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sábado, 28 de março de 2015

ARMÊNIA: O PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO A ADOTAR O CRISTIANISMO

  A Armênia é uma nação localizada no extremo leste da Europa, próximo à fronteira com o continente asiático. Faz limites com a Turquia a oeste, Geórgia a norte, Azerbaijão a leste, e Irã ao sul, no enclave de Nakhchivan (pertencente ao Azerbaijão). O país é a menor das ex-repúblicas da antiga União Soviética.
GEOGRAFIA
  A Armênia é um pequeno país situado na região do Cáucaso. Essa cadeia montanhosa cobre a maior parte do seu território, o que dá ao país uma paisagem acidentada. No centro do território fica o lago Sevan, um dos lagos de maior altitude do planeta, situado a cerca de 2 mil metros acima do nível do mar.
Lago Sevan - Armênia
  O clima da Armênia é predominantemente continental de altitude, com verões secos e ensolarados e temperatura variando entre 22ºC e 36ºC. A elevada temperatura é motivada pela baixa umidade do ar que impera no país. À tarde é comum aparecer brisas, provenientes das montanhas, que ajudam a amenizar a temperatura. A primavera é curta e o outono é longo. Os invernos são frios com bastante neve e temperatura variando entre -10ºC e 5ºC.
  A Armênia possui um terreno bastante montanhoso e planáltico, sendo que o ponto mais elevado do país é o Monte Ararat, com 4.905 metros, que se localiza na divisa com a Turquia.
  Na Armênia estão as nascentes de alguns rios importantes da Ásia, como o Tigres e o Eufrates e seus afluentes, que se desembocam no Golfo Pérsico, e os rios Kura e Arax, que desaguam no Mar Cáspio. O maior rio da Armênia é o Arax, sendo seus afluentes os rios Akhurian, Hrazdan, Kassakh, Azat, entre outros.
Monte Ararat - Armênia
HISTÓRIA
  A História da Armênia inclui uma sucessão de fatos que vão desde o seu povoamento até a composição política atual. A Armênia foi um império regional com uma cultura rica nos anos que antecederam o século I d.C.. É povoada desde os tempos pré-históricos e era o suposto local do Jardim do Éden bíblico. Segundo a tradição judaico-cristã, foi no planalto do Ararat que a Arca de Noé encalhou após o Dilúvio.
  De 6000 a.C. a 1000 a.C., ferramentas como lanças, machados e pequenos artefatos de cobre, bronze e ferro eram comumente produzidos na Armênia e trocados nas terras vizinhas, onde esses metais eram menos abundantes.
  Na Idade do Bronze, muitos Estados floresceram na área da Grande Armênia (ou Armênia histórica), como o Império Hitita (o mais poderoso), o Mitanni, o Hayasa-Azzi, o Nairi e o reino de Urartu, que estabeleceram suas soberanias no planalto Armênio, e contribuíram para formar o povo armênio.
Parque aquático em Erevan
  Em 189 a.C., depois da derrota do rei selêucida Antíoco III pelos romanos na Batalha de Magnésia, dois dos seus generais, Artaxias I e Zariadris, fundaram dois reinos com o consentimento de Roma: a Grande Armênia (ou Armênia Superior) e a Pequena Armênia (ou Armênia Inferior, ou Sofena). Em 165 a.C., Artaxias tentou unir, sem sucesso, os dois reinos, tarefa essa que foi realizada pelo seu sucessor, Tigranes II.
   A Armênia foi o primeiro país do mundo a adotar o cristianismo como religião oficial, no ano 301 d.C., doze anos antes de Roma. Atualmente, mais de 93% de sua população pratica o cristianismo ortodoxo.
  Após o período madeísta (428-636), a Armênia emergiu como Emirado da Armênia, com uma relativa autonomia junto ao Império Árabe, reunindo terras armênias que estavam sob o domínio do Império Bizantino. A principal terra era regulada pelo príncipe da Armênia, reconhecido pelo califa e pelo imperador bizantino. Era parte da divisão administrativa Arminiyya, criada pelos árabes, que incluía partes do que hoje é a Geórgia e da Albânia Caucasiana, e sua capital era a cidade armênia de Dvin. Esse emirado terminou em 884, quando os armênios conseguiram a independência do já enfraquecido Império Árabe.
Reino da Armênia
  O Reino da Armênia reemergiu sob a dinastia Bagrátida da Armênia, que durou até 1045. Neste tempo, diversas áreas da Armênia Bagrátida foram separadas como reinos e principados independentes. Nesse mesmo ano, o Império Bizantino conquistou a Armênia Bagrátida e os demais Estados armênios caíram sob o domínio dos bizantinos. Em 1071, os turcos seljúcidas derrotaram os bizantinos e conquistaram a Armênia na batalha de Manziquerta, estabelecendo o Império Seljúcida.
  Nos anos 1100, os príncipes da família nobre armênia dos Zacáridas estabeleceram uma semi-independência dos principados armênios do norte e da Armênia oriental, passando a chamar-se Armênia Zacárida.
Mosteiro de Khor Virap - Armênia
  Durante a década de 1230, o Ilcanato mongol (um dos quatro Estados sucessores do Império Mongol) conquistou o principado dos Zacáridas, assim como o resto da Armênia. Os invasores mongóis vieram seguidos de outras tribos da Ásia Central. Após incessantes invasões - cada uma trazendo muita destruição - o domínio de diversas dinastias, e depois de uma sucessão de ocupações (parta, romana, árabe, mongol e persa), a Armênia enfraqueceu substancialmente. Em 1454, o Império Otomano e a Pérsia Safávida (dinastia xiita iraniana) dividiram a Armênia entre si.
  A Armênia tornou-se parte integrante do Império Otomano com o reinado de Selim II (1524 a 1574). A anexação tinha sido iniciada no século anterior, quando Mehmed II ofereceu apoio otomano para iniciar o Patriarcado Armênio de Constantinopla. Esta situação perdurou por 300 anos até a guerra Russo-Turca de 1828-1829, quando a parte oriental do território foi cedida ao Império Russo. A parte restante, conhecida como Armênia Ocidental ou Armênia Otomana, continuou sob o domínio otomano até o final da Primeira Guerra Mundial.
Paisagem da Armênia
  Quando estavam sob o domínio otomano, os armênios tinham uma relativa autonomia dos seus enclaves e com os demais grupos constituintes do império. Porém, os cristãos viviam em um sistema social muçulmano estrito. Os armênios enfrentaram uma discriminação que se intensificou no século XIX. Quando reivindicaram maiores direitos, o sultão Abdul Hamid II, organizou massacres e promoveu a deportação de armênios entre 1894 e 1896, num episódio que ficou conhecido como os "massacres hamidianos".
  Quando o Império Otomano entrou em colapso, os Jovens Turcos (coalizão de diversos grupos que tinham em comum o desejo de reformar o governo e a administração do Império Otomano) assumiram o poder em 1908. Os armênios, que viviam em toda a parte do até então Império Otomano, depositaram as esperanças no Comitê para a União e o Progresso, criado pelos Jovens Turcos.
Kapan - Armênia
  Com o advento da Primeira Guerra Mundial, o Império Otomano e o Império Russo ocuparam o Cáucaso durante a "Campanha Persa". O novo governo turco começou a suspeitar dos armênios, sobretudo por causa do grande número de voluntários armênios no exército do Império Russo. Em 24 de abril de 1915, os otomanos prenderam e exterminaram cerca de 600 intelectuais armênios, e as autoridades otomanas começaram a deportar e perseguir os habitantes armênios que viviam na península da Anatólia. Nesse período começou uma onda de massacres que ficou conhecido como "genocídio armênio", onde mais de 1,5 milhão de armênios foram mortos ou levados para os campos de concentração, numa verdadeira onda de limpeza étnica. Com esse genocídio, a Armênia Ocidental foi devastada e despovoada, e o povo armênio perdeu inúmeras riquezas e tesouros culturais de valor incalculável.
Corpos de armênios assassinados pelos turcos em 1915
  Com o fim da Primeira Guerra Mundial, a desintegração do Império Otomano e o colapso do Império Russo, foi criada a República Democrática da Armênia, em 1918. Em 1920, a Armênia e as forças nacionalistas turcas se enfrentaram na Guerra Turco-Armênia, um violento conflito que culminou com o Tratado de Alexandropol, no qual os armênios entregaram a maior parte das armas e suas terras para os turcos. Ao mesmo tempo, a Armênia foi invadida pelo Exército Vermelho soviético.
  Em 1922, a Armênia tornou-se uma das repúblicas que formavam a União Soviética, como parte da República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana, que englobava também a Geórgia e o Azerbaijão. Essa república existiu até 1936, quando foi dividida em três repúblicas distintas: República Socialista Soviética da Armênia, República Socialista Soviética do Azerbaijão - que incluía a região autônoma de Nagorno-Karaback -, e a República Socialista Soviética da Geórgia.
República Socialista Federativa Soviética Transcaucasiana
  A década de 1980 foi marcada pela tensão desenvolvida entre a Armênia e o Azerbaijão sobre o território de Nagorno-Karabakh.
  Em 1991, com a desintegração da União Soviética, a Armênia restabeleceu sua independência, sendo a primeira república não-báltica a se desassociar da antiga URSS. Os primeiros anos pós-soviéticos foram assolados por dificuldades econômicas, bem como pelo começo repentino em grande escala do confronto armado entre a Armênia e o Azerbaijão pela região de Nagorno-Karabakh. Essa guerra terminou após um cessar-fogo intermediado pela Rússia estabelecido em 1994. Nesse acordo, 14% das terras de Nagorno-Karabakh que pertenciam ao Azerbaijão passaram para o território da Armênia.
Região de Nagorno-Karabakh
ECONOMIA
  A economia da Armênia depende, em grande parte, de pesados auxílios estrangeiros, além da agropecuária, do setor mineral e das indústrias de alimentos e bebidas. Antes da sua independência, a economia era bastante dependente das indústrias de base, como químicas, eletrônicas, maquinarias, alimentos, borracha sintética e têxtil, porém a falta de investimentos nessas indústrias contribuíram para que muitas delas ficassem sucateadas, obrigando-as a fecharem suas portas.
  Na década de 1990, o país passou por uma grande crise econômica, principalmente devido ao conflito com seu vizinho Azerbaijão, pelo controle do território de Nagorno-Karabakh, situado no Azerbaijão, mas com população de maioria armênia.
  Depois de 2002, o país passou por um grande crescimento econômico, em grande parte baseado no setor de construção civil e no setor de serviços. Como sua economia estava muito dependente do exterior, a crise de 2008 atingiu o país de maneira intensa. Em 2009, o PIB armênio teve uma redução de mais de 14%.
Catedral de Etchmiadzin, em Vagharshapat - Armênia
  Os principais recursos minerais do país são cobre, zinco, ouro, chumbo, molibdênio, prata e ferro. A maior parte da energia é produzida com combustível importada da Rússia, principalmente o gás natural e combustível nuclear. Pequenas quantidades de carvão mineral e petróleo produzidas na Armênia são suficientes para abastecer o país.
  Na agricultura, os principais produtos cultivados no país são: batata, legumes e verduras, trigo, cevada, uva e maçã. Na pecuária, destacam-se as criações de bovinos, suínos, ovinos e aves.
Criação de cabras e ovelhas na Armênia
ALGUNS DADOS SOBRE A ARMÊNIA
NOME OFICIAL: República da Armênia
CAPITAL: Yerevan
Visão noturna de Yerevan
GENTÍLICO: armênio
LÍNGUA OFICIAL: armênio
GOVERNO: República Semipresidencialista
FORMAÇÃO E INDEPENDÊNCIA:
Data Tradicional: 11 de agosto de 2492 a.C.
Nairi: 1200 a.C.
Urartu: 840 a.C.
Dinastia Orôntida: 560 a.C.
Reino da Armênia: 190 a.C.República Democrata da Armênia: estabelecida em 28 de maio de 1918
Independência da União Soviética: 23 de agosto de 1990 (declarada);
21 de setembro de 1991 (reconhecida)
25 de dezembro de 1991 (finalizada)
LOCALIZAÇÃO: Europa Oriental
ÁREA: 29.800 km² (139º)
POPULAÇÃO (ONU - Estimativa 2014): 3.068.586 habitantes (135º)
DENSIDADE DEMOGRÁFICA: 102,97 hab./km² (74º)
CIDADES MAIS POPULOSAS (Estimativa 2014):
Yerevan: 1.256.452 habitantes
Yerevan - capital e maior cidade da Armênia
Guiumri: 175.632 habitantes
Guiumri - segunda maior cidade da Armênia
Vanadzor: 119.209 habitantes
Vanadzor - terceira maior cidade da Armênia
PIB (Banco Mundial - 2013: US$ 10,551 bilhões (128º)
IDH (ONU - 2014): 0,730 (87º)
EXPECTATIVA DE VIDA (ONU - 2012): 74,4 anos (96º)
CRESCIMENTO VEGETATIVO (ONU - 2005-2010): -0,21% (214º)
TAXA DE MORTALIDADE INFANTIL (CIA World Factbook - 2013): 26,17/mil (111º). Obs: essa mortalidade refere-se ao número de crianças que morrem antes de completar 1 ano de idade, e é contada de menor para maior.
TAXA DE FECUNDIDADE (CIA World Factbook - 2014): 1,64 filhos/mulher (177º). Obs: essa taxa refere-se ao número médio de filhos que a mulher teria do início até o fim do seu período reprodutivo (15 a 49 anos) e é contada de maior para menor.
TAXA DE ALFABETIZAÇÃO (CIA World Factbook - 2013): 99,6% (22º). Obs: essa taxa refere-se a todas as pessoas com 15 anos ou mais que sabem ler e escrever.
TAXA DE URBANIZAÇÃO (Pnud - 2010/2011): 64% (77°)
PIB PER CAPITA (Fundo Monetário Internacional - FMI - 2013): US$ 3.208 (120°)
MOEDA: Dram Armênio
RELIGIÃO: cristãos ortodoxos (93,2%), outras religiões cristãs (2,8%), sem religião ou ateus (2,4%), islâmicos (1,6%).
Catedral de Etchmiadzin
DIVISÃO: a Armênia está organizada político-territorialmente em onze subdivisões. Destas onze, dez são chamadas marzer, que é derivada da palavra persa marz, cujo significado é "fronteira", "limite". Yerevan é tratada separadamente e recebe status especial de hamayng, por ser a capital do país. O líder do executivo em cada uma das 10 marzes é o marzpet ou governador da marz, apontado pelo governo da Armênia. Em Yerevan, o líder do executivo é o prefeito, apontado pelo presidente. A república possui 953 vilarejos, 48 cidades e 932 comunidades, das quais 871 são rurais e 61 urbanas. Os números abaixo corresponde a marzer no mapa.1. Aragatsotn 2. Ararate 3. Armavir 4. Gegharkunik 5. Kotayk 6. Lorri 7. Shirak 8. Siunique 9. Tavush 10. Vayatos Dzor 11. Yerevan.
Mapa da subdivisão da Armênia
FONTE: Sampaio, Fernando dos Santos. Para viver juntos: geografia, 9° ano: ensino fundamental / Fernando dos Santos Sampaio, Marlon Clóvis de Medeiros. - 3. ed. - São Paulo: Edições SM, 2012. - (Para viver juntos).

terça-feira, 24 de março de 2015

AGENTES EXTERNOS MODIFICADORES DO RELEVO

  Os agentes externos ou exógenos corresponde ao conjunto dos processos erosivos relacionados à atmosfera e aos diversos tipos climáticos do globo, às características morfológicas e aos tipos de rochas. Esses agentes modificam o relevo. O ser humano, por meio de suas atividades, pode desencadear ou acelerar a erosão.
EROSÃO E INTEMPERISMO
  A erosão é um processo natural que se completa em três etapas: desgaste, transporte e acúmulo de sedimentos. Nesses processos há atuação dos agentes externos, como os ventos, as águas e as geleiras, que transportam os fragmentos de rocha das áreas mais elevadas para as mais baixas. Ela se inicia com o desgaste das rochas  em decorrência do intemperismo. O relevo resultante da sedimentação das rochas no processo de erosão é denominado de colúvio.
  A erosão pode provocar:
  • arrastamento de areia que podem encobrir porções de terrenos férteis e sepultá-los com materiais áridos;
  • morte da fauna e da flora do fundo dos rios e lagos por soterramento;
  • turbidez nas águas, dificultando a ação da luz solar na realização da fotossíntese, importante para a purificação e oxigenação das águas;
  • o transporte de inseticidas e adubos até os corpos d'água, causando desequilíbrio na fauna e flora desses corpos de água;
  • a formação de voçorocas, que consiste na formação de grandes buracos de erosão causados pela água da chuva e intempéries em solos onde a vegetação é escassa e não protege mais o solo. Esse fenômeno destrói as terras cultiváveis;
Voçoroca em Piracicaba - SP
  • formação de ravinas, que é um processo erosivo provocado essencialmente pelo escoamento de água (erosão hídrica), causando grandes depressões no solo e é parecido com a voçoroca. A diferença é que as ravinas lembram grandes valas ou pequenos vales, possuem dezenas de metros de profundidade e largura. A voçoroca é formada pela erosão do rego e, geralmente, atinge o lençol freático.
Ravina, em Mineiros - GO
  O intemperismo, também conhecido como meteorização, é o conjunto de processos que gera a desagregação física e a decomposição química dos minerais das rochas. O intemperismo é de grande importância para a formação dos solos, pois em algumas regiões onde há grandes formações rochosas a fixação de plantas é mais difícil em relações a regiões de solo estruturalmente menos rochosos. Há três tipos de intemperismo: físico, químico e biológico.
Arenitos erodidos em Vila Velha - PR
Intemperismo Físico
  No intemperismo físico, também  chamado de mecânico, ocorre a dilatação e contração das rochas devido à alternância de temperaturas, entre o dia e a noite e no decorrer das estações do ano, e ao congelamento da água nas fissuras das rochas. A alternância de volume dos minerais presentes nas rochas ocorre de forma desigual, tornando a rocha quebradiça. Esse é o principal agente do intemperismo em regiões de clima seco, em que a amplitude térmica é alta. Nesse tipo de intemperismo, as rochas tendem a se fragmentar pelo enfraquecimento de suas estruturas, e os minerais que compõem as rochas têm diferentes coeficientes de dilatação, ampliando a fragmentação das rochas. A cor e a granulometria da rocha influenciam a sua fragmentação, e as rochas mais escuras tendem a aquecer com mais facilidade, e as mais grosseiras tendem a se desintegrar mais facilmente do que as de grãos pequenos.
Rochas que sofrem com o intemperismo físico, no Atacama - Chile
Intemperismo Químico
  O intemperismo químico ocorre em áreas de temperatura e umidade mais constantes, como as regiões tropicais, de clima quente e úmido. Esse tipo de intemperismo se dá pela ação da água. A água da chuva e dos rios se infiltra nas fissuras das rochas e provoca sua dissolução. Isso ocorre por causa da reação entre elementos químicos (oxigênio, hidrogênio e dióxido de carbono).
  A ação da água da chuva, carregada de elementos atmosféricos, como o CO², que ataca os minerais da rocha em sua superfície exposta e em suas fraturas, decompõe-se, dando origem a novos minerais, estáveis às condições da superfície terrestre, e a solutos que migram pelas fraturas da rocha ou nas águas superficiais em direção ao mar, resultando em várias reações químicas: oxidação, hidratação, dissolução, hidrólise e acidólise.
Rocha que sofre com o intemperismo químico, em Mimoso do Sul - ES
Intemperismo Biológico
  O intemperismo biológico ocorre por meio dos seres vivos, onde estes desempenham, de forma direta ou indireta, o desgaste das rochas, e seu papel é bastante importante para a formação do solo. Este tipo de intemperismo produz os solos mais férteis do mundo, sendo muito comum na Rússia e na Ucrânia.
  As raízes das árvores penetram nas fissuras  e alargam ou trituram as paredes rochosas em busca de sais minerais, liberando ácidos húmicos que irão causar o intemperismo químico. Já as bactérias entram nas fissuras e nos poros das rochas, produzindo sulfetos e outros compostos característicos do meio. Os animais roedores e escavadores e outros animais lançam excreções nas rochas, que provocam a sua desintegração.
Rocha que sofre com o intemperismo biológico, na região Amazônica0
TIPOS DE EROSÃO
  A atuação das águas pluviais (das chuvas) e fluviais (dos rios) costuma ser intensa nas regiões de climas temperados e tropicais.
  No caso das águas pluviais, é comum nas áreas com relevo em declive formarem-se as enxurradas que, dependendo da intensidade das chuvas e, principalmente, de sua duração, podem causar deslizamentos de terra em encostas, particularmente naquelas onde a vegetação foi retirada. Esse processo erosivo é comum nos trechos de serras, em diversas regiões do espaço brasileiro, no período das chuvas.
  Nas encostas dos espaços urbanos que são ocupadas por moradias, a erosão pluvial é intensificada, provocando deslizamentos que acarretam a destruição das casas e até a morte de pessoas que viviam nesses locais, muitos deles considerados áreas de risco.
Área erodida pelas chuvas em 2011, em Teresópolis - RJ
  No Brasil, essas áreas, em geral menos valorizadas, são ocupadas sobretudo por pessoas de baixa renda, que não têm como comprar um imóvel em locais melhores e mais seguros. Isso evidencia as fortes desigualdades sociais existentes no país. No entanto, existem também casas de pessoas de renda média ou alta nas encostas dos morros. Ambos os casos evidenciam a ineficácia da atuação do poder público.
  O desmatamento aumenta o escoamento superficial da água das chuvas e, consequentemente, agrava o processo de perda de solo. Os sedimentos vão então parar nos rios, localizados em áreas de menor altitude. Disso resulta o assoreamento dos rios, com o acúmulo dos detritos no leito e a diminuição da capacidade de vazão. Entre as consequências está o aumento significativo da intensidade das cheias nos centros urbanos.
  Por conta da intensidade das chuvas, de ampla impermeabilização dos solos nos espaços urbanos e da ocupação de áreas de inundação, situadas às margens dos rios, as enchentes também são uma constante no Brasil.
  Apesar de existirem leis determinando que parcelas dos terrenos devem permanecer com piso drenante, como gramas e outras plantas, sem cobertura de cimento, concreto, asfalto, lajotas etc., essas leis acabam não sendo cumpridas. Tal fato, associado à ocupação das margens de rios e córregos (planícies de inundação) e ao acúmulo de lixo nas vias públicas, que as chuvas levam para os bueiros e tubulações contribui para o agravamento das enchentes, sobretudo nas grandes cidades.
Cratera aberta pela água das chuvas em 2014, em Mãe Luíza, Natal - RN
Erosão Fluvial
  Erosão fluvial é o desgaste do leito e das margens dos rios pelas suas águas. No processo de erosão fluvial, o leito do rio é ampliado gradativamente e formam-se suas vertentes (encostas ou margens), que delimitam o seu vale. A intensidade de ampliação do leito do rio depende do volume de água que ele apresenta, da forma do relevo e da natureza das rochas por onde ele corre. Essa alteração no relevo não é percebida na escala de tempo da vida humana, e esse processo pode levar a alterações no curso do rio.
  Percorrendo trechos de relevo pouco inclinado, nos quais a intensidade da força das águas não é grande, o material desagregado pelas águas dos rios (aluvião) acumula-se ao longo das margens (curso médio e inferior), principalmente no período das cheias, podendo dar origem às planícies. Esse tipo de planície é chamada de aluvial e é rica em material orgânico, favorecendo o desenvolvimento da agricultura. É o caso da planície Amazônica. O processo de erosão fluvial também modela vales profundos e cânions.
Grand Canyon, Arizona - EUA
Erosão Pluvial
  A erosão pluvial é provocada pela retirada de material da parte do solo pelas águas da chuva. Esta ação é acelerada quando a água encontra o solo desprotegido de vegetação. A primeira ação da chuva se dá através do impacto das gotas d'água sobre o solo. Este é capaz de provocar a desagregação dos torrões agregados do solo, lançando o material mais fino para cima e para longe, fenômeno conhecido como salpicamento. A força do impacto também força o material mais fino para baixo da superfície, provocando a obstrução da porosidade do solo, aumentando o fluxo superficial e a erosão.
  A ação da erosão pluvial aumenta à medida que mais água da chuva se acumula no terreno.
  As principais formas de erosão pluvial são:
  • erosão laminar: ocorre quando a água corre uniformemente pela superfície como um todo, transportando as partículas sem formar canais definidos. Apesar de ser uma forma mais amena de erosão, é responsável por grandes prejuízos na atividade agrícola e por transportar grande quantidade de sedimentos que vão assorear os rios;
  • erosão em sulcos de escorrência: ocorre quando a água se concentra em determinados sulcos do terreno, atingindo grande volume de fluxo e transportando maior quantidade de partículas, formando ravinas na superfície. Estas ravinas podem rapidamente atingir alguns metros de profundidade.
Erosão em sulcos de escorrência, na BR-101, próximo à João Pessoa - PB
Erosão Marinha
  A erosão marinha é um longo processo de atrito da água do mar com as rochas que acabam cedendo, transformando-se em grãos. Esse trabalho constante atua sobre o litoral transformando o relevo em planície e deve-se praticamente à ação de um fator presente na termodinâmica: a convecção dos ventos, responsáveis pelo surgimento das ondas, correntes e marés. Ocorre tanto nas costas rochosas como nas praias arenosas.
  Nas costas rochosas, a ação das águas do mar - abrasão marinha - sobre os costões do relevo litorâneo tende a desgastá-los. Quando esses costões são constituídos de rochas cristalinas, formam-se as falésias. Se forem formados por rochas sedimentares, surgem as barreiras.
Falésia na Praia de Cotovelo, Parnamirim - RN
  Nas praias arenosas a erosão constitui um grave problema para as populações costeiras. Os danos causados podem ir desde a destruição de habitações e infraestruturas até graves problemas ambientais.   As águas do mar realizam também um trabalho de acumulação: as ondas que batem continuamente nas áreas baixas litorâneas depositam nesses lugares areia e outros materiais, como restos de animais marinhos. Esse é um dos processos que resultam na formação das praias.
Dunas de Genipabu, Extremoz - RN
Erosão Glacial
  As geleiras, ao se deslocarem, agindo sobre a crosta terrestre, provocam erosão, denominada erosão glaciária. Os movimentos ou alternâncias de gelo e o derretimento das geleiras são fatores que também contribuem para o desgaste do relevo. Os fragmentos rochosos são arrastados pelas geleiras e se deslocam pelo terreno, dando origem às morainas.
Moraína no monte Ishinca - Peru
  A erosão glacial pode também dar origem aos fiordes. Os fiordes formam-se devido à ação das imensas massas de gelo, chamadas glaciares, que se movimentam rumo ao mar como se fossem grandes rios congelados, e só existem em regiões costeiras montanhosas de clima frio. A sua origem remonta há aproximadamente 12 mil anos, quando o mar ocupou os espaços que os glaciares escavaram na costa atlântica durante a última Era Glaciar.
Fiorde na Noruega
Erosão Eólica
  A erosão eólica ocorre diretamente pela ação dos ventos ou por meio do lançamento de pequenas partículas de rochas contra outras rochas, que pode provocar um lento desgaste por meio do atrito, devido à retirada superficial de fragmentos mais finos. O material desagregado pela ação do vento pode também ser transportado e depositado em outros locais, dando origem às dunas.
  A diminuição da velocidade do vento ou deflação ocorre frequentemente em regiões de campos de dunas com a retirada preferencial de material superficial mais fino, permanecendo, muitas vezes, uma camada de pedregulhos e seixos, adaptando à superfície erodida. Em locais de forte e constante deflação podem se formar zonas rebaixadas, em meio a regiões desérticas, e com as escassas chuvas formam lagos rasos (playa), secos na maior parte do tempo, com lama endurecida ou camadas de sal.
Dunas no Deserto do Saara - Líbia
Erosão provocada pelos seres vivos
  Os seres vivos também são agentes modificadores do relevo, principalmente os seres humanos, que interferem na dinâmica da natureza construindo estradas, túneis, viadutos, pavimentando ruas e avenidas e extraindo riquezas naturais. As formas de relevo são modificadas num processo mais acelerado do que aquele promovido pelos agentes naturais.
Erosão na BR-101, sobre o rio Pitimbu, em Natal - RN
FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado I: ensino médio / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. - 2. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.

terça-feira, 17 de março de 2015

O REINO DE KUSH

  Durante os últimos séculos da história independente do Egito antigo (IX a.C. - VI a.C.), ganhou destaque o reino de Kush, ao sul, na região mais tarde denominada Núbia, onde atualmente fica o Sudão e o Sudão do Sul. Além de aquela ser uma região rica em ouro, sua capital, a cidade de Napata, tinha importante atuação como intermediária comercial entre Tebas (Egito) e a África Central.
  O reino de Kush localizava-se entre a primeira e a sexta catarata do rio Nilo e foi estabelecido após o colapso da Era do Bronze e da desintegração do Novo Império egípcio. O nome dado a esta civilização é proveniente do Velho Testamento, que registra um personagem bíblico, Kush (Cuche), um dos filhos de Cão que se estabeleceu no nordeste da África. Na Idade Antiga e na Bíblia, Kush era uma grande região que abrangia o norte do Sudão, o sul do Egito e partes da Etiópia, Eritreia e Somália.
  Outro destaque do reino de Kush foi a afirmação feminina no topo do comando político. Conhecidas como "rainhas-mães", destacaram-se no reinado da rainha Shanakdakhete (170 a.C. - 160 a.C.), quando o centro administrativo estava na cidade de Meroé, e também no das rainhas Amanirenas e Amanishakehto.
Mapa do Reino de Kush
  Os cuchitas eram africanos negros, agricultores em sua grande maioria, mas entre eles haviam também artesãos e mercadores. Às vezes capturavam pessoas de outros povos e tornavam os cativos seus escravos.
  O reino de Kush era muito rico, possuía minas de ouro e terras agricultáveis. Além disso ficava numa ótima localização para comercialização com outros povos. Transportavam mercadorias pelo rio Nilo e também por estradas que levavam ao mar Vermelho. Vendiam ouro, incenso, marfim, ébano, óleos, penas de avestruz e pele de leopardo.
   As primeiras sociedades a se desenvolver na área surgiram na Núbia antes da Primeira Dinastia do Egito (3100-2890 a.C.). Por volta de 2500 a.C., os egípcios começaram a avançar na direção sul e é por meio deles que a maior parte das informações sobre Kush ficaram conhecidas. Mas esta expansão foi detida pela queda do Médio Império no Egito. A expansão egípcia começou em aproximadamente 1500 a.C., mas encontrou resistência organizada. Os egípcios conseguiram vencer a resistência e fizeram da região uma colônia sua, durante o reinado de Tutmósis I, cujo exército mantinha ali um certo número de fortalezas.
  Aproveitando-se das disputas políticas e dos conflitos no vizinho Egito, os núbios de Kush dominaram o Império Egípcio e estabeleceram um novo governo sob seu controle, conhecido como kushita ou dos faraós negros, que reinaram por algumas décadas no século XI a.C..
Napata - capital do reino de Kush
  Este novo reino foi unificado por Alara (rei núbio considerado o primeiro rei e fundador da Dinastia Napata) entre os anos 780 e 755 a.C.. Alara era visto pelos seus sucessores como o fundador do reino cuchita. O reino cresceu em influência e veio a dominar a região meridional egípcia de Elefantina e depois Tebas, no reinado de Kachta, sucessor de Alara.
  Além de Napata, várias cidades núbias antigas são alvos de estudos arqueológicos e históricos atualmente. Dentre elas estão as cidades de Pnubs, Naga, Cartum, Dongola, Atbara, Meroé, Farás, Argos, Wad bem Naga, Kawa, Soba. Por meio do estudo de suas ruínas e vestígios, estão sendo levantados dados sobre o histórico do reino de Kush e da importante atuação que teve na região egípcia e centro-sul africano.
Templo de Apedemak, em Naga - no Reino de Kush
  O poderio kushita no Egito só desapareceu com a invasão assíria, cujos exércitos possuíam armas de ferro mais eficientes que as de bronze dos egípcios e núbios. Em 591 a.C., os egípcios invadiram Kush - possivelmente porque esta, governada por Aspelta, preparava-se para atacar o Egito - e saquearam Napata.
  Diversos registros arqueológicos mostram que os sucessores de Aspelta transferiram a capital do reino de Kush para Meroé, mais ao sul de Napata. Meroé, ao contrário de Napata, possuía vastas florestas que serviam de combustível para os alto-fornos. Por volta de 300 a.C., os soberanos cuchitas começaram a ser sepultados em Meroé, indicando uma ruptura com os sacerdotes de Napata.
Pirâmides de Meroé - Sudão
  Quando os assírios invadiram o reino em 671 a.C., Kush se tornou um Estado independente. O último rei cuchita a tentar retomar o controle do Egito foi Tantamani, que foi definitivamente derrotado pela Assíria.
  Em 653 a.C., os assírios foram derrotados pelo egípcio Psamético, príncipe de Sais, que retomou a independência egípcia. A partir de então os faraós egípcios buscaram apagar os vestígios da presença do domínio kushita no Egito.
  Segundo a teoria tradicional, Kush teria sido destruída por uma invasão do reino etíope Axum, por volta de 350 a.C.. Por volta do século VI d.C., novos Estados se haviam formado na área antes controlada por Kush.
Ruínas de Dongola - Sudão
FONTE: Vicentino, Cláudio. História geral e do Brasil / Cláudio Vicentino, Gianpaolo Dorigo. - 2. ed. - São Paulo: Scipione, 2013.

domingo, 15 de março de 2015

CONFLITOS SEPARATISTAS NA CHINA

  Dos cerca de 1 bilhão e 350 milhões de habitantes da China, mais de 90% pertencem à etnia han. No entanto, outras 55 etnias que representam menos de 10% da população total do país ocupam mais da metade do território, especialmente em regiões que atingem grandes dimensões nas áreas desérticas e montanhosas do oeste e norte do país. Em algumas províncias dessa região, a população original e majoritária considera o povo chinês um ocupante ilegítimo e luta por sua independência e autonomia.
Grande Muralha da China
TIBETE
  O Tibete é uma vasta região situada a sudoeste do território da China. É conhecida como o "Teto do Mundo", pois abriga três imensos planaltos - Amdo, Kham e U-Tsang - que apresentam altitude média de 4 mil metros e ocupam 40% do território chinês, além de abrigar as nascentes de alguns dos mais importantes rios da Ásia, alimentados pelo derretimento das geleiras montanhosas no verão. Sempre foi uma região com grande autonomia. Relatos históricos confirmam que já existia uma unidade política na região desde o século VII a.C.. Faz fronteira ao sul com a Índia, o Nepal, o Butão e Mianmar e no oeste com as regiões conflituosas de Jammu e da Caxemira.
  A principal atividade econômica do Tibete é a pecuária, realizada por pastores nômades que se dedicam à criação de iaques (espécie de bovino). Dos iaques, os tibetanos aproveitam a carne, o leite e o pelo, do qual fazem roupas apropriadas para suportar o frio da região. Lhasa, a capital tibetana, é um importante centro religioso, reunindo numerosos grupos de monges praticantes do lamaísmo, uma derivação do budismo.
Montanhas nevadas do Tibete
   Originária de uma antiga dinastia militar, o Tibete, desde o século VII, forma um império pacífico guiado pelos preceitos religiosos budistas. O principal cargo político tibetano é ocupado por um Dalai Lama, que acumula funções religiosas e políticas.
  Apesar de ter constituído um Estado independente entre 1911 e 1950, a China alega que o Tibete faz parte do seu território desde o século XIII. Os tibetanos afirmam que o domínio chinês na região não foi constante nem contínuo.
  Ao longo da história, a região do Tibete sofreu com a ocupação de diversos povos e impérios. Na dinastia sino-mongol Yuan (1279-1368), estabelecida pelos reis guerreiros Gengis Khan e Kublai Khan, firmaram-se acordos para que a autonomia política da região fosse preservada. Depois de manter relações mornas com a dinastia Ming (1386-1644), o Tibete contou com a proteção militar chinesa desde a ascensão do culto budista da dinastia Quing (1644-1911).
Mosteiro de Labrang, em Xiahé - Tibete
  Com o fim da era imperial chinesa, em 1911, a região tibetana preservou sua independência política. Um dos mais claros exemplos dessa soberania foi notado durante a Segunda Guerra Mundial. Mesmo com a pressão imposta pelos Aliados (China, França, Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos), o governo tibetano recusou-se a permitir a passagem de tropas, material militar e utensílios em seus territórios.
  Em 1912, com a queda da Dinastia Ching, os tibetanos conseguiram adquirir independência. Os tibetanos expulsaram da região tropas e oficiais chineses. Em 1913, numa conferência realizada em Shimla, na Índia, britânicos, tibetanos e chineses decidiram que o Tibete seria dividido. Uma parte do Tibete seria anexada à China e permaneceria sob soberania chinesa e outra parte seria autônoma. Ao retornar da Índia, em janeiro de 1913, o 13° Dalai Lama declarou oficialmente a independência do Tibete. Porém, o acordo de Shimla nunca foi ratificado pelos chineses, que continuavam a alegar que todo o Tibete pertencia à China. Em 1918, as relações já estremecidas entre o Tibete e a China resultaram em um conflito armado entre as duas nações. A Inglaterra foi um dos países que interveio para tentar negociar uma trégua, mas esse esforço dos ingleses não foi bem sucedido. Em 1933, com a morte do 13° Dalai Lama, o Tibete sofreu um grande enfraquecimento político.
Lago Yamdrok-Tso - Tibete
  A Revolução Chinesa de 1949 inaugurou os conflitos atuais envolvendo a região do Tibete. A instalação do movimento liderado por Mao Tsé-Tung, buscou reorganizar os costumes e tradições tibetanas em favor dos princípios ideológicos do comunismo maoísta.
  Em 1950, o Partido Comunista chinês tomou conta da China. Tropas comunistas invadiram a cidade de Chamdo, localizada na fronteira oriental do Tibete. Em pouco tempo, as tropas chinesas tomaram a sede do governo local. No dia 11 de novembro de 1950, o governo tibetano manifestou-se contra a agressão chinesa na Organização das Nações Unidas (ONU), mas a Assembleia Geral da ONU adiou a discussão do problema.
  Em setembro de 1951, o Tibete foi tomado pelas forças comunistas de Mao Tsé-Tung. A ocupação chinesa foi marcada pela destruição sistemática de mosteiros, pela opressão religiosa, pelo fim da liberdade política e pelo aprisionamento e assassinato de civis em massa.
  Antes institucionalizado como Estado teocrático, o Tibete, sob o domínio chinês, passou por grandes transformações, como a supressão do poder da aristocracia religiosa e civil, a abolição da servidão rural e da escravidão doméstica e a redistribuição de terras. Além disso, o planalto tibetano e a cidade de Lhasa receberam um grande contingente de migrantes chineses de origem han.
  Em 1951, a assinatura do Acordo dos 17 Pontos, definindo as relações entre China e Tibete, parecia direcionar as questões políticas para uma solução diplomática. Porém, a orientação militar ofensiva da China arrastou este problema por mais de meio século, tornando a autonomia política do Tibete uma verdadeira incógnita.
Lhasa - capital do Tibete
  Ao anexar o território tibetano, o governo chinês, que já o considerava uma área estratégica, incentivou a migração chinesa para a região. O Tibete ampliava as fronteiras do país, principalmente, em direção a uma grande potência nuclear, a Índia. Além disso, é uma das áreas mais ricas do mundo em urânio, matéria-prima essencial para acionar os reatores de usinas nucleares.   A reação diante da anexação, durante a década de 1950, colocou em confronto as forças de ocupação e parte da população tibetana separatista, organizada no Exército de Defesa da Religião, que atacou a todos que apoiavam a incorporação do Tibete à China Popular. No entanto, essa reação foi esmagada pelo exército vermelho de Mao Tsé-Tung (1893-1976).
Mapa do Tibete
  Em 1959, o general chinês Chiang Chin-wu convocou o Dalai Lama para acompanhar uma festividade das autoridades chinesas na cidade de Lhasa, desde que o mesmo não contasse com nenhum tipo de segurança pessoal. O conhecimento público do estranho convite representou uma ameaça à integridade física do líder religioso. Em resposta, o Dalai Lama pediu asilo às autoridades da Índia, exilando-se na cidade indiana de Dharamsala, onde vive até hoje. Em 1963, tendo oficialmente ganhado o status de Região Autônoma, o Tibete ainda viveu outras situações de conflito com a China.
  No decorrer da política opressiva dos chineses, vários tibetanos passaram a buscar o exílio. Cerca de 120 mil tibetanos vivem em países estrangeiros, sendo que a grande maioria encontra-se em território indiano. As autoridades do Tibete também vivem em situação de exílio. O chamado "governo no exílio" conta com três poderes e tem sua sede fixada na cidade de Dharamsala.
Tenzin Gyatso - 14° e atual Dalai Lama
  Em 1989, o Massacre da Praça da Paz Celestial - uma onda de movimentos pela democratização do regime chinês - e a entrega do prêmio Nobel da Paz ao Dalai Lama, foi acompanhada por uma nova revolta separatista de monges budistas e de civis. O governo chinês, além de impor a lei marcial, restringiu a relativa autonomia religiosa e cultural ainda presente no Tibete.
  A partir de 2005, o Dalai Lama adotou uma nova postura. Considerando os enormes investimentos chineses na dinamização econômica do Tibete, o líder espiritual passou a defender a aproximação com o governo chinês. Ele estaria disposto a reconhecer a autoridade do governo chinês, desde que a China se comprometa a preservar a cultura budista e garanta ao Tibete o status de região autônoma.
Palácio de Potala, em Lhasa - Tibete
  Em 2008, novas manifestações levaram monges e jovens separatistas às ruas em Lhasa, Deprung, Sera, Gansu e Ganden, locais onde se situam importantes monastérios. Apesar da recomendação do Dalai Lama para que empregassem uma estratégia de luta apoiada na não violência e centrassem suas reivindicações  na autonomia, os rebeldes tibetanos insistiram em sinalizar sua luta pela independência com ataques a cidadãos civis de origem chinesa e a autoridades alinhadas com o governo de Pequim (Beijing). Mais uma vez, o Estado chinês reprimiu os manifestantes com violência. Na ocasião, a atenção mundial estava focada na China, em função da Olimpíada ali realizada no mesmo ano, fato que ampliou negativamente a repercussão dos acontecimentos e da repressão ocorrida nessa região autônoma.
  A China tem o objetivo de modernizar o Tibete, pois espera que uma maior prosperidade na região eventualmente conquiste o apoio dos tibetanos à administração chinesa. O governo chinês vem construindo prédios, realizando obras e substituindo a tradicional arquitetura tibetana por uma arquitetura moderna, deixando assim as províncias do Tibete cada vez mais semelhantes às cidades chinesas.
Ganden - Tibete
XINJIANG
  A província autônoma de Xinjiang está situada ao norte do Tibet e no noroeste do território chinês. É a região mais ocidental da China, sendo formada por enormes planaltos áridos e é pouco povoada. Esses planaltos estão separados por áreas mais baixas, que constituem típicas depressões. É uma região dominada por extremos de temperatura. No verão o calor é intenso, e no inverno as temperaturas descem bem abaixo de zero. Essa região recebe massas de ar vindas do oceano que se tornam secas, pois perdem umidade na longa jornada pelo interior do continente. Isso explica a formação de grandes áreas desérticas, tais como o Deserto de Taklamakan. Limita-se ao sul com o Tibete e a sudeste com as províncias de Qinghai e Gansu. A leste limita-se com a Mongólia, ao norte com a Rússia e o Cazaquistão, e a oeste com o Quirguistão, Tadjiquistão, Afeganistão e as partes da Caxemira controladas pelo Paquistão e pela Índia.
Mapa de Xinjiang
  O Xinjiag é uma região rica em agricultura (produtos frutícolas, trigo, algodão), em pecuária (carneiros), na produção da seda e em minerais e petróleo. É uma região de enorme potencial turístico, pois é detentora de um patrimônio arqueológico impressionante. Ficava na antiga Rota da Seda e há cerca de dois anos descobriu-se que foi o berço de algumas civilizações importantes. A população dessa região é formada principalmente por pastores que ainda praticam o nomadismo, sempre em busca de pastagens para os seus rebanhos, formados geralmente por caprinos e ovinos.
  Xinjiang é o nome chinês para as regiões de Tarim e Jungar do que hoje é o noroeste da China. No começo da dinastia Han (206 a.C. - 220), a região era submetida aos Xiongnu, poderoso povo nômade baseado na Mongólia moderna. No século II a.C., a dinastia Ham enviou Zhang Qian como representante aos estados na região, começando diversas décadas de disputa com os Xiongnu pelo domínio da região, terminando eventualmente no sucesso chinês. Em 60 a.C., a dinastia Han estabeleceu o protetorado da Região Leste em Wulei, controlando depois a região inteira na direção oeste até o Pamir.
Deserto de Taklamakan, em Xinjiang - China
  Durante a usurpação de Wang Mang na China, os estados dependentes do protetorado retornaram ao domínio de Xiongnu. Durante o século seguinte, a dinastia Han conduziu diversas expedições na região, restabelecendo o protetorado. Depois da queda da dinastia Han, em 220 d.C., o protetorado continuou a ser mantido pela dinastia de Wei (até 265) e pela dinastia ocidental de Jin (de 265 em diante).
  Ocupada inicialmente por muçulmanos sunitas da etnia uigure, possuindo língua e cultura próprias, essa região foi anexada pela China no século XIX, e hoje corresponde a 15% do seu território. A terra dos uigures passou a ter importância econômica estratégica com a descoberta de grandes reservas de petróleo, correspondendo à terça parte das reservas existentes em toda a China.
Urumqi - capital de Xinjiang
  O partido comunista utilizou em Xinjiang a mesma política de ocupação empregada no Tibet: estimulou a migração de colonos chineses para que estes suplantassem numericamente os uigures. Em 1949, a etnia han representava apenas 6% do total da população de Xinjiang. Em 2010, os chineses dessa etnia representavam 41% da população, pouco menos que os 45% formados pela população uigure. Em Urumqi, capital da província, a população majoritária é han.
  O objetivo dessa política migratória foi assegurar o controle do território e inibir qualquer iniciativa separatista, pois os uigures são mais ligados cultural e etnicamente à Ásia Central do que à China. No entanto, o movimento separatista ganhou força após a independência das ex-repúblicas soviéticas em 1990, situadas em sua fronteira: o Cazaquistão, o Tadjiquistão e o Quirguistão. Na última década, o movimento separatista promoveu uma série de ataques às tropas de ocupação chinesas, aos serviços públicos e à população civil han.
Pastoreio de ovelhas em Xinjiang
  Dentre as ações desenvolvidas pelo governo chinês contra os uigures, estão:
  • a utilização da sua língua está fortemente restringida, podendo os estudantes e professores ser multados se forem apanhados a falá-la nos recintos escolares;
  • o culto religioso é extremamente dificultado: as crianças e jovens com menos de 18 anos estão proibidos de frequentar as mesquitas, muitos jovens têm medo de serem expulsos do sistema escolar se descobrirem que rezam em casa, os empregados do Estado (professores, policiais, funcionários das empresas estatais etc.) arriscam-se a perder os empregos por praticarem o culto religioso; muitos clérigos são nomeados pelas autoridades chinesas e as cerimônias religiosas são vigiadas pela polícia;
  • incentivado pelo governo chinês, existe uma migração crescente de chineses da etnia han para o Xinjiang, onde se instalam ocupando os melhores empregos e tomando conta dos negócios lucrativos;
  • os chineses han só empregam chineses han, sendo que o desemprego entre os uigures é crescente, levando-os a aceitar empregos em zonas da China distantes de sua terra.
Crianças da etnia uigur
  Esta política de migrações internas tende a diluir o povo uigure na sua própria terra. As ações do governo chinês em relação à população uigure são responsáveis pelo recrudescimento dos conflitos étnicos locais e pelo crescimento dos adeptos do separatismo.
  Por ocasião da intervenção soviética no Afeganistão, nos anos 1980, a China enviou combatentes uigures para apoiar os talibãs. Ao retornar à província, eles aderiram ao separatismo uigur. Nos anos 1990, os separatistas passaram a recorrer ao terrorismo.
  A repressão da polícia e a execução de 30 separatistas suspeitos, durante o Ramadã de 1996, resultou em grandes manifestações, em fevereiro de 1997, que foram caracterizadas como tumultos na imprensa chinesa, mas que os meios de comunicação ocidentais alegaram serem pacíficas. Essas manifestações culminaram no Incidente de Gulja, em 5 de fevereiro, no qual uma repressão do Exército de Libertação Popular sobre as manifestações levaram a várias mortes.
  Nos últimos anos o governo chinês tem permitido a entrada de empresas estrangeiras nessa região para explorar as jazidas de petróleo e gás que se formaram em suas bacias sedimentares. A indústria petroquímica permitiu a construção de gasodutos e oleodutos, fato que deu maior dinamismo à economia local.
Changji, Xijiang - China
MONGÓLIA INTERIOR
  A Mongólia Interior recebe esse nome porque é a região que faz fronteira com a vizinha Mongólia, país situado entre a China e a Federação Russa. Nos dois lados da fronteira, tanto no chinês quanto no mongol, a paisagem é dominada pelo deserto de Góbi.
  Essa região é uma das mais áridas do mundo. Muito distante de qualquer oceano, não recebe nenhuma influência da maritimidade e fica longos períodos sem chuvas.
  Sua população, historicamente nômade, vagueia pela região em busca de raros campos férteis onde é possível cultivar alimentos. A economia destaca-se pelo pastoreio, especialmente de bovinos, ovinos e caprinos.   Nas últimas décadas, o governo chinês implantou diversos projetos de irrigação na Mongólia Interior, para atrair populações de outras regiões do país que estão muito povoadas. O governo oferece terras gratuitas e perfura poços artesianos para famílias que queiram se instalar nessa região.
Deserto de Góbi, Mongólia Interior - China
  A região da Mongólia Interior vive o maior surto de conflitos étnicos de sua história. Durante muito tempo a Mongólia Interior foi considerada uma das regiões de minoria étnica mais tranquilas da China. Os protestos foram causados pela morte de um pastor mongol, em 10 de maio de 2013, por um motorista de caminhão chinês da etnia han. O homem fazia parte de um grupo de pastores que vêm tentando impedir que caminhões atravessem suas paisagens para chegar a uma mina de carvão. Após esse incidente, intensificaram os conflitos que duram até os dias atuais.
  Os membros dessa minoria étnica afirmam ser vítimas de uma repressão política e cultural similar à que afeta os tibetanos e os uigures, e promovem manifestações contra o ingresso de chineses da etnia han à região.
Hohhot - capital da Mongólia Interior
GUANGXI
  A região de Guangxi é uma província autônoma, localizada no sul da China e parte integrante do Golfo de Beibu do Sul no Mar da China. Existem na região 12 etnias e mais de 50 milhões de habitantes.
  No final do século XX e início do século XXI, a região conseguiu um rápido crescimento econômico e realizou um desenvolvimento harmonioso das relações étnicas. Com a promoção do crescimento econômico, de um desenvolvimento social e a insatisfação com a visibilidade e os investimentos que o governo chinês fornecia à região, a população local decidiu se separar da China, unindo as minorias étnicas contra o domínio chinês. A situação teve repercussão internacional, mas nenhum país reconheceu Guangxi como Estado soberano.
  O governo não aceitou tal ato e enviou soldados para ocupar a região. Devido à topografia da região, repleta de rios, formações rochosas e montanhas, os revoltosos conseguiram obter vitórias sobre o governo nos primeiros meses de conflitos. O governo chinês decidiu enviar mais de 850 mil homens na tentativa de combater os revoltosos. Essa nova ação foi bem sucedida, e os chineses militarizaram a região.
Nanning - capital de Guangxi
FONTE: Lucci, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado, 3: ensino médio / Elian Alabi Lucci, Anselmo Lázaro Branco, Cláudio Mendonça. - 2. ed. - São Paulo: Saraiva, 2013.