brent atingiram US$ 108 o barril pela primeira vez desde 2008 nesta segunda-feira (21), devido a preocupações de que a crescente violência na Líbia possa provocar interrupção no fornecimento do país membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).
Sede da OPEP em Viena - Áustria. Fonte: www.opep.org
  Os preços do petróleo nos Estados Unidos ditaram um salto no rali de mais de US$ 5, a maior alta em mais de dois anos.
  Operadores se apressaram para cobrir posições vendidas entre o petróleo tipo Brent e o WTI norte-americano. A diferença em abril foi estreitada para US$ 10 durante o dia, mas se ampliou para mais de US$ 12 mais tarde no pregão.
  Os preços do tipo Brent no mercado de futuros, que avançaram mais de US$ 10 este ano, principalmente devido ao crescente risco geopolítico, saltaram em US$ 3,22 o barril, ou 3,2%, para estacionar em US$ 105,74 o barril.
  Os preços subiram mais US$ 2, para fechar em US$ 108 nas últimas negociações, maior patamar desde 4 de setembro de 2008.
  O contrato do petróleo cru norte-americano, que vence na terça-feira, aumentou US$ 5,22 o barril para fechar a US$ 91,42 no fim da tarde -- maior nível em duas semanas

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

AVIÕES MILITARES ABREM FOGO CONTRA MANIFESTANTES NA CAPITAL LÍBIA, DIZ TV

Bombardeios teriam matado 250, mas não há confirmação independente. Protestos contra o governo Kadhafi se intensificam no país.

G1
  Aeronaves militares atacaram uma multidão de manifestantes antigoverno em Trípoli, capital da Líbia, disse a televisão Al Jazeera.
  O líbio Soula al-Balaazi, que disse ser ativista da oposição, afirmou à rede por telefone que caças da Força Aérea da Líbia bombardearam "alguns locais em Trípoli". Ele disse que falava de um subúrbio de Trípoli.
  Pelo menos 250 pessoas teriam morrido, segundo a emissora. Já a Al Arabiya fala, sem citar fontes, em 160 mortos.
  Mais cedo, a Federação Internacional de Direitos Humanos havia calculado entre 300 e 400 o número de mortos desde o início da rebelião contra o governo de Muammar Kadhafi. Segundo a Human Rights Watch, ao menos 233 morreram.
  Nenhuma verificação independente das notícias estava disponível no momento.
  Moradores dos bairros de Tayura e Fashlum relataram um "massacre", com muitos mortos, inclusive mulheres. Outro morador da capital também afirmou à TV que diversas áreas da capital estão sendo bombardeadas. "O que estamos testemunhando hoje é inimaginável. Aviões de guerra e helicópteros estão bombardeando indiscriminadamente uma área depois da outra. Há muitos, muitos mortos", disse Adel Mohamed Saleh.
  Há relatos de que pilotos teriam desertado para a ilha de Malta porque não queriam disparar contra a multidão.
  O jornal "Quryna" relatou que mercenários atiraram contra manifestantes, provocando muitas mortes. Uma mulher teria sido morta dentro de sua própria casa.
  O secretário de Relações Exteriores britânico, William Hague, afirmou mais cedo que Kadhafi poderia estar se dirigindo para a Venezuela, mas uma fonte do governo em Caracas negou a informação.
  Várias cidades do país, entre elas Benghazi e Syrte, estão dominadas por manifestantes, depois de relatos de deserções nas fileiras do Exército e da polícia, segundo testemunhas e a Federação Internacional de Direitos Humanos. "Muitas cidades foram tomadas, principalmente no leste. Os militares estão debandando", disse a presidente da FIDH, Souhayr Belhassen, citando principalmente Benghazi, reduto da oposição, e Syrte, cidade natal do coronel Kadhafi, que preside o país desde 1969. Outras testemunhas, no entanto, desmentiram que Syrte tivesse sido tomada.
  A polícia debandonou no domingo de Zauia, a 60 km a oeste de Trípoli, e a cidade está mergulhada no mais completo caos, informaram vários tunisianos que fugiram para Ben Guerdan (Tunísia), perto da fronteira entre os dois países.
  Protestos também estouraram na cidade de Ras Lanuf, que abriga uma refinaria e um complexo petroquímico, segundo o jornal "Quryna".
  Em Tobruk, perto da fronteira com o Egito, dez egípcios morreram baleados por "grupos armados de mercenários líbios", disse à France Presse um médico egípcio, citando compatriotas que fugiram do país em conflito.
  O grupo petroleiro italiano ENI, principal produtor estrangeiro na Líbia, anunciou em Milão que vai retirar seu pessoal "não essencial" do país. Ao mesmo tempo, pelo menos três diplomatas líbios renunciaram a seus cargos, e vários líderes tribais e religiosos aderiram à revolta popular.
  Uma coalizão de líderes muçulmanos líbios emitiu uma declaração dizendo que é obrigação de todo o muçulmano se rebelar contra o governo líbio. "Eles demonstraram total impunidade arrogante e contínua, e até mesmo intensificaram seus crimes sangrentos contra a humanidade. Portanto, eles demonstraram total infidelidade à orientação de Deus e Seu amado Profeta (que a paz esteja com ele)", disse o grupo, chamado de Rede dos Ulemas (sábios religiosos) Livres da Líbia.
  O ministro da Justiça, Mustafa Abdeljalil, pediu demissão em protesto contra a "situação sangrenta" no país, também segundo "Quryna".  O jornal afirmou ter conversado com o ministro por telefone.  Não havia confirmação oficial.
Moradores sobre tanque com a bandeira nacional pré-Kadhafi, nesta segunda-feira (21), na cidade líbia de Benghazi. (Foto: AP)
  Milhares de pessoas vêm protestando nos últimos dias na região leste do país contra  Khadafi. O acesso à informação é difícil, e os dados são frequentemente contraditórios.
  Saif al Islam, filho de Kadhafi, anunciou a criação de uma comissão para investigar a violência, presidida por um juiz líbio, segundo a TV estatal. Mais cedo, ele tinha dito que Khadafi vai combater a revolta popular "até o último homem em pé", depois que oposicionistas realizaram pela primeira vez manifestações na capital, Trípoli.
  A TV estatal afirmou que está havendo uma operação contra "sabotadores e terroristas", com vários mortos, mas não entrou em detalhes. "Nosso moral está elevado, e o líder Muammar Khadafi está comandando a batalha em Trípoli. Nós estamos por trás dele, assim como o Exército líbio", afirmou. "Vamos continuar lutando até o último homem que estiver de pé, até mesmo à última mulher que estiver de pé (...). Não vamos deixar a Líbia para os italianos ou para os turcos."
  Na noite de domingo, a multidão saqueou o prédio do canal televisão Al-Jamahiriya 2 e da rádio Al-Shababia, ambas públicas.
  A programação dos veículos, interrompida durante a noite, foi retomada nesta segunda-feira. Testemunhas também informaram incêndios em delegacias, escritórios de comitês revolucionários (ligados ao regime) e uma área de reuniões oficiais no centro da cidade, onde foram ouvidos intensos tiroteios.
Manifestante mostra cartaz contrário ao presidente da Líbia, Muammar Kadhafi, durante protesto no Cairo, capital do Egito, nesta segunda-feira (21) (Foto: Reuters)
Saída
  Os EUA pediram nesta segunda que todo seu pessoal diplomático não essencial deixe a Líbia e alertou cidadãos americanos a evitar viajar para o país do norte da África por conta dos protestos antirregime.
  Mais de 2.300 tunisianos residentes na Líbia abandonaram o país desde domingo por razões de segurança, informou a agência oficial tusinisiana TAP. A maioria decidiu voltar de maneira espontânea, já que consideram que a situação vai piorar na Líbia.
  A Itália decidiu decretar alerta máximo em todas as suas bases aéreas depois que dois aviões militares líbios e dois helicópteros civis aterrissaram em Malta depois dos atos de violência na Líbia, indicaram fontes da imprensa local.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

CIVILIAÇÃO "ORIENTAL" OU SÍNICA

  A área dominada pela civilização sínica, ou chinesa, abrange além da China, alguns países vizinhos no continente asiático: Mongólia, Coreia do Norte, Coreia do Sul, Taiwan (Formosa), Hong Kong e, com menor intensidade, o sudeste Asiático.
  A civilização chinesa, uma das mais antigas do mundo, desenvolveu um rico sistema de linguagem, especialmente a escrita, e filosofias com grande significado religioso, político e até ecológico. a escrita chinesa, baseada ideogramas, expandiu-se para amplas áreas da Ásia e chegou até o Japão. O idioma chinês abrange seis dialetos principais; o falante de um deles não consegue entender os outros. Mas a escrita os unifica, pois todos compreendem os ideogramas, mesmo que as palavras que eles significam variem bastante.
Mandarin - letras do alfabeto chinês. Fonte: institutomandarin.net
  Ao longo dos milênios, a população chinesa, formada predominantemente por camponeses, teve de lutar contra um ambiente muitas vezes difícil e árido. A civilização chinesa foi a que mais desenvolveu sistemas de irrigação, transportando água dos rios para áreas longínquas com secas periódicas. É por isso que ela é chamada de "civilização hidráulica milenar".
Grande Canal da China ou Grande Canal de Jing-Han. Sua construção teve início no ano 604 pelo Imperador Yang Guang. Possui 1.794 quilômetros de comprimente. Fonte: portuguese.cri.cn
  A cultura chinesa engloba três principais correntes de pensamento, que para o povo chinês não se excluem, mas se completam: o confucionismo, o taoísmo e o budismo - as três religiões (ou filosofias) que formam uma "única família", o Sankiao. O chinês típico em geral, é ao mesmo tempo budista, taoísta e confucionista (e algumas vezes até cristão). Isso sempre preocupou os missionários e agentes ocidentais na região, pois o Ocidente não existe o meio-termo e a possibilidade de ser e não ser ao mesmo tempo. Essa é uma diferença essencial entre a cultura chinesa, ou "oriental", e a ocidental. A própria ideia cultural do Oriente é uma invenção do Ocidente, pois há várias civilizações diferentes na Ásia, e os escritores que criaram a ideia de um Oriente único, misturavam tudo: a civilização chinesa com a hinduísta e a islâmica.
  Vejam as principais características das correntes orientais:
Confucionismo
  Deriva dos ensinamentos de Confúcio, do século V a.C. Prega uma série de regras éticas ou virtudes para as pessoas. Ele advoga um grande respeito às tradições e aos idosos, à família e à pátria, especialmente ao Estado. Valoriza bastante o ensino e apregoa que os sábios ou letrados, detentores do saber e também do poder, ocupem o primeiro lugar na sociedade.
Templo do confucionismo na China. Fonte: portuguese.cri.cn
  O confucionismo foi e continua sendo fundamental para a organização da burocracia chines - a classe dirigente do país há milênios, mesmo depois da introdução da República (1911) e da Revolução Socialista de 1949. Essas mudanças na vida política oficial do país não alteram o fato básico de que a camada dominante sempre foi, e continua sendo, a elite burocrática que controla o Estado e o governo. No passado esses mandatários eram os mandarins; hoje são os membros privilegiados do Partido Comunista.
Mao Tsé-tung - líder chinês. Fonte: institutomandarin.net
Taoísmo
  Fundado por Lao-tsé, no século V a.C., advém da palavra tao, que significa o caminho ou processo do universo, a ordem da natureza. O mundo é visto como um processo dinâmico e cíclico, com frequentes oposições de lados contrários que se complementam: o yin e o yang, ou seja, o feminino e o masculino, o intuitivo e o racional, o complexo e o simples, o receptivo e o expansivo, o repouso e o movimento.
Lao-tsé - fundador do Taoísmo. Fonte: wordpress.com
  A vida, dizia Lao-tsé, é a harmonia combinada do yin e do yang, a busca do equilíbrio, mesmo que às vezes um dos dois lados prevaleça momentaneamente. A tradicional medicina chinesa, que usa a acupuntura, alimentação especial e outras técnicas muito diferentes da medicina ocidental, baseia-se numa imagem do corpo (em união com o espírito) que seria essa combinação dos elementos yin e yang.
Montanha Qingcheng, lugar sagrado do taoísmo na província de Sichuan. Fonte: mitologiasereligiões.com
Budismo
  Chegou tardiamente à China, no século I d.C., vindo da Índia. O budismo chinês (e também o japonês) é diferente do primitivo budismo indiano, pois foi reelaborado no contato com a cultura chinesa. O fundamental no budismo é a ideia de "despertar" ou nirvana, um estágio de meditação profunda que conduz ao conhecimento último das coisas. Tudo é mutável, está em movimento, se transforma, dizia Buda. Não devemos nos apegar às coisas transitórias, a fatos e pessoas, nem ao próprio "eu", pois tudo seriam formas de ilusão.
Estátua de Buda em Macau - China. Fonte: cambetabangkokmacau.com
  Nessa área tradicionalmente bastante povoada, a desvalorização do individualismo apregoado pelo budismo teve grande aceitação. O budismo enfatiza também as ideias de sofrimento - pobreza, dor, doença e morte -, com propostas consoladoras de renúncia e de possibilidade de alcançar a salvação, o nirvana.
Templo budista em Zen - China. Fonte: canstockphoto.com.br
  Assim, a civilização "oriental", valoriza muito a nação e o Estado, a família, a cultura (os letrados), a relatividade das coisas (tudo é transitório e tudo é aceitável, desde que na medida certa) e a história vista como ciclos, fases que vão ora numa direção, ora em outra.
  Também a solidariedade dos tradicionais clãs (grupos de famílias) com sua pátria de origem vem ajudando muito a atual expansão econômica da China. Isso porque os chineses que vivem no exterior - especialmente Taiwan, Cingapura, Malásia, Tailândia etc - criaram uma vasta rede de investimento nesse país, que vem sendo o de maior crescimento em todo o mundo desde os anos de 1990, e hoje já possui a segunda maior economia mundial, superando em 2010 a economia japonesa, e se persistir esse crescimento, nos próximos 15 anos já será a maior economia mundial.
Parque industrial em Pequim - China. Fonte: info.abril.com.br
  E a extrema valorização da escola e do professor, típica dessa cultura, muito ajudou na modernização não apenas da China, mas também de outras economias mais industrializadas, como o Japão, a Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan, dentre outras. Esses países também incorporaram, em maior ou menor grau, elementos da civilização chinesa, especialmente o confucionismo. Em todos eles existe um forte nacionalismo e uma efetiva valorização da educação de boa qualidade para todas as pessoas.
Alunos em uma escola em Xangai - China. Fonte: noticias.bol.uol.com
Fonte: VESENTINI, José William Geografia: geografia geral e do Brasil, volume único. São Paulo: Ática, 2005.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CIVILIZAÇÃO HINDU OU INDIANA

  A área sob o domínio da civilização hindu abrange, em primeiro lugar, a Índia, e em segundo lugar, alguns países vizinhos - Sri Lanka, Mianmá, Nepal, Butão e Tailândia. Em algumas outras nações, como o Paquistão, Bangladesh, Malásia e Indonésia, a cultura indiana também exerce alguma influência, embora o islamismo seja mais forte. em grande parte do Sudeste Asiático (Vietnã, Camboja, Laos), a civilização indiana disputa a supremacia cultural com a chinesa, que predomina.
Ganesha - primeiro filho de Shiva. Fonte: wordpress.com
  No decorrer de sua história milenar, a região compreendida pela civilização indiana foi palco de sucessivas invasões por  povos diversos. Essas invasões originaram uma mistura racial e cultural, constituindo um sistema social complexo e aberto, que busca constantemente incorporar e absorver outras ideias e valores.
  O hinduismo, uma mistura de religião e filosofia, é o elemento unificador dessa cultura bastante diversificada. Para alguns especialistas, o hinduísmo não é propriamente uma filosofia nem uma religião bem definida. Seria, antes de mais nada, um conjunto de ideias e de costumes que organiza ou cimenta uma sociedade extremamente complexa e hierarquizada. O hinduísmo tem uma enorme importância para manter a coesão social da Índia, onde convivem numerosos grupos étnicos.
  A fonte espiritual do hinduísmo encontra-se nos Vedas, uma coleção de antigas preces, hinos e poemas. Os Vedas foram elaborados provavelmente por sábios anônimos e transmitidos durante muito tempo apenas oralmente, antes de serem escritos. Eles foram escritos pela primeira vez por sânscrito, uma língua morta que deu origem a inúmeros idiomas modernos.
Parte dos Vedas. Fonte: giridhari.com.br
  Em síntese, os Vedas ensinam que todas as coisas e acontecimentos são manifestações diversas de uma mesma realidade, que existe dentro de cada um e no universo como um todo. O conhecer a si mesmo, dessa maneira, passa a ser uma maneira de conhecer o mundo. A introspecção, a reflexão sobre si próprio em busca do equilíbrio, é essencial nessa cultura.
  Também a crença na transmigração da alma ou do carma de cada pessoa - ou seja, a existência numa época como ser humano de uma casta, ou de outra casta na geração seguinte, como peixe ou vaca em outra encarnação etc. - é fundamental nessa cultura, razão pela qual a própria vida humana não é tão valorizada quanto no Ocidente.
  Existem inúmeros deuses no hinduísmo, que variam conforme a área e o grupo étnico. Mas todos eles são apenas um ou este assume formas diversas conforme as circunstâncias. Na tentativa de absorver todas as religiões e filosofias importantes nessa imensa região, o hinduísmo chegou mesmo a considerar Buda, assim como Alá e Cristo, mais uma das facetas de seu Deus ou essência última de todas as coisas.
Shiva - principal Deus do hinduísmo. Fonte: wordpress.com
  Em muitos casos essa mescla teve bons resultados, mas em outros não, ocorrendo muitos conflitos entre diferentes culturas. Esse fracasso é particularmente notável no caso dos siques, que habitam uma região ao norte da Índia, na região de Punjab, e lutam pela sua independência.
Guru Nanak (1469-1539) - fundador do sikismo. Fonte: facebook.com
  É notável também no caso do islamismo, que vem se expandindo no sul da Ásia e exercendo uma crescente influência nas populações mais pobres, especialmente nos párias, a camada da população sem muitos direitos, considerada inferior pelo hinduísmo.
Sistema de Castas
  A hierarquia é fundamental na cultura indiana. Ela assume a forma de castas, uma palavra que, para uns, deriva do latim castus, que signifca "casto" ou "puro", e, para outros, deriva de sânscrito e significa "cor". As castas são grupos de pessoas - ou de famílias - que possuem determinadas tradições que os classificam hierarquicamentet como mais "puros" ou "impuros" dentro da sociedade hinduísta.
  O conceito de "pureza", é fundamental no sistema de castas; ele se refere não à higiene, e sim a hábitos e valores espirituais. Essas tradições são complexas e abrangem a alimentação, as vestimentas, as profissões etc. Comer carne de vaca, por exemplo, é considerado um hábito impuro, que só alguma casta - ou povos sem casta - muito inferior faria. Algumas profissões são tradicionalmente identificadas com certas castas, tais como as de sacerdotes, guerreiros, comerciantes, agentes funerários etc. Não existe nenhuma possibilidade de passar de uma casta para outra, nem por casamento nem por qualidades pessoais ou profissionais.
Mulher dalit ou sem casta. Fonte: oarquivo.com.br
  Isso não significa que as desigualdades econômicas entre as pessoas nas sociedades hinduístas, na Índia ou no Nepal, sejam exageradas. ao contrário, elas são bem menores que no Brasil ou que no restante da América Latina.
  As castas, diferenciam-se por atividades que exercem ou deveriam exercer como também por hábitos de alimentação, higiene, vestimentas etc. As castas que comem carne de vaca são hostilizadas pelas demais castas. E a casta - ou subcasta - que tradicionalmente se dedica à lavagem e ao enterro (ou preparação para a cremação) dos mortos é considerada útil. Mas ela é tida como "impura", pela maioria das demais castas, que evitam a todo custo qualquer contato com ela, mesmo que esses agentes funerários tenham, em alguns casos, se tornado muito ricos.
Deus Shiva representando o sistema de castas. Fonte: wikipedia
  O sistema de castasteve origem nos árias, que invadiram a Índia por cerca de 1300 a.C. Esse povo falava o sânscrito e introduziu na Índia o cavalo e a fundição do ferro e do bronze. Para se diferenciar dos povos que já habitavam essa região, os árias criaram essa forma de segregação étnico-racial. Além de terem costumes diferentes dos da população comum, eles provavelmente se distinguiam pela cor da pele. No início, o sistema de castas era simples, com poucas variações, depois foi se tornando mais complexo, à medida que a região sofria novas invasões.
  Em ordem de posição social, são estas as principais castas tradicionais indianas, que possuem inúmeras subdivisões:
  • Brâmanes - sacerdotes;
  • Xátrias - guerreiros;
  • Vaixás - comerciantes, artesãos, camponeses;
  • Sudras - trabalhadores manuais;
  • Intocáveis - sem castas.

  Nos dias de hoje, o significado de cada castaou das centenas de subcastas que existem, depende muito da região do país: São os párias, sem profissão definida, sem nenhum tipo de privilégio. São os "intocáveis", os que inspiram apenas desprezo de todos os outros membros da sociedade indiana. Nem sequer podem banhar-se no rio Ganges, considerado sagrado, nem ler os Vedas. Os párias, originados da população comum dos nativos dominados pelos invasores, constituem a população mais pobre e até hoje exercem a maioria das atividades desvalorizadas na sociedade indiana.
Pessoas se banhando no Rio Ganges. Fonte: indiacultura.pbworks.com
  Apesar de ter sido oficialmente abolido em 1946 e de sua prática ter sofrido alguns abalos com o domínio ocidental e capitalista na Índia, esse sistema milenar permanece atuante na sociedade indiana. Na década de 1990, os jornais de todo mundo noticiaram rebeliões estudantis na Índia em virtude da política governamental de garantir certa porcentagem de empregos e de lugares nas escolas para os párias. Esses protestos tiveram um significado profundamente conservador: manter as tradições segregacionistas, tentar impedir uma ascensão mínima por parte das camadas populares. Essa política governamental, que não elimina o sistema de castas mas o ameniza, visa obter mais votos e ampliar a base de apoio das autoridades no poder.
Fonte: VESENTINI, José William Geografia: geografia geral e do Brasil, volume único. São Paulo: Ática, 2005.