ALDANN CONSTRUÇÕES

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domingo, 21 de setembro de 2014

A AGROPECUÁRIA TRADICIONAL DE SUBSISTÊNCIA

  Durante o século XX a agropecuária comercial moderna foi introduzida em várias partes do mundo, alterando as práticas agrícolas, os ecossistemas, os hábitos das populações e, consequentemente, as paisagens geográficas. No entanto, é importante ressaltar que existem ainda grandes extensões de terra, sobretudo nos países subdesenvolvidos, em que, por meio da utilização de práticas arcaicas, cultivam-se alimentos como o arroz, o feijão, a mandioca e a batata e criam-se bovinos, caprinos e ovinos.
  De maneira geral, as atividades ligadas à agropecuária tradicional de subsistência são desenvolvidas por meio de técnicas seculares de cultivo (como o terraceamento e o pousio) e de pastoreio (como a transumância). São exemplos de sistemas tradicionais a atividade rizicultora na Ásia, a agricultura itinerante ou de roça na América do Sul e na África e o pastoreio nômade na África. Nesses sistemas agrícolas, as tarefas diárias são desenvolvidas por famílias camponesas dentro de suas propriedades (mão de obra familiar) ou ainda, como no caso da atividade rizicultora asiática, por todos os integrantes da comunidade, em uma área de propriedade coletiva.
  Para os camponeses, a terra é um meio de garantir a subsistência da família e da comunidade a que pertencem. Os excedentes da produção são trocados ou vendidos para que possam ser adquiridos bens não produzidos nas propriedades ou nas terras comunais. Portanto, mantêm-se nesses lugares relações de produção muito diversas das presentes na agropecuária capitalista moderna.
Irrigação em cultivo de milho, em Dourados - MS
  O modelo econômico capitalista atingiu a produção agrícola, na qual ocorreu um rápido processo de modernização no campo (mecanização, utilização de defensivos agrícolas, sementes geneticamente modificadas, etc.) visando à maximização da produção. Esse fenômeno foi responsável pela redução do campesinato ou do pequeno produtor de subsistência. Entretanto, essa modalidade da agricultura resiste à modernização e é muito praticada em várias partes do mundo, especialmente na América Latina, Ásia e África.
  A agricultura de subsistência se caracteriza pela utilização de métodos tradicionais de cultivo, realizados por famílias camponesas ou por comunidades rurais. Essa modalidade é desenvolvida, geralmente, em pequenas propriedades e a produção é bem inferior se comparada às áreas rurais mecanizadas. Contudo, o camponês estabelece relações de produção para garantir a subsistência da família e da comunidade a que pertence.
Agricultura de subsistência em Carnaúba dos Dantas - RN
AGRICULTURA ITINERANTE
  A agricultura itinerante (ou de roça, como também é conhecida no Brasil) desenvolve-se plenamente em áreas pouco integradas ao sistema agrícola capitalista, principalmente nas regiões interioranas da América Latina e da África Subsaariana. Nesse sistema agrícola, geralmente aplicado em pequenas propriedades rurais ou em áreas de posse, emprega-se mão de obra familiar e técnicas bastante rudimentares de cultivo. Uma delas consiste em derrubar a floresta ou a mata próxima ao local onde os camponeses estão sediados. Em seguida, ateia-se fogo na capoeira remanescente da derrubada, a chamada queimada, como forma de limpar o terreno para o preparo do solo e para a semeadura.
  Por meio da utilização continuada dessas técnicas tradicionais, em poucos anos tem-se uma rápida exaustão da fertilidade dos solos, fato que obriga as famílias camponesas a buscarem novas áreas para o cultivo, mantendo-as em constante deslocamento (daí a denominação  de agricultura itinerante para esse sistema agrícola). A área abandonada, por sua vez, entra em um período de pousio, que permite a regeneração parcial da fertilidade do solo.
Agricultura itinerante em Senegal - África
  São características da agricultura itinerante:
  •  ao não fazer uso de técnicas corretas de manuseamento como: adubar e construir trechos de água, somados a ação das chuvas ou da falta de chuvas, a terra poderá vir a esgotar-se de uma maneira mais rápida e levar o agricultor a abandoná-la e usar o método em outra área, o que pode fazer com que tudo torne a acontecer, acarretando em mais desmatamento, mesmo que seja sem a intenção de fazê-lo;
  • manuseio por mão de obra familiar e uso de técnicas tradicionais e rudimentares;
  • alimentos mais produzidos: milho, nabo, feijão, mandioca, rabenete, entre outros.
Esquema da agricultura itinerante
RIZICULTURA ASIÁTICA
  Na Ásia, continente mais populoso do mundo, há grande demanda por alimentos. Por isso, as áreas rurais são intensamente aproveitadas, sobretudo para o cultivo de arroz, base da alimentação de grande parte da população dos países asiáticos.
  A escassez de áreas para cultivo levou os camponeses asiáticos a praticar a rizicultura mesmo em lugares onde o relevo é muito acidentado, como nas encostas das montanhas. Isso foi possível graças ao emprego da técnica de terraceamento, isto é, a construção de "degraus" (terraços) em áreas de encostas íngremes, que aumenta a área cultivável de arroz e protegem os terrenos da ação erosiva das águas pluviais. Além da rizicultura em terraços, também são cultivadas áreas de planícies inundáveis, por meio do sistema de jardinagem.
Cultivo do arroz na Indonésia
  A agricultura de jardinagem é praticado em pequenas e médias propriedades cultivadas pelo dono da terra e sua família ou em parcelas de grandes propriedades. Nelas é obtida alta produtividade, através da seleção de sementes, da utilização de fertilizantes, da aplicação de avanços biotecnológicos e de técnicas de preservação do solo que permitem a fixação da família na propriedade por tempo indeterminado.
  Em países como Filipinas, Tailândia, Indonésia, entre outros, devido a elevada densidade demográfica, as famílias contam com áreas muitas vezes inferiores a 1 hectare e as condições de vida são bastante precárias. Em países que realizam a reforma agrária, como Japão e Taiwan, e ao redor dos grandes centros urbanos de áreas tropicais, após a comercialização da produção e a realização de investimentos para a nova safra, há um excedente de capital que permite melhorar, a cada ano, as condições de trabalho e a qualidade de vida da família.
Agricultura de jardinagem na Índia
  A agricultura de terraços, de terraceamento ou de curva de nível é uma técnica agrícola e geográfica de conservação do solo, destinada ao controle de erosão hídrica, utilizada em terrenos muito inclinados. Baseia-se no parcelamento de rampas niveladas, requerendo muita mão de obra, elevados conhecimentos técnicos e pouca mecanização por causa da dificuldade na utilização de máquinas em ambientes mais íngremes. Quando bem planejado e bem construído, reduz as perdas de solo e água pela erosão e previne a formação de sulcos e grotas. São comuns esse tipo de cultivo em regiões do sul e sudeste da Ásia, na China e no Japão, sendo utilizado principalmente na produção de arroz.
Agricultura de terraceamento na China
  Essas técnicas são empregadas há mais de 2 mil anos e exigem o trabalho contínuo e conjunto dos camponeses em todas as etapas da produção: no plantio e no replantio de mudas, no controle de pragas e do nível da água armazenada nos terraços e na colheita dos grãos. Em muitas ocasiões, famílias inteiras trabalham em áreas agrícolas comunais, e dividem equitativamente as safras.
Esquema da rizicultura
PASTOREIO NÔMADE NA ÁFRICA
  O pastoreio nômade é uma prática pecuária tradicional que ainda persiste em algumas partes do mundo, especialmente onde a agricultura é impraticável ou antieconômica, como em áreas desérticas ou semidesérticas do planeta.
  Na região do Sahel, área que margeia o sul do deserto do Saara, na África, diversos povos praticam o pastoreio nômade. Na estação úmida, eles conduzem seus rebanhos (ovinos, bovinos, equinos e de camelos) para as áreas de pastagens na estepe, que ficam ao norte. Quando começa o período de estiagem, os pastores migram para o sul, nas áreas de campos de Savanas, onde permanecem até o ciclo de chuvas seguinte.
Pastoreio nômade no Sudão
AGRICULTURA DE POUSIO E A ROTAÇÃO DE CULTURAS
  A agricultura de pousio refere-se ao descanso ou repouso proporcionado às terras cultiváveis, interrompendo-lhe as culturas para tornar o solo mais fértil. Além desta finalidade, pode ser usado como meio de controle de ervas daninhas, consorciada a outras práticas, como a rotação de culturas.
  O pousio aumenta a recuperação da bioestrutura do solo e a profundidade do enraizamento, tendo como consequência o aumento das trocas de substâncias umidificadas e seu reabastecimento, como ocorre bastante em regiões tropicais.
  A prática é comum entre pequenos agricultores que, após o plantio por três anos consecutivos, deixam a área em pousio por 3 a 5 anos o que, a depender do local, não é suficiente para a recuperação da fertilidade; em tais casos, recomenda-se o uso de leguminosas para acelerar a recuperação, pois esta promove a fixação de nitrogênio.
  A rotação de culturas é uma técnica agrícola de conservação que visa diminuir a exaustão do solo. Isto é feito trocando as culturas a cada novo plantio de forma que as necessidades de adubação sejam diferentes a cada ciclo. Consiste em alternar espécies vegetais numa mesma área agrícola. As espécies escolhidas devem ter, ao mesmo tempo, propósitos comercial e de recuperação do solo.
Esquema da rotação de cultura e agricultura de pousio
FONTE: Boligian, Levon. Geografia espaço e vivência, vol. 2 / Levon Boligian, Andressa Turcatel Alves Boligian. -- 2. ed. -- São Paulo: Saraiva, 2013.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

A IGREJA MEDIEVAL

  A Igreja Católica representou um papel fundamental na formação e consolidação do feudalismo. Era a maior e mais poderosa instituição do período. Sua influência alastrou-se aos poucos entre os povos romanos e germânicos, transformando-a no principal elo de toda a população e garantindo certa uniformidade cultural à Europa Ocidental. O triunfo do cristianismo contribuiu para a religiosidade que marcou a Idade Média. Foi nessa época que a Igreja começou a se organizar com o objetivo de zelar pela homogeneidade dos princípios da religião cristã e promover a conversão dos pagãos.
  No século IX, não existia na Europa Ocidental quem não acreditasse em Deus. Controlando a fé, a Igreja normatizava os costumes, a produção cultural, o comportamento e, sobretudo, a ordem social. Aqueles que se desviavam de suas normas eram rigorosamente punidos. Sua influência também se fazia sentir na política, ao sagrar reis e legitimar o poder dos senhores feudais.
A luxuosidade do clero ia de contraste com a pobreza da maioria da população
  Presentes em todos os níveis sociais, os membros da Igreja medieval incitaram valores como a passividade e a subordinação dos homens comuns perante o senhor, tanto o senhor espiritual (clérigo), encarregado de proteger as almas, quanto o senhor feudal da terra (nobre), que protegia os corpos.
  O poder da Igreja, não estava restrito ao plano espiritual, por mais importante que fosse a espiritualidade para as sociedades medievais; era também temporal. Isso porque ela foi, pouco a pouco, se transformando na maior proprietária de terras da Idade Média e construindo fortes vínculos com a estrutura feudal.
  Além dos territórios diretamente controlados pelo papa (o Patrimônio de São Pedro), o alto clero (composto pelos bispos, arcebispos e abades) e várias ordens religiosas possuíam muitos feudos. O celibato clerical, criado nos primeiros séculos do cristianismo e rigorosamente aplicado a partir do século XI, contribuía para a manutenção do patrimônio eclesiástico feudal, ao evitar a divisão entre possíveis herdeiros dos membros do clero.
Durante a Idade Média a Igreja passou a ser a maior proprietária de terras na Europa
  O crescente apego de parte do clero à terra e aos bens materiais acabou gerando reações dentro da própria Igreja. Surgiram ordens religiosas que procuravam afastar seus membros das tentações do mundo por meio do isolamento em mosteiros e abadias e de votos de castidade, pobreza e silêncio. Distinguiu-se, a partir de então, o clero secular (que vivia no saeculum, no "mundo", em contato com a terra, a administração e a exploração das riquezas) do clero regular (que vivia de acordo com a regula, as "regras", como eram chamados os votos que os religiosos faziam).
  A nova organização social que despontava na Europa com a desagregação do Império Romano - o feudalismo - só assumiu sua forma mais acabada por volta dos séculos VIII e IX. Nessa época, outra onda de invasões, desta vez empreendidas pelos povos árabes, húngaros, eslavos e normandos (ou vikings), isolou a Europa Ocidental do Oriente.
Aspecto de uma cidade medieval
  A expansão islâmica, também chamada de conquistas islâmicas ou conquistas árabes, começou logo após a morte de Maomé, e atingiu seu apogeu em meados do século VIII. Ele havia estabelecido uma nova organização política unificada na península Arábica, a qual, sob o subsequente domínio dos califas dos califados Rashidun e Omíada, experimentou uma rápida expansão do poder árabe para muito além da península, sob a forma de um vasto Império Árabe muçulmano, com uma área de influência que se estendia do noroeste da Índia, através da Ásia Central, Oriente Médio, África do Norte, península Itálica meridional e península Ibérica até os Pirineus.
  A derrota das forças muçulmanas na Batalha de Poitier, em 732, proporcionou a reconquista do sul da França pelos Francos, embora o principal fator para a interrupção da expulsão tenha sido a deposição da dinastia Omíada e a sua substituição pela dinastia Abássida. Os Abássidas transferiram a capital para Bagdá e concentraram o seu interesse no Oriente Médio em desfavor da Europa, ao mesmo tempo que perdiam o domínio de uma vasta extensão territorial. Os descendentes dos Omíadas obtiveram o domínio da península Ibérica, os Aglábidas do norte da África e os Tulúnidas passaram a governar o Egito.
Expansão árabe
  Em meados do século VIII, assiste-se ao renascimento e ao aparecimento de novas rotas comerciais no Mediterrâneo, tendo as antigas rotas romanas sido substituídas pelo comércio entre os reinos dos Francos e dos Árabes.
  Com o tempo, num mundo em que uma restrita minoria era alfabetizada, as igrejas, os mosteiros e as abadias converteram-se nos principais centros da cultura letrada. Nesses mosteiros e abadias medievais funcionavam as escolas e as bibliotecas da época. Era lá que se preservavam e restauravam textos antigos da herança greco-romana.
  Apesar de todo o seu poder e influência na sociedade, a estrutura da Igreja medieval encontrou dificuldades em manter a homogeneidade da doutrina cristã. Era comum o surgimento de seitas, facções ou orientações que, embora fundadas em princípios cristãos, se opunha à doutrina oficial da Igreja - eram as chamadas heresias. O difícil relacionamento com a Igreja bizantina também foi fator de ameaça ao poderio da Igreja com sede em Roma, que culminou, em 1054, no Cisma do Oriente.
  A cristandade foi o fator determinante de unidade entre a Europa Oriental e Ocidental antes da conquista árabe; no entanto, a perda do domínio do mediterrâneo viria a estagnar as rotas comerciais marítimas entre as duas regiões. A própria Igreja Bizantina, que viria a tornar-se Igreja Ortodoxa, era distinta em termos de práticas, liturgia e língua da Igreja ocidental, que viria a se tornar Igreja Católica.
Representação da Igreja na Idade Média
  As diferenças teológicas e políticas tornaram-se cada vez mais enrugadas e, em meados do século VIII, a abordagem de matérias como a iconoclastia, o casamento de sacerdotes e a separação de poderes entre a Igreja e o Estado era de tal forma contrastante que as diferenças culturais e religiosas eram eram bem mais superiores do que as semelhanças.
  A estrutura eclesiástica do Império Romano no ocidente sobreviveu relativamente intacta às invasões bárbaras, mas o papado pouca autoridade exercia, sendo raros os bispos ocidentais que procuravam no papa a liderança religiosa ou política. A maior parte dos papas anteriores a 750 debruçava-se sobretudo sobre questões bizantinas  e teológicas orientais. A grande maioria das mais de 850 cartas hoje conservadas do papa Gregório I dizem respeito a assuntos sobre a Itália ou Constantinopla. A única região da Europa que o papado exercia influência era a província romana da Britânia, para onde Gregório enviou, em 597, a missão gregoriana com o intuito de converter os anglo-saxões ao cristianismo. Os missionários irlandeses, que entre os séculos V e VII foram os mais ativos da Europa Ocidental, foram autores de várias campanhas de cristianização, primeiro nas ilhas Britânicas e depois no continente.
Santo Agostinho pregando para o rei saxão Etelberto e sua corte
  Durante a Alta Idade Média, assiste-se à implementação do monarquismo no Ocidente, inspirado sobretudo pela tradição monástica dos Padres do Deserto sírios e egípcios, que pregavam os ideais monásticos (abdicação dos objetivos comuns dos homens em prol da prática religiosa). Os ideais monásticos são rapidamente difundidos do Mediterrâneo para a Europa durante os séculos V e VI através de documentos hagiográficos (tipo de biografia que consiste na descrição da vida de algum santo, beato e servos de Deus proclamados por algumas igrejas cristãs, sobretudo pela Igreja Católica, pela sua vida e pela prática de virtudes heroicas), como A Vida de Antão.
Santo Antão do Deserto
  Os mosteiros exerceram uma influência profunda na vida religiosa e política da Alta Idade Média, tutelando vastas regiões em nome de famílias poderosas, atuando como centros de propaganda e de apoio monárquico em regiões recentemente conquistadas, e organizando missões de evangelização. Eram também o principal, e por vezes único, centro de educação e literária em determinada região, copiando também muitos manuscritos sobreviventes dos clássicos romanos.
Mosteiro beneditino de São Pedro da Roda, em Girona - Espanha
FONTE: Vicentino, Cláudio. História geral e do Brasil / Cláudio Vicentino, Gianpaolo  Dorigo - 2. ed. - São Paulo: Scipione, 2013.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O RELEVO SUBMARINO

  A superfície terrestre apresenta uma grande variedade de formas e irregularidades. Ao analisar o fundo dos oceanos também foi detectada uma diversidade de formas em sua composição.
  Com o desenvolvimento tecnológico alcançado durante a década de 1960, foi possível realizar análises aprofundadas do relevo submarino e estabelecer uma classificação de acordo com as diferentes formas apresentadas.
  As principais formas do relevo submarino são as plataformas e os taludes continentais; as ilhas, as bacias e as cadeias oceânicas; e as fossas marinhas.
Perfil do relevo submarino
  O relevo submarino começou a ser mais bem estudado pelos cientistas apenas na segunda metade do século XIX. Porém, somente a partir da década de 1940, com o desenvolvimento de novas técnicas e equipamentos de exploração, como sonares e radares, foi possível obter informações mais precisas e detalhadas sobre o fundo dos oceanos. Atualmente, as expedições submarinas contam com robôs submersíveis não tripulados, capazes de mergulhar em fossas de até 6.000 metros de profundidade e mapear com grande precisão o relevo oceânico. Essas máquinas fazem todo o trabalho por controle remoto, enviando os dados coletados à estação de comando na superfície terrestre.
  O submersível-robô MIR-1 é conduzido a uma missão exploratória do lago Baikal, em 2010.
Submersível-robô MIR-1
  O relevo submarino divide-se em:
1. Plataforma Continental
  A plataforma pode ser caracterizada por ser o prolongamento submerso dos continentes, com apenas algumas modificações promovidas pela erosão marinha ou por depósitos sedimentares. É uma zona que declina suavemente do continente para o fundo dos oceanos. Em média, as plataformas medem de 70 km de largura e estendem-se até 200 m de profundidade. Nesta parte do relevo submarino são obtidos os recursos minerais e é realizada a maior parte das atividades pesqueiras.
  A área da plataforma é subdividida em plataforma continental proximal, plataforma continental média e plataforma continental distal, cada uma delas com as suas especificidades nos domínios da geomorfologia, da sedimentologia e da biologia marinha.
Desenho esquemático da plataforma continental
2. Talude Continental
  O talude continental é a porção do fundo do oceano com declive muito pronunciado. É uma zona muito inclinada e estreita, que se inicia aos 200 metros de profundidade e termina por volta dos 2.000 metros.
  O embasamento do talude corresponde à crosta continental entremeada por magmatismo básico e estirada pela tectônica extensional que originou o rift e a bacia oceânica. É caracterizada por gradiente topográfico acentuado onde são geradas, com frequência, correntes de turbidez.
  Do ponto de vista biológico, essa formação corresponde à zona batial.
Perfil esquemático do talude continental
3. Bacia Oceânica
  Também chamada de planície abissal, a bacia oceânica é uma região profunda que varia de 2.000 a 5.000 metros. O relevo é suave e coberto por muitos sedimentos. Encontra-se entre as margens continentais e as dorsais oceânicas. Essa região é muitas vezes cortada pelas dorsais oceânicas e podem mostrar ravinas ou montes submarinos.
  Na bacia oceânica ocorre os montes abissais, que são pequenas elevações de até 900 metros acima do fundo oceânico circundante. Estes montes cobrem de 80 a 85% do fundo do oceano Pacífico e são as formas fisiográficas mais abundantes da Terra. Próximo as margens continentais, os sedimentos originados dos continentes cobrem completamente os montes abissais formando planícies abissais.
Perfil esquemático da planície oceânica
4. Fossas Marinhas
  As fossas marinhas são as regiões mais profundas dos oceanos, vales que chegam a atingir profundidades superiores a 8.000 metros. Essas regiões são caracterizadas pela ausência total de luz e por uma pressão insuportável para a maioria dos seres vivos, pois possuem temperaturas muito baixas. Essa zona é habitada principalmente por bactérias heterotróficas ou quimiotróficas e seres necrófagos, que se alimentam de restos de seres vivos e detritos orgânicos. Os habitantes dos fundos marinhos incluem esponjas, anêmonas-do-mar, bem como uma variedade de peixes cegos, alguns com filamentos fluorescentes que podem atrair potenciais presas.
Perfil esquemático da Fossa das Marianas - ponto oceânico mais profundo da Terra
5. Cadeias Oceânicas
  Também chamadas de dorsal oceânica, dorsal submarina, dorsal meso-oceânica ou crista média oceânica, as cadeias oceânicas são grandes cadeias montanhosas localizadas sobre o assoalho oceânico, que se originam a partir do afastamento das placas tectônicas.
  O surgimento das placas e seu consequente afastamento são devido às correntes convectivas de magma divergentes no manto, que dão origem aos riftes. As dorsais submarinas dos oceanos estão conectadas, formando a maior cadeias de montanhas do mundo, com cerca de 65.000 km de extensão. Esta cadeia montanhosa seria vista do espaço, não fossem os oceanos.
Localização da dorsal meso-oceânica do Atlântico
6. Ilhas
  As ilhas oceânicas são porções da crosta que emergem do relevo dos oceanos. As ilhas oceânicas possuem ecossistemas únicos e, geralmente, uma elevada biodiversidade com impacto nos processos ecológicos e nos serviços dos ecossistemas.
  As ilhas oceânicas ficam no cume dos vulcões subterrâneos. Formam-se quando um vulcão entra em erupção e empurra o seu fundo para cima, criando uma montanha. A ilha é o cume dessa montanha.
  Fazem parte do Brasil ilhas oceânicas distantes do litoral como as que formam os arquipélago de Fernando de Noronha, dos Abrolhos e de São Pedro e São Paulo. As ilhas do arquipélago do Havaí, no oceano Pacífico também são oceânicas.
Ilha de Fernando de Noronha
  Os atóis são outro tipo de ilha nos oceanos. Um atol é um cinturão de terra em torno de uma superfície de água pouco profunda chamada laguna. Os atóis se formam quando os corais constroem uma colônia, ou recife, em redor do ponto mais alto de uma ilha vulcânica. Os recifes podem atingir a superfície da água e transformar-se em terra. A ilha vulcânica pode afundar com o peso do anel de coral em redor, deixando apenas a laguna na superfície. As Ilhas Marshall, na Oceania, são um país formado por atóis. No Brasil, destaca-se o Atol das Rocas.
Ilhas Marshall
FONTE: Geografia espaço e vivência: introdução à ciência geográfica, 6º ano / Levon Boligian ... [et al.]. - 4. ed. - São Paulo: Saraiva, 2012.

domingo, 14 de setembro de 2014

OS SOLOS DA AMAZÔNIA

  Solo é um corpo de material inconsolidado que cobre a superfície emersa da Terra, entre a litosfera e a atmosfera. Os solos são constituídos de três fases: sólida (minerais e matéria orgânica), líquida (solução do solo) e gasosa (ar). É produto do intemperismo sobre um material de origem, cuja transformação se desenvolve em um determinado relevo, clima, bioma e ao longo de um tempo.
  O solo pode ser visto sob diferentes óticas. Para um engenheiro agrônomo o solo é a camada na qual pode-se desenvolver vida (vegetal e animal). Para um engenheiro civil, sob o ponto de vista da mecânica dos solos, solo é um corpo possível de ser escavado, sendo utilizado como suporte para construções ou material de construção. Para um biólogo, através da ecologia e da pedologia, o solo infere sobre a ciclagem biogeoquímica dos nutrientes minerais e determina os diferentes ecossistemas e habitats dos seres vivos. Os solos possuem várias camadas no seu perfil.
Camadas do solo
  A Amazônia é uma enorme floresta localizada na América do Sul, ocupando uma área de mais de 7 milhões de km². A região que abriga a Amazônia é caracterizada pela temperatura elevada, grande umidade atmosférica e enorme quantidade de rios. Esses fatos garantem a Floresta Amazônica ser a maior floresta equatorial do mundo.
  Apesar da exuberância apresentada pela floresta, os solos nos quais está fixada não possuem grande riqueza em nutrientes.  A Amazônia caracteriza-se por ser um ambiente extremamente complexo, em que tanto as altitudes do relevo como as águas dos rios influem diretamente na fertilidade dos solos da região.
Floresta Amazônica
  Os solos mais férteis da Amazônia são encontrados principalmente ao longo das várzeas, ou seja, das planícies situadas às margens dos principais rios. Essas áreas são constantemente inundadas, na época das cheias, pelas águas ricas em nutrientes que descem das encostas da cordilheira dos Andes. Além das várzeas, algumas áreas dos estados de Rondônia e do Acre se destacam pela boa fertilidade de terras.
  Entretanto, os demais solos amazônicos são, na maior parte, pobres em nutrientes, apresentando apenas uma fina camada superficial de matéria orgânica (húmus). O húmus é produzido pela própria floresta, e promove uma espécie de reciclagem ao se decompor, o que leva à autos-sustentação desse ambiente. As folhas caídas das árvores, os galhos e os excrementos dos animais acumulam-se no chão da floresta, formando uma espessa camada denominada serrapilheira.
Esquema do processo da serrapilheira
  Devido às precipitações e as temperaturas elevadas, o solo sofre alterações em seu material de origem (minerais) e lixiviação em suas bases, tornando-se profundos e bem drenados, apresentando coloração vermelha ou amarela, pouco férteis e ácidos. Caracteriza-se, então, como:
  • Oxissolo (latossolo) - excelente textura granular, baixíssima fertilidade natural, propriedade uniforme em sua profundidade, ocupando 45% da área amazônica.
  • Ultissolo (podzólico vermelho-amarelo) - horizonte de acumulação de argila, propriedade física menos favorável para a agronomia e baixa fertilidade natural. Ocupa 30% da Amazônia.
Serrapilheira
  Aproximadamente 6% da área são ocupados por solos férteis bem drenados; 2% por solos de espessos horizontes de areais quartzosas e solos aluviais, alguns bastante férteis.
FONTE: Geografia espaço e vivência: a organização do espaço brasileiro. 7° ano / Levon Boligian ... [et al.]. -- 4. ed. -- São Paulo: Saraiva, 2012.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

O CULTIVO DE COCA NA AMÉRICA LATINA

  A coca é uma planta nativa de países localizados na região dos Andes, por isso o cultivo deste arbusto é um costume antigo entre os índios da região. Ela é uma das quatro plantas cultivadas na família Erythroxylaceae. A planta é uma importante fonte de renda na Argentina, Bolívia, Colômbia e Peru. Também desempenha um importante papel em áreas fora da América do Sul, como na Sierra Nevada de Santa Marta (um prolongamento da Cordilheira dos Andes na América Central).
  A coca é conhecida em todo o mundo pela sua alcaloide psicoativo - cocaína. O teor de alcaloides da folha da coca é baixa, entre 0,25% e 0,77%. Isso significa que mascar as folhas ou beber chá de coca não produz a sensação que a cocaína produz (euforia, megalomania, depressão). O extrato de folha de coca tinha sido utilizado pela Coca-Cola nos seus produtos a partir de 1885.
Cultivo de coca na Bolívia
  O cultivo da coca passou a ser de interesse comercial para determinados grupos que utilizam suas folhas para a produção da pasta base de cocaína, uma droga de consumo proibido na maioria dos países do mundo, mas que gera volumosa renda no comércio ilegal de drogas, chamado de narcotráfico.
  Atualmente, em alguns países da América Latina, principalmente Colômbia, Bolívia e Peru, é possível encontrar lavouras de coca em várias propriedades agrícolas. Nesses países, milhares de camponeses deixaram de cultivar os produtos tradicionalmente comerciais, como frutas, cereais e cana-de-açúcar, e passaram a sobreviver do cultivo da coca, já que seu comércio é mais rentável.
  A extração de cocaína da coca requer vários solventes e de um processo químico conhecido como um ácido - extração de base, que pode facilmente extrair os alcaloides a partir da planta.
Secagem da folha de coca no Peru
  A planta da coca se assemelha a um arbusto Blackthorn - tipo de ameixa nativa da Europa -, e cresce a uma altura de 2 a 3 metros. Os ramos são retos e as folhas são finas, opacas, oval e com cone nas extremidades. A característica marcante da folha é uma porção aréola delimitada por duas linhas de curvas longitudinais, uma linha de cada lado da nervura central, sendo mais visível na face inferior da folha.
  Há duas espécies de coca cultivada, cada uma com duas variedades:
Erythroxylum coca
  • Erythroxylum coca var coca (Coca Boliviana) - bem adaptado no leste dos Andes, principalmente no Peru e na Bolívia, em área úmida, tropical e de floresta montanhosa.
  • Erythroxylum coca var ipadu (Coca Amazônica) - cultivada na planície da bacia amazônica, principalmente no Peru e na Colômbia.
 Erythoroxylum novogranatense
  •  Erythroxylum novogranatense var novogranatense (Coca Colômbia) - variedade de montanhas que é utilizado em áreas de várzea. É cultivada em regiões mais secas da Colômbia, sendo também bastante adaptável a diferentes condições ecológicas. As folhas têm linhas paralelas de cada lado da nervura central.
  • Erythroxylum novogranatense var truxillense (Coca de Trujillo) - cultivada principalmente no Peru e na Colômbia, suas folhas não possuem linhas paralelas de cada lado da nervura central, como ocorre com as outras variedades.
Espécie Erythoroxylum novogranatense
  Todos os quatro tipos de coca cultivadas foram domesticados em tempos pré-colombianos e são bastante estreitamente relacionados entre si.
  O extrato de coca possui compostos orgânicos e inorgânicos, como a maioria das plantas. Há proteínas, vitaminas, carboidratos, gorduras, fibras, cálcio, fósforo e ferro, entre outros elementos. As propriedades analgésicas da coca foram descobertas pelos incas e até hoje as suas folhas são habitualmente mascadas na região dos Andes. O efeito do alcaloide (cocaína) pode moderar a fome e a fadiga.
  Alguns refrigerantes, como Coca-Cola, utilizam extrato de espécies do mesmo gênero Erythoroxylum, com menores teores de cocaína, e outros imitavam a sua composição. Porém, tais refrigerantes passaram a ser produzidos de noz-de-cola e não possuem mais folha de coca em sua formulação.
  A confusão sobre o conteúdo do refrigerante Coca-Cola e até mesmo sobre sua formulação, deve-se ao fato de ter sido este o refrigerante precursor do uso da cocaína como medicamento antiemético - medicamentos que possuem como principal característica o alívio de sintomas relacionados com o enjoo, as náuseas, as diarreias e os vômitos. No início a Coca-Cola era "remédio", continha traços da droga e seu uso era indicado sempre após as refeições.
Soldados bolivianos buscando plantações de coca
O NARCOTRÁFICO
  Devido à grande importância das lavouras de coca para a produção de cocaína e, sobretudo, para seu comércio internacional, atualmente vários grupos guerrilheiros e narcotraficantes estimulam o cultivo desta planta entre camponeses, também denominados cocaleros.
  Na Colômbia, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), obrigam os agricultores a cultivarem a coca. Criada em 1964, as Farc inicialmente tinham o objetivo de reivindicar a distribuição igualitária de terras na Colômbia. No entanto, atualmente esse grupo guerrilheiro vem desenvolvendo ações que utilizam da violência, como assassinatos e sequestros, para contrapor o governo nacional. Essas ações, na maioria das vezes, são financiadas pelo dinheiro do narcotráfico.
  A droga processada e refinada na Colômbia tem como maior consumidor os Estados Unidos. Na tentativa de combater a entrada ilegal da droga em seu território, os Estados Unidos passaram a apoiar o governo colombiano no combate à produção de cocaína.
Mapa das áreas de cultivo de coca na América Latina
FONTE: Garcia, Valquíria Pires. Projeto radix: geografia / Valquíria Pires Garcia, Beluce Bellucci. -- 2. ed. -- São Paulo: Scipione, 2012. -- (Coleção projeto radix)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

A REPÚBLICA DO KOSOVO

  A República do Kosovo é um território disputado na península balcânica onde, na Antiguidade, correspondia à região da Dardânia. O território fez parte dos impérios Romano, Bizantino, Búlgaro, Sérvio e Otomano e, no século XX, passou a fazer parte do Reino da Sérvia, do Império Italiano e da Iugoslávia.
HISTÓRIA
  A região atualmente conhecida como "Kosovo" tornou-se uma região administrativa em 1946, como Província Autônoma de Kosovo e Metohija, tendo sido reduzida em 1974 para "Kosovo" com o nome de Província Socialista Autônoma do Kosovo, voltando a ser Província Autônoma de Kosovo e Metohija em 1990.
Província Autônoma de Kosovo e Metohija
  Kosovo foi parte do Império Otomano entre 1389 e 1912. A região esteve sob dependência de Skopje (capital da Macedônia), tendo constituído uma província separada apenas em 1877.
  Em 1912, apesar de ser uma zona de maioria albanesa, foi integrada à Sérvia e não ao Principado da Albânia, criado naquele ano. Ocorreram rebeliões albanesas entre 1878 e 1881 e entre 1918 e 1924. Entre 1941 e 1944 foi anexada à Albânia, sob ocupação italiana. Após a reintegração à Iugoslávia tornou-se região autônoma integrada à República da Sérvia.
  Em 1991, Kosovo declarou sua independência, que não foi reconhecida pela comunidade internacional. A tensão entre separatistas de origem albanesa  e o governo central da Iugoslávia, liderado pelo presidente nacionalista Slobodan Milosevic aumentou ao longo de 1998. No ano seguinte, um grupo de líderes iugoslavos e da comunidade albanesa em Kosovo junto com representantes das principais potências mundiais se reuniram para negociar um acordo de paz que colocasse fim aos conflitos entre os guerrilheiros do Exército de Libertação do Kosovo (ELK) e as forças iugoslavas de Slobodan Milosevic, mas a reunião, que estava marcada para acontecer em fevereiro de 1999, na região do castelo de Rambouillet, na França, fracassou. A Otan atacou a Iugoslávia em 24 de março de 1999, dando início à Guerra do Kosovo.
Slobodan Milosevic (1941-2006)
Guerra do Kosovo
  A Guerra do Kosovo foi o último conflito da antiga Iugoslávia. O Kosovo era uma província autônoma na federação da Iugoslávia, mas integrada à república da Sérvia, e perdeu sua autonomia em 1989. A maioria de sua população é de origem albanesa (92%) e professa a religião muçulmana. Nessa província, a ex-Iugoslávia tentou promover mais uma vez uma "limpeza étnica", como já tinha tentado em outras de suas ex-repúblicas.
  O Kosovo tem uma área de 10.887 km² e localiza-se no sul da Sérvia, fazendo fronteira com a Macedônia (a sudeste) e com a Albânia e Montenegro (a oeste). Cerca de 2 milhões de pessoas viviam no Kosovo em 1997, mas o conflito de 1998-1999 provocaram milhares de mortes e cerca de 1 milhão de refugiados.
Localização do Kosovo
  Em 1996, formou-se um grupo guerrilheiro, o Exército de Libertação do Kosovo (ELK), oriundo da etnia albanesa, para lutar pela independência da província. Em 1998, as atrocidades sérvias, que já ocorriam havia anos, aumentaram: o governo iugoslavo deixou de agir de forma "sutil" ou disfarçada e passou a massacrar abertamente a etnia albanesa, expulsando as famílias de suas casas e da própria região, fuzilando pessoas simplesmente porque eram jovens e poderiam tornar-se guerrilheiros ou dar à luz mais albaneses.
  Nesse momento o apoio popular ao ELK era cada vez maior no Kosovo. Além disso, os conflitos na região estavam chamando a atenção do mundo. Graças à mídia internacional (redes de televisão, jornais, revistas, etc.), uma opinião favorável à independência do Kosovo começava a crescer em vários países, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Para tentar que isso acontecesse, e também para diminuir drasticamente a presença da etnia albanesa na região, o então governo iugoslavo iniciou um verdadeiro genocídio (matança em massa) contra os kosovares.
Guerrilheiros do ELK
  Contudo, de abril a junho de 1999, as forças armadas da Otan, lideradas pelos Estados Unidos, promoveram milhares de operações aéreas de bombardeios na ex-Iugoslávia e nas áreas do Kosovo dominadas pelas tropas sérvias. Houve uma enorme destruição na Sérvia e no Kosovo: estradas, aeroportos, pontes, usinas, edifícios do governo foram bombardeados. Finalmente, em junho de 1999, líderes ocidentais e o governo iugoslavo assinaram um tratado de paz, onde a Iugoslávia concordaria em retirar suas tropas do Kosovo e permitiria o controle desse território por tropas da ONU (milhares de soldados norte-americanos, britânicos, alemães, franceses e russos). Após o acordo de paz, mais de 800 mil refugiados albaneses retornaram ao território na tentativa de reconstruir sua vida. No sentido oposto, cerca de 200 mil sérvios abandonaram a província desde então, temendo o aumento da violência étnica dos albaneses.
Cidade de Mitrovica destruída após os bombardeios na Guerra do Kosovo
  Em março de 2004, estourou o pior conflito entre albaneses e sérvios em Kosovo desde 1999, na cidade de Mitrovica. O estopim foi a morte por afogamento de duas crianças albanesas, pela qual membros da minoria sérvia foram responsabilizados. Mais de 30 pessoas foram assassinadas, e a Otan anunciou reforço nas tropas de ocupação.
  Os kosovares ou albaneses não se entendem com a minoria sérvia, principalmente porque os sérvios foram cúmplices no massacre que a Iugoslávia promoveu contra eles. Os massacres e os bombardeios arrasaram o território e a economia, que necessitam de muitos recursos, e provavelmente muito tempo, para voltar a uma situação estável e sem miséria.
  Em fevereiro de 2008, o Kosovo declarou-se independente da Sérvia. Sua independência foi logo reconhecida por vários países, como Estados Unidos, Alemanha e França, mas outros, como Rússia e Espanha, ainda não reconheceram.
Kosovares comemoram a independência do Kosovo, em 2008
  A Rússia está em negociação com a ONU, pedindo para que ela não reconheça a atual independência, por temer que isso vire um novo estopim de movimentos separatistas e reivindicações unilaterais de regiões que se auto-declararam independentes. A Sérvia, junto a seus aliados econômicos e étnicos, temem pelas minorias não albanesas na região do Kosovo (principalmente ao norte), por tratados de livre-circulação antes estabelecido pelos Estados dos Balcãs e pela região ser considerada um coração cultural e religioso.
  A Sérvia não só não aceita a independência de sua província como também procura impedir o reconhecimento internacional do Kosovo. Isso, no entanto, pode ser uma questão de tempo. A Sérvia pretende ingressar na União Europeia, mas só conseguirá realizar essa pretensão após reconhecer a independência do Kosovo.
Reação internacional: uma outra interpretação
  Kosovo
  Estados que reconhecem Kosovo formalmente como independente
  Estados que têm a intenção de reconhecer Kosovo como independente
  Estados que demoraram ou expressam neutralidade no reconhecimento da independência de Kosovo
  Estados que expressam preocupação sobre os movimentos unilaterais ou desejam negociações adicionais
  Estados que recusaram reconhecer Kosovo como independente
  Estados sem posição informada a partir de 19 fevereiro
GEOGRAFIA
  O clima do Kosovo é continental, com verões quentes e invernos frios e com neve. A maior parte do território kosovar é montanhoso, sendo o Deravica o ponto culminante, com 2.656 metros. O país tem duas regiões principais planas, a bacia do Metohija, localizada na parte ocidental do Kosovo, e a planície do Kosovo, que ocupa a parte oriental. Os principais rios são o Drin Branco, que desagua no mar Adriático, o Erenik, um de seus afluentes, o Sitnica, o Morava do Sul, na região de Goljak, o Lepenac, no sul, e o Ibar, no norte. Os maiores lagos são o Gazivoda, o Radonjic, o Batlava e o Badovac.
  Cerca de 39,1% do território do Kosovo é coberto por florestas e 52% é classificado como terra utilizada para a agricultura, das quais 31% são usados como pasto e 69% como terras aráveis.
Deravica - ponto culminante do Kosovo
DEMOGRAFIA
  Etnicamente, a população do Kosovo é composta por 92% de albaneses, 3% de sérvios, 2% de bósnios e goranis, 1% de turcos, 1% de ciganos e 1% de outros povos. Os albaneses, com sua população aumentando constantemente, formam uma maioria no Kosovo desde o século XIX; a composição étnica anterior a esse período é controversa. As fronteiras políticas do Kosovo, não coincidem com suas fronteiras étnicas; os sérvios formam uma maioria local no Norte e em diversos enclaves, enquanto existem áreas de maioria albanesa fora do Kosovo, em regiões da antiga Iugoslávia - mais especificamente no noroeste da República da Macedônia e na região de Presevo, na Sérvia Central.
Mapa étnico do Kosovo
  Os albaneses do Kosovo tem a maior taxa de crescimento populacional da Europa, 1,3% ao ano. Entre 1921 e 2003, a população do Kosovo cresceu cerca de 460% de seu tamanho original. Desde a declaração de independência do Kosovo, os sérvios vêm abandonando continuamente a região, causando certa ansiedade entre os líderes kosovares e controvérsias entre os políticos sérvios.
ECONOMIA
  A economia do Kosovo é uma das menos desenvolvidas da Europa, com uma renda per capita de cerca de 2.800 euros por ano (US$ 3,454). O grande destaque da economia do Kosovo é o setor mineral, destacando-se a produção de zinco, chumbo, níquel, cromo, ouro e, principalmente, carvão mineral, tendo a terceira maior reserva desse mineral no continente.
Boulevard Bill Clinton, em Pristina
  Kosovo tinha a maior companhia de exportação da República Federal da Iugoslávia, a Trepca, mas era também a mais pobre das províncias do país, recebendo subsídios para seu desenvolvimento de todas as outras repúblicas iugoslavas. Além disso, ao longo da década de 1990 um misto de políticas econômicas equivocadas, sanções internacionais, pouco comércio com o exterior e conflitos étnicos acabaram por danificar seriamente a economia.
  A inflação no país é baixa. O dinheiro enviado por kosovares que vivem no exterior representa cerca de 13% do PIB, e a assistência externa é de cerca de 34%.
  A maior parte do desenvolvimento econômico desde 1999 ocorreu nos setores da construção civil, comércio e varejo. O setor privado, que surgiu após os conflitos, é, em sua maior parte, de pequeno porte. O setor industrial ainda é incipiente e o fornecimento de eletricidade é bastante fraco, o que dificulta o seu desenvolvimento econômico. O desemprego afeta entre 40% e 50% da força de trabalho no país.
  Recentemente, o turismo vem despontando como uma das principais fontes de renda, graças as belezas naturais que o país dispõe, principalmente para a prática de esportes radicais.
Estação de esqui nas Montanhas Sar
ALGUNS DADOS SOBRE KOSOVO
NOME: República do Kosovo
CAPITAL: Pristina

Centro de Pristina
GENTÍLICO: kosovar
LÍNGUA OFICIAL: albanês, sérvio e turco
GOVERNO: República Parlamentarista
INDEPENDÊNCIA: da Sérvia (declarada em 17 de fevereiro de 2008
LOCALIZAÇÃO: Europa Centro-Meridional (Península Balcânica)
ÁREA: 10.887 km² (161º)
POPULAÇÃO (ONU - Estimativa 2013):
1.847.708 habitantes (143°)
DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 169,71 hab./km² (47°)
MAIORES CIDADES (Estimativa 2013):

Pristina: 217.632 habitantes
Visão noturna de Pristina - capital e maior cidade de Kosovo
Prizren: 183.521 habitantes
Urosevac: 81.2365 habitantes
Urosevac - terceira maior cidade de Kosovo
PIB (Banco Mundial - 2013): U$ 5.627 bilhões (142°)
IDH (ONU - 2013): 0,714 (97°)
EXPECTATIVA DE VIDA (ONU - 2012): 70,5 anos (115°)
CRESCIMENTO VEGETATIVO (ONU - 2005/2010): 1,19% ao ano (113°)
TAXA DE FECUNDIDADE (CIA World Factbook - 2013): 1,50 (190°)
MORTALIDADE INFANTIL (CIA World Factbook - 2012): 18,27/mil (89°). Obs: essa mortalidade é contada de menor para o maior.
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO (CIA World Factbook - 2011): 91,9% (108°) Obs: essa taxa se refere a todas as pessoas com 15 anos ou mais que sabem ler e escrever.
TAXA DE URBANIZAÇÃO (Pnud - 2009/2010): 35,8% (147°)
PIB PER CAPITA (CIA World Factbook - 2013): U$ 3,454 (115°)
MOEDA: Euro
RELIGIÃO: islamismo (92%), cristãos ortodoxos (6%), outras religiões (2%).
DIVISÃO: para fins administrativos, Kosovo está dividido em sete distritos. A população do Norte de Kosovo mantém seu próprio governo, infraestrutura e instituições no distrito de Kosovska Mitrovica, especialmente nos municípios de Leposavic, Zvecan e Zubin Potok e na parte norte de Kosovska Mitrovica. Os sete distritos são: Dakovica, Gnjilane, Kosovska Mitrovica, Pec, Pristina, Prizren e Urosevac.
Distritos de Kosovo
  Os distritos de Kosovo são subdivididos em municípios. Os municípios são (os números correspondem aos municípios no mapa): 1. Decani 2. Dragash 3. Dakovica 4. Glogovac 5. Gnjilane 6. Istok 7. Kacanik 8. Kosovska Kamenica 9. Klina 10. Kosovo Polje 11. Leposavic 12. Lipjan 13. Malisevo 14. Kosovska Mitrovica 15. Novo Brdo 16. Obilic 17. Rahovec 18. Pec 19. Podujevo 20. Pristina 21. Prizren 22. Skenderaj 23. Shterpce 24. Shtime 25. Suhareke 26. Urosevac 27. Vitina 28. Vushtrri 29. Zubin Potok 30. Zvecan.
Divisão de Kosovo