ALDANN CONSTRUÇÕES

ALDANN CONSTRUÇÕES
TEL: (84) 4008-3800

domingo, 17 de novembro de 2013

BRASIL: A DIVERSIDADE CULTURAL E OS AFRO-BRASILEIROS

  A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de uma sociedade, como: vestimenta, culinária, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. O Brasil, por conter um extenso território, apresenta diferenças climáticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.
  Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colonizadores europeus, a população indígena e os escravos africanos. Posteriormente, vieram os imigrantes italianos, japoneses, alemães, poloneses, árabes, entre outros, que contribuíram para a pluralidade cultural do Brasil.
BRASIL: PAÍS DE MUITOS POVOS E CULTURAS
  A população brasileira originou-se da miscigenação de vários povos. Por esse motivo apresenta uma grande diversidade cultural, manifestada na religião, na música, na dança, na alimentação, na arquitetura, no vestuário, entre outros.
  Um dos exemplos dessa diversidade é a própria língua portuguesa, reconhecida como oficial no Brasil. Ela possui palavras únicas quando comparada à língua portuguesa falada em outros países. O motivo disso é a incorporação de muitas expressões dos grupos étnicos formadores da população brasileira. Palavras como Tietê, caatinga, sucuri e pitanga têm origem indígena; mocambo, cafuné, fubá e berimbau, africana. Outras palavras com origem em línguas europeias foram agregadas ao português, como tchau, espaguete e pizza, que vêm do italiano.
A gastronomia é um dos exemplos da miscigenação cultural
Região Nordeste
  Entre as manifestações culturais da região Nordeste estão as danças e festas como bumba meu boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciranda, coco, terno de zabumba, marujada, reisado, frevo, cavalhada e capoeira. Algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá, as festas juninas, a lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, as festas de padroeiro, entre outras. Outro elemento bastante forte da cultura nordestina é a literatura de cordel. O artesanato é representado pelos trabalhos de renda. Os pratos típicos são: carne de sol, peixes, frutos do mar, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá, cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, bolo de fubá cozido, bolo de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, cocada, tapioca, pé de moleque, entre tantos outros.
Chouriço: tipo de doce produzido com sangue de porco e outros ingredientes, é muito apreciado no interior do Nordeste
Região Norte
  A quantidade de eventos culturais da região Norte é imensa. As duas maiores festas populares são: o Círio de Nazaré, em Belém (PA) e o Festival de Parintins (a mais conhecida festa do boi-bumbá do país), na cidade de Parintins (AM). Outros elementos culturais da região Norte são o carimbó, o congo ou congada, a folia de reis e a Festa do Divino.
  A influência indígena é fortíssima na culinária da região Norte, baseada na mandioca, peixes e produtos nativos da região. Os principais pratos da culinária nortista são: carne de sol, tucupi (caldo de mandioca cozido), tacacá (espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu (tipo de erva), camarão seco, pimenta-de-cheiro, além dos frutos colhidos na Floresta Amazônica, como açaí, cupuaçu, guaraná, entre outros.
Festa do Círio de Nazaré, em Belém do Pará
Região Centro-Oeste
  A cultura do Centro-Oeste é bem diversificada, recebendo contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mineiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, em Goiás; e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária regional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz carreteiro, arroz boliviano, maria-isabel, empadão goiano, pamonha, angu, cural, os peixes do Pantanal - como o pintado, pacu, dourado, entre outros.
Procissão do Fogaréu em Goiás Velho - GO
Região Sudeste
  Os principais elementos da cultura regional do Sudeste são: a Festa do Divino, festejos de Páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalhadas, bumba meu boi, carnaval, peão de boiadeiro, dança de velhos, batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia de reis, caiapó, entre outros.
  A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influência indígena, escravista e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos. Entre os pratos típicos se destacam: moqueca capixaba, pão de queijo, feijão-tropeiro, arroz-tropeiro, carne de porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau, picadinho, virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza, queijo mineiro, entre outros.
Festa do Peão de Boiadeiro em Barretos - SP
Região Sul
  A região Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses, espanhóis e, principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são: a Festa da Uva (italiana) e a Oktoberfest (alemã). Também integram a cultura sulista: fandango, de influência portuguesa, a tirana e o anuo, de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a congada, o boi-de-mamão, a dança de fitas, boi na vara. Na culinária estão presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco assado, barreado (cozido de carne em panela de barro), vinho, entre outros.
Oktoberfest em Blumenau - SC
GRUPOS FORMADORES DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
1. OS INDÍGENAS
  Antes da chegada dos portugueses ao território que viria a ser o Brasil, diversos grupos indígenas habitavam o nosso espaço. Esses grupos foram estimados entre 2 a 4 milhões de indivíduos, distribuídos em mais de mil diferentes tribos. Possuíam características próprias de organização social, línguas, crenças, técnicas de coleta, caça, pesca e cultivo agrícola.
  Hoje, alguns grupos indígenas vivem isolados, outros em reservas ou nas cidades, muitos em precárias condições de vida. Os grupos indígenas continuam lutando pelos seus direitos e contra o preconceito e o descaso com sua cultura, que ocorrem a despeito da contribuição desses grupos para a formação do povo brasileiro e de seus conhecimentos sobre o meio ambiente, a flora e a fauna do território, acumulados por séculos.
Principais povos indígenas do Brasil na época do Descobrimento
  Há anos, as pesquisas médicas e farmacêuticas se baseiam nesses conhecimentos para aproveitar as propriedades preventivas e curativas de várias espécies vegetais e animais utilizadas por grupos indígenas, a fim de obter substâncias para elaboração de medicamentos.
  No entanto, os indígenas ainda são vítimas da invasão de suas terras por fazendeiros, garimpeiros, madeireiros, grileiros, entre outros.
Reserva indígenas no Brasil
  Os índios são formados por povos com hábitos, costumes e línguas diferentes. Os principais grupos indígenas do país são:
Ianomâmis
  Os ianomâmis habitam o Brasil e a Venezuela. No Brasil somam cerca de 15 mil pessoas distribuídas em 255 aldeias relacionadas entre si em maior ou menor grau. No Brasil habitam o noroeste de Roraima e o norte do Amazonas.
  As aldeias ianomâmis ocupam a grande região montanhosa da fronteira com a Venezuela, numa área contínua de 9.419.108 hectares. A Terra Indígena Ianomâmi foi homologada pelo presidente Fernando Collor em 25 de maio de 1992. Em sua maior parte o território está coberto por uma densa floresta tropical úmida e é bastante acidentado, principalmente nas áreas próximas às serras Parima e Pacaraíma. O Pico da Neblina, ponto culminante do Brasil, está localizado dentro da Terra Indígena Ianomâmi e do Parque Nacional do Pico da Neblina. Essa área tem sido invadida desde o fim dos anos 1980 por garimpeiros atraídos pelas reservas de ouro, cassiterita e tantalita.
Reserva Indígena Ianomâmi
  Os ianomâmis falam quatro línguas: yanomam, sanumá, yanomame e yanam. Suas habitações são construídas de caibros encaixados, amarrados com cipó e revestidos de palha. Possuem características seminômades, já que mudam de habitat quando acreditam ter explorado uma região ao máximo. São caçadores e acreditam em rixis - espíritos de animais que ao serem mortos tornam-se protetores e amigos.
Índios ianomâmis
Carajás
  Os carajás habitam a região dos rios Araguaia e Javaés, nos estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará. Dividem-se em trezentos subgrupos que correspondem a três dialetos por eles falados: os carajás propriamente ditos, os javaés e os xambioás, cujos dialetos pertencem ao tronco linguístico macro-jê. Eles se autodenominam inã, que é um termo comum aos três subgrupos. Acreditam na transformação do homem em animais e vice-versa. Residem a maior parte nas proximidades do rio Araguaia, pois acreditam que sua criação, rituais de passagem, alimento e alegria são dados por ele. Vivem do cultivo do milho, mandioca, batata, banana, cará, melancia, feijão e amendoim, e prezam pela pintura corporal. Dividem o trabalho, onde os homens ficam com a defesa do território, abertura de roças, construção de casas, pesca e outros. As mulheres ficam responsáveis pelo trabalho de educar os filhos, cuidar dos afazeres domésticos, do casamento dos filhos, da pintura e ornamentação das crianças, entre outros.
Casal de índios carajás
Guaranis
  Os termo guaranis referem-se a uma das mais representativas etnias indígenas das Américas, tendo como territórios tradicionais uma ampla região da América do Sul que abrange os territórios nacionais da Bolívia, Paraguai, Argentina, Uruguai e a porção centro-meridional do território brasileiro.
  São chamados "povos", pois sua ampla população encontra-se dividida em diversos subgrupos étnicos, dos quais os mais significativos, em termos populacionais, são os caiouás, embiás, nhandevas, ava-xiriguanos, guaraios, izozeños e tapietés. Cada um desses subgrupos possui especificidades dialéticas, culturais e cosmológicas, diferenciando sua "forma de ser" guarani das demais.
  Manifestam sua cultura em trabalhos em cerâmica e em rituais religiosos. Possuem sua própria língua, somente ensinam o português às crianças maiores de seis anos. São migrantes e agricultores. Acreditam que a morte é somente uma passagem para a "terra sem males", onde os que se foram partem para este local para proteger os que na Terra ficaram.
Karai Guarani, em Caarapó - MS
Tupis 
  O termo "tupis" possui dois sentidos: um genérico e outro específico. O sentido genérico do termo remete aos índios que habitavam a costa brasileira no século XVI e que falavam a língua tupi. O sentido específico do termo remete aos índios que habitavam a região da atual cidade de São Vicente - SP, na mesma época.
  Os Tupis dividem-se em vários grupos: Tupinambá, Tupiniquim, Tamoio, Temiminó, Tabajara, Potiguara, Caeté, Viatã, Amoipira, Aricobé, Tupinaé ou Tupiná, dentre outros.
  Os Tupis são dominados por um ser supremo designado Monan. A autoridade religiosa dentro das aldeias é o Pajé, que é um sábio que atua como adivinho, curandeiro e sacerdote. Utilizam a música e seus instrumentos de procriação, casamento, puberdade, nascimento e morte, para afastar flagelos, doenças e epidemias e festejar boas caçadas, vitórias em guerras, entre outros.
  Existem cerca de 225 sociedades indígenas distribuídas em todo o território brasileiro, correspondendo a 0,25% da população do país.
Etnias indígenas do Leste-Nordeste brasileiro
2. OS PORTUGUESES E OS OUTROS IMIGRANTES
  A partir do século XVI,iniciou-se a formação da população brasileira com a chegada dos portugueses e sua miscigenação com os grupos indígenas e negros africanos, trazidos como escravos.
  Nos séculos XIX e XX, esse processo prosseguiu com a chegada de outros povos europeus. Entre os que vieram em maior quantidade estão os italianos - segundo grupo mais numeroso, depois dos portugueses -, espanhóis, alemães, japoneses, sírio-libaneses, russos, poloneses, chineses, coreanos, indonésios, uruguaios, bolivianos, entre outros.
Monumento Nacional ao Imigrante, em Caxias do Sul - RS
Portugueses
  Colonizadores do território brasileiro por 322 anos, de todos os povos que chegaram no país, os portugueses foram os que mais exerceram influência na formação da cultura brasileira. Durante todo o período de colonização cidadãos portugueses foram transportados para as terras sul-americanas, influenciando não só a sociedade que viria a se formar, como também as culturas dos povos que já existiam.
  A mais evidente herança da cultura brasileira é a língua portuguesa, atualmente falada por todos os habitantes do país. Outros legados culturais são a religião católica, os folguedos populares, as figuras do folclore, a culinária e a introdução de movimentos artísticos como o renascentismo e o neoclassismo.
Ouro Preto - MG. Patrimônio Histórico e Cultural de origem portuguesa no Brasil
Italianos
  A imigração italiana para o Brasil foi um dos maiores fenômenos imigratórios já ocorridos. À medida que o número de imigrantes e seus descendentes ia crescendo, o Brasil modificava os seus costumes, assim como os imigrantes modificavam os seus. Das inúmeras contribuições culturais dos italianos para o país, destacam-se: a introdução de elementos tipicamente italianos no catolicismo de algumas regiões (festas, santos de devoção, práticas religiosas); os diversos pratos incorporados à alimentação brasileira, como o hábito de comer panetone no Natal, a pizza, o espaguete e a polenta frita; o sotaque (principalmente na Região Sul), a introdução de novas técnicas agrícolas; a criação de times de futebol, como o Palestra Itália (atual Sociedade Esportiva Palmeiras), entre outros. Na televisão, a imigração italiana também influenciou obras artísticas, televisivas e cinematográficas, como as novelas Terra Nostra e Esperança, e o filme O quatrilho.
Pizza - um dos legados da cultura italiana no Brasil
Alemães
  A imigração e a colonização alemã no Brasil tiveram um importante papel no processo de diversificação da agricultura e da urbanização e industrialização, tendo influenciado, em grande parte, a arquitetura das cidades e a paisagem físico-social brasileira.
  O imigrante alemão difundiu no Brasil a religião protestante e a arquitetura germânica, contribuiu para o desenvolvimento urbano e da agricultura familiar, introduziu o cultivo do trigo e a criação de suínos, além da formação de um campesinato típico, marcado com traços da cultura camponesa da Europa Central. No domínio religioso, contribuiu para a influência de pastores, padres e religiosos descendentes alemães. Várias igrejas luteranas foram implantadas e o ritual católico adquiriu certas especificidades das comunidades alemãs. O Oktoberfest é a principal atividade festiva da cultura alemã no Brasil.
Arquitetura alemã em Guarapuava - PR
Japoneses
  Os imigrantes japoneses aperfeiçoaram as técnicas agrícolas e a pesca dos brasileiros. É notável o seu trabalho na aclimatação e desenvolvimento de vários tipos de frutas e vegetais antes desconhecidos no Brasil, como o caqui, a maçã-Fuji, a mexerica, a poncã e o morango. Os japoneses foram também responsáveis pela expansão da avicultura no país. No esporte, deve-se a influência japonesa o judô, aikidô, jiu-jítsu, caratê, kendo, sumô e o gateball. Na culinária destacam-se a yakisoba, sushi e sashimi.
Bairro da Liberdade em São Paulo - SP. Típico bairro japonês
Eslavos
  Os imigrantes eslavos se dedicaram principalmente à agricultura com plantações de milho, feijão, repolho, batata, entre outras culturas. Difundiram o uso do arado e de outras técnicas agrícolas no Paraná. Trouxeram consigo um modelo de carroça tipicamente eslava, utilizada até hoje no Estado paranaense para o transporte de materiais e da produção agrícola.
Casa do Colono Polonês em Curitiba - PR
Árabes
  Os árabes foram um dos grupos de imigrantes que menos sofreram para se adaptar ao Brasil. Em sua maioria árabes-cristãos vindos da Síria e do Líbano, os imigrantes não encontraram uma realidade religiosa divergente. Além disso, encontraram no Brasil uma sociedade extremamente miscigenada e acostumada com a diversidade étnica.
  Os árabes, abraçados ao costume da preservação familiar, formaram grandes famílias por todo o Brasil, incluindo-se casamentos dentro da colônia árabe e diversos com não-árabes.
  A leva mais recente de imigrantes sírio-libaneses é, consideravelmente, islâmica, com uma minoria judaica.
Mesquita Omar Ibn Al-Khattab, em Foz do Iguaçu (PR) - cidade que a maior comunidade muçulmana no Brasil
Chineses
  Outro grupo de imigrantes que têm entrado com maior frequência nos últimos anos no Brasil, são os imigrantes chineses.
  A cultura chinesa no Brasil se destaca em várias formas. Na arquitetura, a influência chinesa se revela de várias maneiras, como no desenho ornamental e no estilo exterior de algumas construções. Uma delas são as plataformas de pedra, técnica comum na China desde a Antiguidade. Na medicina, a acupuntura, técnica praticada há mais de quatro mil anos na China, é cada vez mais aceita e utilizada no Brasil para tratar doenças diversas e vem se expandindo como prática alternativa ou medicina complementar. A arte marcial chinesa Tai Chi Chuan já virou moda no Brasil.
  A celebração do Ano Novo Chinês, se tornou um evento cultural importante e entrou no calendário oficial da cidade de São Paulo. Tem-se prolongado pelo país os restaurantes chineses, que oferecem os mais variados pratos da cozinha chinesa.
Os restaurantes chineses são exemplos da valorização da cultura chinesa
3. OS NEGROS AFRICANOS
  A partir do século XVI, com a chegada de negros africanos para servir de mão de obra escrava, amplia-se o processo de miscigenação. Os escravizados foram a principal mão de obra em atividades econômicas do Brasil colonial, colaborando para o desenvolvimento econômico do país.
  Três grandes culturas africanas entraram no Brasil por meio de imigrações forçadas: culturas sudanesas, bantas e guineano-sudanesas islamizadas. Apresentavam diferentes tradições e crenças, o que contribuiu para a formação cultural brasileira.
Rota da escravidão África-Brasil
A ESCRAVIDÃO
  Assim como os primeiros indígenas, negros africanos introduzidos no Brasil e na América em geral foram submetidos a brutais condições de existência. Arrancados de suas comunidades, de suas famílias e de suas terras, atravessaram o Oceano Atlântico nos sujos porões dos navios negreiros como cargas ou mercadorias de venda e compra.
  Calcula-se que cerca de 10 milhões de negros africanos foram trazidos para a América entre 1502 e 1870, sem considerar os que morreram durante a viagem ou eram mortos durante a resistência ao seu aprisionamento. Desse total, estima-se que mais de 3,5 milhões foram desembarcados no Brasil.
Figura em que um escravo é açoitado
OS BRASILEIROS NOS CENSOS DO IBGE
  Por meio dos censos realizados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), entre outros aspectos, é possível conhecer a distribuição da população brasileira segundo a cor da pele. As pessoas, quando perguntadas pelos pesquisadores do IBGE que realizam o censo, são livres para autodeclarar sua cor de pele entre cinco opções: branca, preta, parda, amarela e indígena.
  Esse tipo de informação continua sendo levantada em estudos estatísticos não por uma posição racista ou preconceituosa por parte dos institutos de pesquisa, mas para avaliar a condição social das famílias e pessoas segundo a cor, considerando que na nossa história as elites dirigentes, de modo geral, não tiveram preocupações em melhorar as condições de vida de grupos menos favorecidos socialmente, como por exemplo, indígenas e negros. Por isso, essas informações podem dar apoio às políticas públicas que buscam reduzir, de maneira eficaz, as desigualdades sociais no país.
Reflexo das desigualdades: apartamentos luxuosos ao lado de precárias habitações
AS COMUNIDADES DE QUILOMBOLAS
  As comunidades remanescentes de quilombolas são formadas por descendentes de negros africanos escravizados que fugiram das fazendas de açúcar, café, da atividade mineradora e de outras a partir do século XVII. Eles se autodenominam quilombolas.
  Essas comunidades persistiram e são encontradas em praticamente todos os estados brasileiros; durante muito tempo ficaram desconhecidas ou isoladas. Com a Constituição Brasileira de 1988, que concedeu aos quilombolas o direito à propriedade de suas terras e à manutenção de suas culturas, essas comunidades se tornaram mais visíveis à sociedade brasileira.
  Até 2002, haviam sido identificadas 743 comunidades quilombolas no Brasil. Atualmente, devido às iniciativas do governo federal e das comunidades quilombolas em busca de autorreconhecimento, o número de comunidades identificadas supera os 3.500.
  No entanto, devido à demora no processo de reconhecimento oficial e titulação da maior parte delas, existem muitos conflitos entre quilombolas, fazendeiros e posseiros.
Comunidades quilombolas do Brasil
DESIGUALDADE ENTRE NEGROS E NÃO NEGROS
  Vários estudos comprovam que a população negra, no seu conjunto, possui piores condições de vida em relação a outros grupos de pessoas.
  A expressão mais dramática dessa desigualdade é a incidência da pobreza na população negra: no Brasil, de cada dez pobres, seis são negros. Além disso, os negros recebem cerca de metade dos rendimentos obtidos pelos não negros e apresentam as maiores taxas de desemprego.
  A desigualdade persiste na educação: a taxa de analfabetismo é maior na população negra, grupo que apresenta, em média, dois anos a menos de estudo. Isso significa que, quanto maior o nível de ensino (da educação básica ao ensino superior), menor é a presença de negros.
  No mercado de trabalho, ainda é alta a desigualdade entre negros e não negros, sobretudo em relação às mulheres negras. Elas são as que mais sofrem com a discriminação: apresentam a menor taxa de participação no mercado de trabalho, a menor taxa de ocupação, a maior taxa de desemprego e o menor rendimento.
A população negra é a que mais sofre com o desemprego
OS MOVIMENTOS DOS AFRO-BRASILEIROS
  Nos últimos anos, os movimentos de luta dos afrodescendentes por igualdade social e melhores condições de vida estão os levando a vencer barreiras sociais e culturais, e a destacar-se em várias atividades. Mostram com isso que não é a cor da pele que determina a capacidade das pessoas.
  Logo após a abolição da escravidão em 1888, surgiram as primeiras organizações formadas por afrodescendentes. Nas décadas de 1960 e 1970, os movimentos em busca de direitos civis para os negros ganharam maior força no Brasil, sob influência dos movimentos negros dos Estados Unidos e pela independência das colônias europeias na África. Na música e na dança, utilizaram de expressões contestatórias, tornaram mais visíveis as injustiças a que são submetidos. O rap (rhythm and poetry: ritmo e poesia), aborda o racismo, a violência policial, as precárias condições de renda e outras temáticas sociais.
Negra Li - cantora Rap do Brasil
FONTE: Adas, Melhem. Expedições geográficas / Mellhem Adas, Sérgio Adas. -- 1. ed. -- São Paulo: Moderna, 2011.

sábado, 9 de novembro de 2013

A CIVILIZAÇÃO ROMANA

  O Império Romano foi um Estado que se desenvolveu a partir da península Itálica, durante o período pós-republicano da antiga civilização romana, caracterizado por uma forma autocrática de governo e por grandes propriedades territoriais na Europa e em torno do Mediterrâneo. Esse Estado existiu entre 27 a.C. e 476 d.C. e foi sucessor da República Romana.
  Os 500 anos da idade da República Romana que precedeu o Império Romano, foram enfraquecidos e aniquilados por várias guerras civis.
  A expansão romana começou na época da República, mas o Império alcançou sua maior extensão na época do imperador Trajano.
Roma - origem do Império Romano
AS ORIGENS DE ROMA
  Há muitas dúvidas em relação aos primeiros tempos de Roma. Segundo a tradição, a história de Roma remonta a 753 a.C., com a fundação de um pequeno povoado na península Itálica por Rômulo e seu irmão Remo.
  Conta a lenda que os gêmeos Rômulo e Remo, quando ainda bebês, foram tirados de sua mãe e abandonados nos pés da colina Capitolina, à margem do Rio Tibre, para que morressem de fome. Uma loba os teria salvado, adotando-os como se fossem seus filhotes. Mais tarde, os meninos foram levados à casa de um pastor de ovelhas.
  Os meninos, depois de certo tempo, descobriram que eram príncipes de uma cidade vizinha, Alba Longa. Conseguiram conquistar o reino e decidiram construir uma imponente cidade no topo de uma das sete colinas às margens do Rio Tibre, onde a loba os havia encontrado. Porém, um problema apareceu. A cidade só poderia ter um rei.
  Os dois irmãos se enfrentaram e Rômulo acabou por assassinar Remo. Em homenagem ao rei Rômulo, a cidade, erguida no topo da colina, passou a se chamar Roma.
Loba Capitolina alimentando os gêmeos Rômulo e Remo. Escultura de bronze do século V a.C.
  Porém, os historiadores acreditam que a explicação mais provável esteja relacionada aos etruscos, povo que habitava a região norte do Rio Tibre por volta do século VIII a.C.
  Naquela época, a região era habitada por agricultores e pastores que viviam em cabanas à margem esquerda do Rio Tibre, na região do Lácio - isso levou os seus habitantes a serem chamados de latinos. As aldeias  se uniram e formaram uma liga para a defesa do território em 753 a.C. Na mesma época, os etruscos que viviam em local próximo ao Lácio ocuparam toda a região e deram o nome de Roma à liga das aldeias ali existentes. Em etrusco, Roma significa "cidade do Rio".
Rio Tibre
  A nova cidade passou por um processo de urbanização com a abertura de ruas, a instalação do Fórum (centro cívico e o mercado) e a construção de casas, templos e rede de esgotos.
  Os etruscos eram um aglomerado de povos que viveram na península Itálica na região ao sul do rio Arno e a norte do Tibre, na região que hoje compreende a Toscana, com partes do Lácio e da Úmbria.
  Acredita-se que os etruscos eram originários da Ásia Menor, que compreende ao território da Turquia.
  Vestígios arqueológicos revelam que os etruscos tinham um considerável desenvolvimento cultural, conhecendo a metalurgia e técnicas de construção. Roma esteve em poder desse povo até 509 a.C., quando os latinos revoltaram-se e conquistaram a cidade.
Civilização etrusca
  A chamada civilização romana existiu entre os séculos VIII a.C. e o século V d.C. Nesse longo período de existência ocorreram profundas mudanças políticas, sociais e econômicas no território romano.
A REALEZA ROMANA (SÉCULO VIII a.C. - SÉCULO VI a.C.)
  A Realeza Romana ou Reino de Roma, é a expressão utilizada para definir o estado monárquico romano desde suas origem (753 a.C.) até a queda da realeza (509 a.C.). As fontes históricas sobre esse período da história romana são precárias, tornando essa fase menos desvendada que os períodos que se seguiram.
  Registros encontrados levaram alguns historiadores a acreditar na possibilidade de Roma ter sido governada sucessivamente por sete reis etruscos. Entretanto, somente a existência dos últimos três reis - Tarquínio Prisco, Sérvio Túlio e Tarquínio o Soberbo - é historicamente comprovada.
Gravura do século XVI retratando Sérvio Túlio
  Durante este período o rei acumulava as funções executiva, judicial e religiosa, embora seus poderes fossem limitados na área legislativa, já que o Senado, ou "Conselho de Anciãos", tinha o direito de veto e sanção das leis apresentadas pelo rei. A ratificação dessas leis era feita pela assembleia ou cúria, composta de todos os cidadãos em idade militar (até 45 anos).
  Os reis governavam a cidade com o auxílio do Senado, órgão composto pelos representantes das famílias mais importantes de Roma. O Senado escolhia o rei e este era responsável pela administração da justiça e pelos cerimoniais religiosos, além de decidir sobre guerras e acordos com outros povos.
Representação de uma família romana
  Na fase final da realeza, a partir do fim do século VII a.C., Roma conheceu um período de domínio etrusco. Os etruscos influenciaram os romanos tanto no plano cultural (disseminação do uso de túnicas, práticas religiosas e culto a novos deuses), como no plano material (ampliação do comércio e criação de canais de drenagem para secagem de pântanos locais). Durante a dominação etrusca a área do Fórum Romano transformou-se no centro socioeconômico de Roma.
  Segundo a tradição lendária Roma foi governada por sete reis durante a Realeza. Os antigos atribuem a cada soberano uma inovação para a formação das instituições romanas.
  • Rômulo (753-717 a.C.) - fundou a cidade e raptou as sabinas (filhas das famílias sabinas - tribo que habitavam a região);
Rapto das Sabinas - óleo de Pietro de Cortona
  • Numa Pompílio (717-673 a.C.) - criou as instituições religiosas, os sacerdotes e os ritos;
  •  Túlio Hostílio (673-642 a.C.) - destruiu Alba Longa (cidade lendária que teria sido fundada por Ascânio, filho de Eneias);
  •  Anco Márcio (640-616 a.C.) - fundou a colônia de Óstia;
  • Tarquínio Prisco (616-579 a.C.) - realizou grandes trabalhos de construção em Roma;
  •  Sérvio Túlio (578-535 a.C.) - dividiu a sociedade romana em classes censitárias;
  •  Tarquínio o Soberbo (534-509 a.C.) - representou o típico tirano romano.
Esfinge de Tarquínio Prisco
  Em 509 a.C., Tarquínio o Soberbo, foi derrubado do poder, dando início ao período da República em Roma.
A REPÚBLICA ROMANA (SÉCULO V a.C.-SÉCULO I a.C.)
  A palavra república deriva do termo latino Res publica, que quer dizer "coisa pública", designando um sistema político que deve servir ao bem comum. Porém, a República que se formou em Roma em 509 a.C. não atendia aos interesses da grande maioria da população. A República romana beneficiava apenas o grupo social mais rico e poderoso da cidade, os nobres proprietários de terras conhecidos como patrícios.
  Durante a monarquia romana, Roma havia imposto o domínio no Lácio, conquistando Alba Longa e estendendo seu território até a foz do rio Tibre.
  No início do século V a.C., o objetivo fundamental da aristocracia romana era manter sua hegemonia na região do Lácio, preocupando as cidades etruscas.
  Durante o período republicano, Roma transformou-se de simples cidade-estado em um grande império, voltando-se inicialmente para a conquista da península Itálica e mais tarde toda a orla do mar Mediterrâneo.
Crescimento do poder de Roma na península Itálica
  O poder durante a República era exercido por dois cônsules, com mandatos de um ano, eleitos pelos patrícios. Os cônsules eram auxiliados pelos magistrados, pelo Senado (ambos compostos por membros de famílias patrícias) e pelas assembleias (compostas por patrícios e plebeus; destinavam-se à votação das leis e eram responsáveis pela eleição dos cônsules).
  Durante a República, Roma enfrentou graves crises políticas e conflitos sociais, mas promoveu uma política constante de expansionismo, conquistando vários territórios em torno do mar Mediterrâneo.
  A expansão territorial provocou profundas transformações na vida econômica, social e política de Roma, dividindo esse período em duas fases: a primeira, que se estende até o século III a.C., identificada com a conquista da península Itálica; e a segunda, que corresponde à formação do poderoso império mediterrâneo.
Lapis niger do Fórum Romano - data do século VII a.C.
  A crise da República Romana teve início quando o senado romano passou a ter seu poder desafiado pelo poderio militar de alguns generais.
  A partir de 238 a.C., Roma passou a ter províncias, sendo a primeira delas Córsega e Sardenha, seguida pela Sicília, em 241 a.C. Além disso, o aumento do território e da duração temporal das guerras de conquista, obrigou o senado romano a criar o pro-rogatio, que era a prorrogação do tempo do mandato do procônsul ou do pró-pretor provincial, que era o funcionário da administração central destinado a governar a nova província. Com isso, a influência e o poder se concentraram nas mãos de alguns generais, o que lhes permitiu desafiar a tradicional classe senatorial.
  Um exemplo deste tipo de processo foi o general Caio Mário, que mesmo sendo rejeitado pelo senado para comandar a expedição ao norte da África com o intuito de solucionar a guerra contra Jugurta, foi enviado com o aval que a decisão popular lhe deu.
Roma durante a República
  Nesse período turbulento, floresceu um dos mais importantes filósofos e políticos de toda a História de Roma: Marco Túlio Cícero. Cícero foi um dos grandes defensores da República e escreveu tanto tratados políticos quanto filosóficos.
  Além da reimplantação da ditadura em Roma, houve outros motivos para o colapso da República Romana, entre eles o fracasso dos irmãos Gracos ao tentar realizar uma reforma agrária, além de guerras civis, revoltas populares, movimentos separatistas e insurreição de escravos.
Busto de Marco Túlio Cícero
  Durante a República houve os triunviratos (associação política entre três homens em pé de igualdade).
1. Primeiro Triunvirato
  Em 60 a.C., os três mais poderosos de Roma, Júlio César (o favorito da plebe), Pompeu (que triunfara na península Ibérica) e Crasso (o homem mais rico de Roma), firmaram um acordo tácito denominado triunvirato, para dividir o governo.
  Com a ajuda de Crasso e Pompeu, César elegeu-se cônsul e tornou-se encarregado da execução das medidas propostas pelos três. Distribuiu terras da Campânia para os soldados de Pompeu; apoiou os partidários de Crasso na expulsão de Cícero, senador inimigo de Crasso e contrário às reformas político-sociais de Roma. Também fez com que as soluções administrativas adotadas por Pompeu em suas conquistas no Oriente fossem confirmadas pela Assembleia Popular. Garantiu o domínio das Gálias Cisalpina e Transalpina, objetivando buscar glória militar na luta contra as tribos rebeladas e riquezas para pagar aos seus credores em Roma.
Busto de Júlio César
  As Guerras da Gália duraram quase oito anos. Vercingetórix, herói gaulês que resistiu a César, foi preso e enviado a Roma onde foi degolado. Graças às vitórias e aos saques, Júlio César conquistou reputação militar, fortuna e glória que lhe faltavam para igualar-se à Crasso e Pompeu. Crasso, foi nomeado governador da Síria.
  Nessa fase de acirrada disputa política, os soldados mantinham-se fiéis a seus generais, em função dos interesses clientelísticos que estes pudessem lhes garantir. Durante as Guerras Gálicas, César procurou manter o triunvirato. Após a morte de Crasso, César e Pompeu passaram a disputar o poder.
Incursões de Júlio César pela Gália
  O Senado, temendo as ambições de César e seu controle absoluto sobre o experiente exército da Gália, procurou se aproximar de Pompeu, considerado o mais ilustre cidadão de Roma. Pompeu, exigiu de César o licenciamento do exército e a demissão do governo das Gálias.
  A candidatura de César ao consulado foi barrada pelo Senado. A tradição romana não permitia que um general vitorioso entrasse na cidade acompanhado de seu exército, uma forma de impedir que os militares pudessem sobrepor-se ao poder senatorial. Quando se dirigiam para a capital, os generais dispersavam suas tropas.
  César desconfiava das intenções do senado e sabia que se licenciasse suas tropas perderia seu poder e teria suas pretensões políticas frustradas. Em 49 a.C., atravessou com suas legiões o rio Rubicão (que separava a Itália da Gália Cisalpina), limite de sua jurisdição. Quando soube que César havia atravessado o Rubicão com as tropas, Pompeu abandonou Roma. César invadiu a Itália e marchou sobre Roma.
Busto de Pompeu
  Tempos depois, as tropas de César venceram Pompeu na Batalha de Farsalos. Vencido, Pompeu fugiu para o Egito, onde foi assassinado pelos ministros do faraó Ptolomeu XII. César desembarcou no Egito, onde havia uma disputa pelo poder, e recebeu a cabeça de Pompeu. Conquistou o país e depôs Ptolomeu, colocando em seu lugar Cleópatra (que era irmã do faraó), incendiando, também, a Biblioteca de Alexandria.
  Em 47 a.C., César, após passar nove meses ao lado de Cleópatra, deixa o Egito e domina regiões da Ásia que se mantinham fiéis aos seguidores de Pompeu. Na Batalha de Tapso, na África, César derrotou os partidários de Pompeu, sendo nomeado ditador por dez anos. Após derrotar os filhos de Pompeu na Batalha de Munda, na Hispânia, foi nomeado ditador vitalício.
Rota de César para Munda
  Após instalar a ditadura, César reformou o senado romano, aumentando o número de senadores de sua orientação política. Aumentou também o número de magistraturas, assentando seus veteranos de guerra em colônias fundadas por ele.
  Com o senado a seu favor, César é eleito pontífice máximo, sacerdote e pai da pátria. Para obter apoio popular, César deu parte do patrimônio das novas conquistas para serem divididas entre os plebeus.
  No entanto, o grupo opositor de César o assassinou durante uma sessão do Senado. Logo após o assassinato, o Senado extinguiu a ditadura do grupo de magistraturas romanas. Marco Antônio, um dos aliados de César, agitou manifestações populares durante o seu funeral, assustando os opositores de César e obrigando o Senado a confirmar as medidas implementadas pelo ditador. Marco Antônio se tornou um dos mais influentes senadores, dado o seu poder junto ao povo.
Assassinato de Júlio César, de Karl Theodor von Piloty
2. Segundo Triunvirato
  O Segundo Triunvirato consistiu num acordo menos implícito do que o primeiro. Esse triunvirato foi composto por Marco Antônio, Otaviano e Lépido.
  Quando César morreu, deixou um testamento no qual prometeu a distribuição de terras à plebe e aos veteranos de guerra. Além disso, no testamento continha o seu sucessor, o seu sobrinho Otaviano. Devido o Senado ter permitido a Júlio César utilizar o título de imperator (título conferido a alguns generais da República Romana) antes de seu próprio nome e sendo este título hereditário, Otaviano foi a Roma reivindicar sua herança com o nome de Imperator Caesar Caius Otavianus. O jovem Otaviano organizou legiões e entrou para o Senado como pretor.
Busto de Marco Antônio
  No Senado, Otaviano se uniu a Marco Antônio e a Lépido (o então pontifex maximus - máximo construtor de pontes) a fim de vingar a morte do tio, caçando todos os conspiradores do assassinato de Júlio César, como Décimo Júnio Bruto Albino e Pompeu Crasso.
  O território romano foi dividido entre os três senadores, mas a parte correspondente a Lépido foi logo anexada por Otaviano.
  Marco Antônio ficou com a parte oriental da república e as províncias do Oriente Médio. Ele redigiu um testamento deixando, quando morresse, as províncias a seus filhos que teve com Cleópatra. Este testamento foi utilizado por Otaviano para acusá-lo perante o Senado de ter sido manipulado por Cleópatra a deixar parte do território nas mãos do império egípcio. O Senado autorizou Otaviano a perseguir Marco Antônio, que suicidou-se, juntamente com Cleópatra. Após a morte de Marco Antônio, Otaviano se consolidou no poder e transformou o Egito em uma província romana.
Estátua de bronze de Otáviano Augusto
  Em 27 a.C., Otaviano recebeu o título de augusto e o de pontifex maximus em 12 a.C. Ele declarou o fim das guerras civis e devolveu o poder ao Senado. Recebeu o título de princeps (primeiro cidadão). A partir de então, ele ficou conhecido como Augusto. Recebeu ainda vários títulos, como ditador e cônsul vitalício, e do Senado, o poder de imperium vitalício. Com este título, Augusto passou a ter o controle sobre todas as tropas existentes na república, elevando-o ao posto de imperador, tornando-se o homem mais poderoso do império.
  Com o poder concentrado em suas mãos, Augusto deu início a um novo período da História de Roma, o Império Romano.
Ruínas de Roma Antiga
O IMPÉRIO ROMANO (SÉCULO I a.C. - SÉCULO V a.C.)
  Durante o Período Imperial, Roma manteve as instituições republicanas. Mas diminuiu sua capacidade de atuação, e o imperador passou a concentrar em suas mãos todos os poderes.
  Não havia regras fixas para a sucessão imperial. O poder tinha origem militar e o próprio imperador escolhia o seu sucessor, que era apenas confirmado pelo Senado.
  Com exceção do primeiro imperador romano, Augusto, todos os outros usaram coroas, púrpuras e outros ornamentos que indicavam claramente sua posição e seu poder. O número de imperadores que governaram Roma durante essa longa fase é bastante grande. A maioria ficou gravada por atos de crueldade e até de loucura que cometeram no cargo. A má administração e o abuso de poder de vários imperadores provocaram tragédias e crises políticas. Muitos dos imperadores foram assassinados.
Evolução do Império Romano
  República romana
  Império Romano
  Império Ocidental
  Império Oriental
  Territórios herdados do Império Bizantino

  Durante  os quase 500 anos de existência do governo imperial, Roma passou por profundas transformações sociais, econômicas e culturais. Entretanto, o Império que parecia invencível e eterno começou a perder sua força em meados do século III. Os principais motivos dessa situação foram a crise econômica, a instabilidade política e o enfraquecimento do exército.
  Nos últimos anos do século II a.C., Caio Mário transformou o exército romano num exército profissional, no qual a lealdade dos soldados de uma legião era declarada ao general que a liderava e não à sua pátria. Esse fato, aliado a numerosas guerras que Roma travou nos últimos anos da República, como a invasão dos Cimbros e Teutões, as Guerras Midriáticas, entre outras, originou uma guerra civil que favoreceu o surgimento de vários líderes militares, que utilizaram o poder para aumentar o seu prestígio político.
Busto de Caio Mário
  As instituições republicanas encontravam-se em crise desde o princípio do século I a.C., quando Lúcio Cornélio Sula quebrou todas as regras constitucionais ao tomar a cidade de Roma com seu exército no ano de 82 a.C., tornando-se ditador vitalício. Tempos depois, devolveu o poder ao Senado romano.
  Uma série de acontecimentos levou Roma a instalar os Triunviratos, acordos secretos entre três líderes. O assassinato de Júlio César e o o acordo entre Otaviano, Marco Antônio e Lépido, formando o segundo Triunvirato, provocou intrigas e mortes em busca de poder, levando Otaviano a se tornar o primeiro imperador de Roma.
Busto de Lúcio Cornélio Sula
  No reinado de Augusto Roma viveu um período de prosperidade e expansão. Augusto não adotava estratégias de conquista, mas tinha bons generais no seu exército. No seu reinado, ele anexou o Egito, toda a península Ibérica, a Panônia (região da Europa Central), a Judeia, a Germânia Inferior e Superior e colocou as fronteiras do império nos rios Danúbio e Reno, onde permaneceram por mais de 400 anos.
  O império conquistado por Augusto era vasto e heterogêneo, com várias línguas e povos. O grego era a língua mais falada nos territórios orientais e o latim progredia pouco nestes territórios, porém, era a língua mais falada nos territórios ocidentais. Augusto passou a tratar todos os habitantes do império como iguais e visitou várias zonas para verificar os problemas de cada província, objetivando desenvolver ao máximo o seu império.
Busto de Augusto com a coroa cívica
  Os sucessores de Augusto são conhecidos como a "dinastia Júlio-Claudiana". O nome deriva do apelido de Augusto, pertencente à família Júlia, e de Tibério, um Claudius de nascimento, e essa dinastia é decorrente dos casamentos idealizados por Augusto entre a sua família, os Julii, e os patrícios Claudii.
  Nos primeiros anos do reinado de Tibério, não houve grandes mudanças políticas ou organizativas em relação aos princípios estabelecidos por Augusto. Com o passar do tempo, a instabilidade surgiu dentro da própria família imperial. Tibério tornou-se paranoico com possíveis conspirações e tentativas de golpe de Estado, chegando, em 26 d.C., a retirar-se para a ilha de Capri, de onde governou por procuração até a sua morte. Em consequência, mandou matar e executar grande parte da sua família e senadores de destaque, provocando uma sensação de desconforto no Império.
Busto de Tibério
  O sucessor de Tibério foi Calígula, que se mostrou um imperador igualmente instável. As perseguições tornaram-se frequentes, e durante estes reinados muitas das tradicionais famílias patrícias romanas chegaram ao fim devido a assassinatos e execuções que se prolongaram pelos reinados de Cláudio e Nero.
  Cláudio introduziu algumas reformas e procurou a prosperidade do império. Ele foi o responsável pela iniciativa da invasão romana nas ilhas britânicas, em 43 d.C., adicionando mais uma província para o Império.
Busto de Cláudio
  Em 64 d.C., durante o reinado de Nero, Roma foi consumida por um violento incêndio, autorizado pelo próprio imperador e começaram as perseguições aos cristãos.
  Em 68 d.C., a classe política tinha chegado ao limite de resistência a tanta insegurança. Depois de alguns erros estratégicos graves e de ter arruinado as finanças do estado com aventuras, como a construção de seu palácio dourado, e de ter mandado incendiar Roma, Nero é declarado um inimigo do Estado e fora da lei. Fugindo de Roma acompanhado apenas pelo seu secretário, o imperador  suicidou-se antes de ser apanhado pela guarda pretoriana. Com sua morte, desaparecia a dinastia Júlio-Claudiana e Roma começou a viver um pouco da instabilidade política.
Busto de Nero
  Depois do suicídio de Nero, Sérvio Suplício Galba, um velho senador pertencente aos Sulpicii, uma velha família aristocrática, tornou-se imperador por nomeação senatorial. O seu reinado não começou bem. Durante uma viagem da Hispânia para Roma, Galba não hesitou em espalhar o caos e a destruição pelas cidades que não lhe prestaram honras imperiais de imediato. Em Roma, substituiu grande parte das chefias militares e rapidamente se mostrou tão paranoico como os seus antecessores. A sua recusa em conceder os prêmios monetários às legiões e guarda pretoriana que o apoiaram, serviu de impulsionador à organização de um golpe de Estado e, em janeiro de 69 d.C., Galba foi assassinado pelos pretorianos no Fórum Romano, juntamente com o seu sucessor designado.
Busto de Galba
  Em Roma, saudou-se Marco Sálvio Otão como novo imperador, mas no Reno as legiões aclamaram Aulo Vitélio que de imediato marchou para Roma. Vitélio, derrotou Otão e tornou-se o único imperador. Pouco tempo depois, o exército que estava na Judeia aclamou Vespasiano como imperador. Durante a segunda metade do ano 69 d.C., todas as províncias foram-se declarando a favor de Vespasiano, enfraquecendo Vitélio. Em dezembro desse mesmo ano, as tropas de Vespasiano entraram em Roma e assassinaram Vitélio. Vespasiano tornou-se então o único imperador, dando início à dinastia flaviana.
Busto de Vitélio
  Vespasiano mostrou ser um imperador responsável e razoável em comparação aos excessos cometidos pelos júlio-claudianos. Vespasiano procurou reorganizar o exército, as finanças do Estado e a sociedade romana. Aumentou os impostos, mas construiu grandes obras, como o Coliseu de Roma, conhecido na época como "Anfiteatro Flaviano".
Coliseu de Roma - obra construída por Vespasiano
  Como antigo governador e general, Vespasiano sabia qual o melhor para as províncias e como manter o exército satisfeito.
  O seu filho, Tito, sucedeu-lhe em 79 d.C. Prometia ser um imperador à altura do seu pai, mas o seu breve reinado foi marcado por catástrofes. Em 24 de agosto do mesmo ano, o vulcão Vesúvio destruiu as cidades de Pompeia e Herculano e, em 80 d.C., Roma foi consumida por um novo incêndio. Em 81 d.C., Tito é sucedido por seu irmão, Domiciano.
Ruínas da antiga Pompeia com o Vesúvio ao fundo
  Assim como ocorreu na dinastia júlio-claudiana, a dinastia flaviana começou com um período de prosperidade e rapidamente caiu em uma instabilidade política. Domiciano revelou-se tão paranoico como Calígula ou Nero e as atrocidades do seu reinado valeram-lhe o título de pior imperador de todos os temos. Em 96 d.C., Domiciano é assassinado e os romanos passaram a ter dúvida quanto à validade do modelo dinástico, exigindo mudanças na sucessão imperial. Essa mudança deu origem ao período dos cinco bons imperadores.
Busto de Domiciano
  Depois do assassinato de Domiciano, o Senado nomeou Nerva como imperador romano. Apesar de ser de meia idade e de não ter descendentes, Nerva era um homem considerado de ser capaz de modificar o império. A falta de filhos trouxe uma vantagem, pois a sucessão foi determinada pelo valor do candidato e não por critérios familiares - apesar de Nerva ter adotado Trajano como filho.
Busto de Nerva
  Trajano, Adriano e Antonino Pio, seguiram a mesma política de nomear o sucessor mais apto, resultando num período de estabilidade conhecido como os cinco bons imperadores, no qual foi concluído com Marco Aurélio. Durante o reinado destes cinco homens, Roma prosperou e atingiu seu pico civilizacional. Trajano foi responsável pela expansão máxima do império em 117 d.C., ao estender a fronteira oriental até a Mesopotâmia.
Mapa do Império Romano durante o reinado de Trajano
  Adriano, sucessor de Trajano, soube manter a enorme área do império e reconheceu que não valia a pena estendê-lo. Deu as conquistas por terminadas e construiu a Muralha de Adriano no norte da Inglaterra como símbolo do fim do Império. Este período de manutenção, por oposição à conquista, ficou conhecido na história como a Pax Romana.
Parte da Muralha de Adriano no nordeste da Inglaterra
  O ciclo de prosperidade terminou quando Marco Aurélio designou, para sucessor, não o homem mais apto, mas o seu filho Cômodo, que não tinha a habilidade de governar como teve seu pai e os seus antecessores. Como na dinastia júlio-claudiana (Nero) e flaviana (Domiciano), o período de prosperidade entrou em colapso por causa de um homem paranoico (Cômodo), que incentivaria a revolta dos seus súditos. Cômodo foi assassinado em 192 d.C., provocando uma grave crise dinástica e social.
Busto de Cômodo vestido como Hércules
  Cômodo, foi sucedido pelo seu prefeito do Pretório, Pertinax, um homem de origem humilde e que, após três meses como imperador, acabou por morrer nas mãos dos pretorianos. 
  O fim do século II foi marcado por mais uma guerra civil de sucessão. Lúcio Sétimo Severo, que deu início à dinastia dos severos, acabou por assegurar a coroa imperial e levar o império para um breve período de estabilidade. Os seus sucessores, não tiveram a mesma sorte. Entre a morte de Severo, em 211, e o início da tetrarquia, em 285, o Império teve 28 imperadores, dos quais apenas dois faleceram por causas naturais. O século III foi marcado pelo início das invasões dos povos bárbaros que habitavam as zonas fronteiriças do império.
  Durante os cinquenta anos seguintes, o império sofreu usurpações, derrotas e fragmentação. Imperadores foram assassinados, mortos em batalhas ou pelos seus rivais, até surgir o Dominato, a monarquia absoluta, a qual removeria os poucos traços republicanos que Roma ainda conservava.
Busto de Lúcio Sétimo Severo
  Marco Aurélio Severo Alexandre,  foi o último imperador da dinastia dos severos. Após a sua morte, em 235, o Império caía mais uma vez nas mãos dos generais. Maximiano, o Trácio, foi proclamado imperador pelas tropas e durante três anos, prosseguiu com a guerra contra os povos bárbaros, derrotando os germânicos. Esse esforço militar exigiu muito dinheiro, provocando o aumento dos impostos e os abusos por parte dos funcionários imperiais em relação aos impostos. No Oriente, Gordiano III combateu o Império Sassânida (Império Persa pré-islâmico), mas foi derrotado e morto na Batalha de Misiche, em 244. Com isso, o seu prefeito do pretório, Filipe, proclamou-se imperador.
O Império dividido em 271 d.C.
  Império das Gálias
  Império Romano
  Reino de Palmira

  A recuperação do Império veio por fases: Cláudio II, o sucessor de Galiano, começou por infringir uma grande derrota aos godos, em 270 d.C., mas foi atingido pela peste e morreu antes mesmo de restaurar o Império.
  Aureliano, o seu sucessor, foi mais bem sucedido. Em quatro anos, reincorporou o território do Império das Gálias e derrotou Zenóbia, recuperando o Oriente. Durante a sua administração, Aureliano construiu a primeira muralha em Roma após as invasões gaulesas. Administrador duro e competente, foi assassinado antes do início da guerra contra os sassânidas, em 275 d.C. Foi por meio de Aureliano que os imperadores romanos passaram a ser adorados como deuses em vida.
Porta de entrada da Muralha Aureliana
  Após alguns anos de anarquismo no Império Romano, assumiu, em 276 d.C., Probo, que conseguiu estabilizar a situação. Após o seu assassinato e os breves reinados de Caro e de seus filhos, em 275 d.C., apareceu um imperador que pôs ordem no Império: Diocleciano.
  Diocleciano criou a Tetrarquia, que foi um sistema de governo que tinha como objetivo resolver sérios problemas militares e econômicos do Império Romano. Dividiu o seu poder sobre o império entre os setores orientais (pars Orientis) e ocidentais (pars Ocidentis). Manteve o controle pessoal do setor leste e o seu colega Maximiano controlou o ocidente.
Escultura porfírica dos Tetrarcas
  Diocleciano não dividiu propriamente o poder com o seu companheiro de armas Maximiano, pois estava colocado em posição superior à dele. A partir de então, o império passou a ter dois augustos, cada qual com exército, administração e capital próprios, embora Diocleciano continuasse a ser o chefe de Estado, representando a unidade do mundo romano. Em 305 d.C., Diocleciano abandonou a vida pública e induziu Maximiano a fazer o mesmo.
Busto de Diocleciano
  Em 313 d.C., o Império Romano passou a tolerar o cristianismo por meio do Édito de Milão (também chamado de Édito da Tolerância), assinado durante o império de Constantino I (do Ocidente) e Licínio (do Oriente), no mesmo dia em que ocorreu o casamento de Licínio com Constantia, que era irmã de Constantino. Com este édito, o cristianismo deixou de ser proibido e passou a ser uma das religiões oficiais do Império.
A última prece dos mártires cristãos, de Jean-Léon Gerôme
  O cristianismo tornou-se a única religião oficial do império sob Teodósio I (379-395 d.C.) e todos os outros cultos foram proibidos. Inicialmente, o imperador detinha o controle da Igreja. A decisão não foi aceita uniformemente por todo o Império. O paganismo ainda possuía um número muito significativo de adeptos. Uma das medidas de Teodósio I para que sua decisão fosse ratificada foi tratar com rigidez aqueles que se opuseram a ela. O Massacre de Tessalônica devido a uma rebelião pagã deixou clara essa posição do imperador. Um dos conflitos entre a nova religião do Império e a tradição pagã consistiu na condenação da homossexualidade, uma prática comum na Grécia antes e durante o domínio romano.
Moeda de Teodósio I
  No século IV, os sinais de decadência do Império eram evidentes, e ele foi dividido em dois. A parte ocidental, cuja capital era Roma, passou a ser o Império Romano do Ocidente. A parte oriental, cuja capital era Constantinopla, erguida às margens do Mar Negro, no mesmo local onde se localizava a antiga Bizâncio, ficou conhecida como Império Romano do Oriente.
  Teodósio I foi o último imperador a reinar sobre todo o império. Após a sua morte em 395, seus dois filhos, Arcádio e Honório, herdaram as duas metades: Arcádio tornou-se governante no Oriente, com a capital em Constantinopla, e Honório tornou governante no Ocidente, com a capital em Mediolano (atual Milão), e mais tarde em Ravena. O Estado romano continuaria com dois diferentes imperadores no poder até o século V, embora os imperadores orientais se consideravam governantes de todo o império. O latim era utilizado nos documentos oficiais. As duas metades eram nominalmente, cultural e historicamente o mesmo Estado.
Divisão do Império Romano após a morte de Teodósio I em 395 d.C.
  Império Romano do Ocidente.
  Império Bizantino.

  O centro administrativo do império tendia a voltar-se mais para o Oriente, por várias razões. Primeiro pela necessidade de defesa das fronteiras orientais; depois, porque o Oriente havia se tornado a parte econômica mais vital do domínio romano; por fim, Roma era uma cidade rica de vestígios pagãos, o que se tornava um inconveniente para um império cristão: seus edifícios, sua nobreza senatorial, apegada à religião tradicional. Assim, Constantino decretou a construção de uma nova capital, nas margens do estreito de Bósforo, onde havia a antiga fortaleza grega de Bizâncio, num ponto de grande importância estratégica, nas proximidades de dois importantes setores da fronteira: a região do Baixo Danúbio e a fronteira do Império Sassânida. A nova cidade recebeu o nome de Constantinopla, ou seja, "Cidade de Constantino".
Muralhas da antiga Constantinopla
  No século V, era grande a crise econômica e social. O Império começou a sofrer sucessivas invasões dos bárbaros, vários povos vindos do norte da Europa e de regiões asiáticas. Em 476, o último imperador romano, Rômulo Augústulo, foi deposto por um chefe germânico, líder dos hérulos, Odoacro. Era o fim do Império Romano do Ocidente.
SOCIEDADE ROMANA
  Nos primeiros tempos de Roma, a cidade era dominada por um conjunto de famílias extensas - as gentes. Elas reuniam um antepassado comum, praticavam o culto familiar e possuíam as melhores terras agrícolas, formando uma aristocracia. Os membros das gentes ficaram conhecidos como patrícios, nome derivado de pater (pai), o chefe todo poderoso de cada família nobre.
Sociedade romana
  Os patrícios não trabalhavam. Dedicavam-se às funções públicas e intelectuais. As demais tarefas - comércio, artesanato, agricultura - eram realizadas por plebeus e escravos.
  Os plebeus eram pequenos proprietários rurais, lavradores, artesãos e comerciantes. Alguns deles conseguiram enriquecer, mas continuavam sem ter poder político.
  Havia uma camada de plebeus diferenciada, conhecida como clientes. Era formada por indivíduos que prestavam serviços aos patrícios em troca de proteção e ajuda material. Quanto maior fosse a clientela de um patrício, maior seria o seu prestígio social.
Pirâmide de sociedade romana
  Na base da pirâmide social estavam os escravos, desprovidos de direitos. Geralmente eram capturados em guerras ou escravizados por dívidas, uma penalidade aplicada pela justiça. Em algumas localidades, os escravos recebiam tratamento cruel, usavam uma coleira de bronze com o nome de seu proprietário ou o rosto marcado com brasa e a cabeça raspada. Recebiam castigos corporais violentos, como chicoteamento, castração e até mesmo a crucificação.
  Apesar do rigor da escravidão romana, era possível um escravo comprar sua própria liberdade, tornando-se um "liberto". Somente o neto de um liberto era considerado de fato uma pessoa livre.
  No Período Imperial, ocorreram várias revoltas de escravos em Roma. Todas foram reprimidas com violência pelo exército romano. A mais conhecida foi liderada pelo escravo gladiador Espártaco, em 73 a.C., e terminou em 71 a.C. com a execução de aproximadamente seis mil participantes.
Mercado de escravos, de Gustavo Boulanger - 1882
  Com o passar do tempo, crescia o descontentamento dos plebeus por estarem excluídos das decisões políticas e sem os mesmos direitos sociais e civis dos patrícios. Para adquirir esses direitos, os plebeus tiveram de enfrentar os patrícios em lutas e revoltas internas por mais de 200 anos durante a República Romana. Ao longo desse período, obtiveram algumas conquistas:
  • o direito à cidadania, podendo eleger seus próprios magistrados, chamados de tribunos da plebe;
  • a criação de leis escritas (até então, as leis eram orais, baseadas na tradição) elaboradas por uma comissão mista de plebeus e patrícios, definindo questões  importantes sobre direitos de família e de propriedade. Essas leis ficaram conhecidas como Leis das Doze Tábuas;
  • o direito de eleger um cônsul, cargo até então exclusivo dos patrícios;
  • o fim da escravidão por dívidas;
  • o reconhecimento das decisões dos plebeus aprovadas em assembleia chamada de plebiscito.
Ruínas do Fórum Romano, onde ficavam a Lei das Doze Tábuas
  Todas as conquistas dos plebeus não significaram o fim das desigualdades sociais. Ao contrário, as camadas mais pobres da população continuavam exploradas e sem direitos, e o número de escravos aumentava a cada dia, em especial os aprisionados nas conquistas militares romanas. No final do Período Republicano, o número de escravos em Roma era maior que o de homens livres. Ali, não possuir pelo menos um escravo era considerado sinal de miséria.
  A desigualdade social foi uma característica constante em toda a história romana. Roma enriqueceu conquistando territórios, tesouros e escravos: tornou-se a capital mais poderosa do mundo antigo. Ao mesmo tempo, a pobreza e a miséria cresciam.
  Durante toda a República, a ampliação das conquistas romanas aumentou a riqueza e o poder dos latifundiários. Os pequenos proprietários iam ficando mais endividados e empobrecidos. Os alimentos eram cada vez mais caros, e os impostos, mais altos.
Família romana durante um banquete
  Naquela época, a população da cidade de Roma chegou a ser de um milhão de habitantes e, na fase imperial, passou de 1.700.000 pessoas. A maioria era de escravos e outra grande parte de proletários - pessoas cuja única riqueza era a prole, os filhos. Sem trabalho e sem propriedades, os proletários viviam da caridade pública e da ajuda do governo.
  A pressão social e a desordem provocadas pelo aumento da miséria em Roma levaram as autoridades a promover, no Período Imperial, uma distribuição gratuita de trigo aos pobres, prática conhecida como anona.
  O número de pessoas carentes atendidas chegou a ser de 200 mil no governo do imperador Marco Aurélio. Além disso, o governo imperial passou a conceder cada vez mais feriados, durante os quais eram realizados inúmeros jogos, festas e comemorações para entreter os desocupados de Roma. Assim, além do caráter religioso, esses eventos serviam fundamentalmente para divertir as massa populares e impedir os conflitos sociais.
  Tais práticas romanas - distribuição de alimentos e diversão popular gratuita - ficaram conhecidas como "política do pão e circo" e serviram, de fato, para amenizar os efeitos políticos do empobrecimento da população romana.
Política do pão e circo - forma de desviar a atenção dos problemas na Roma Antiga
  Apesar das dificuldades enfrentadas, os romanos continuavam se divertindo. Apreciavam jogos de azar, as corridas, o teatro. Um dos espetáculos mais apreciados era a luta dos gladiadores.
  Herança dos etruscos, que davam aos combates um sentido religioso (sacrificavam os prisioneiros de guerra nos funerais dos seus próprios guerreiros), a luta de gladiadores também começou a ser praticada pelos romanos como um sacrifício aos deuses. Com o tempo, o sentido das lutas foi se modificando e elas passaram a ser vistas como supremacia dos vivos por meio do sacrifício dos mortos.
Russell Crowe, no filme "O gladiador"
  Homens e mulheres - patrícios ou plebeus - vestiam togas. Mas elas variavam ao longo do tempo, de acordo com a moda em vigor. Podiam ser brancas, acompanhadas de mantos coloridos, geralmente usados pelas mulheres, que também colocavam outros enfeites, como broches, brincos e colares. Também foi comum durante muito tempo o uso de uma faixa abaixo do busto, para sustentá-lo. Depois de casadas, as mulheres passavam a trajar um vestido franzido feito de tecido, o qual cobriam com uma espécie de xale.
  Elas tinham penteados em forma de coque ou de torre, e os homens, a partir da República, passaram a cortar o cabelo e a raspar a barba. As romanas, usavam maquiagem, depilavam pernas e axilas, colocavam muitas joias e perfumes, pintavam os cabelos com ervas ou punham perucas.
Mulheres romanas
  A alimentação, assim como a vestimenta e a decoração das casas, variava de acordo com a condição social. Os romanos mais ricos comiam pão umedecido com mel e vinho, queijo, azeitonas, ovos cozidos, saladas, peixe, carne, miúdos de porco, ostras, escargot (espécie de caracol terrestre), nozes e vários tipos de doces.
  Enquanto os mais ricos deliciavam-se com mesa farta, os pobres alimentavam-se principalmente de uma papa de trigo e cevada, à qual adicionava alguns vegetais. Outras vezes, faziam um cozido de verduras e frutas, comiam ovos e, raramente, carne.
Mesa de um casal rico na Roma Antiga
ECONOMIA ROMANA
  Na Roma antiga a agricultura era a base da economia. As condições de relevo, o solo e o Rio Tibre favoreciam essa atividade. O crescimento populacional e a expansão de territórios verificados ao longo da História de Roma proporcionaram a diversificação econômica, especialmente o crescimento do comércio e do artesanato, mas a agricultura manteve-se como atividade fundamental de Roma e todo o seu Império.
  No tempo da realeza, a lavoura era de culturas variadas que se destinavam ao abastecimento das famílias que as produziam. A partir da expansão territorial, novas áreas agrícolas foram incorporadas e a produção de alimentos e a matéria-prima passou a ter finalidade comercial. Várias rotas comerciais foram criadas e produtos de todas as regiões conquistadas eram levadas à Roma: cereais, peixe e carne salgados, frutas, vinhos e azeite, minerais, sal, sedas, porcelanas e especiarias vindas do Oriente.
  Os mais ricos possuíam grandes propriedades agrícolas, os latifúndios, que eram cultivadas por escravos com trigo, vinha e oliveira. Os escravos também ocupavam-se com outras atividades produtivas, tornando-os indispensáveis para a economia romana.
  As diferentes províncias do Império possuíam recursos diversificados e intensificaram-se as trocas comerciais entre si, apoiados por uma vasta rede de estradas, rios navegáveis e o transporte pelo mar Mediterrâneo (que era mais seguro e barato).
Mapa da economia e das estradas no Império Romano
  Em Roma chegavam produtos de todo o Império. Este crescimento comercial fez aumentar a produção agrícola e artesanal, bem como a pecuária, intensificando a circulação de moedas. As cidades do Império ganharam dinamismo, em especial os pontos privilegiados de comércio, onde se proliferaram as pequenas oficinas artesanais, atraindo os camponeses para as cidades à procura de melhores condições de vida e aumentando o processo do êxodo rural.
  As cidades constituíam o centro da vida política e administrativa do Império, onde os imperadores e os mais abastados escolhiam para construírem edifícios públicos - balneários, teatros, anfiteatros - para atrair habitantes. No século II a.C., existiam em todo o Império cerca de quatro mil cidades. Isso fez com que a economia fosse comercial, urbana e monetária.
Maquete da cidade de Roma Antiga
GUERRAS E CONQUISTAS
  As conquistas territoriais e as guerras promovidas por Roma transformaram-na de simples cidade-estado num grande Império, ao longo de seus 13 séculos de existência. A expansão começou no século IV a.C., quando uma confederação de exércitos particulares de poderosas famílias romanas iniciou a conquista dos territórios da Península Itálica. Essa conquista foi concluída no século I a.C.
  Depois da queda da supremacia dos etruscos na península Itálica em fins do período monárquico e início da república, as cidades latinas formaram uma liga contra Roma para fazer frente a suas pretensões expansionistas. Essa liga recebeu o nome de Liga Latina.
  Em 493 a.C., na Batalha do Lago Regilo, Roma celebrou um tratado de paz com a liga, ficando ambas as partes em situação de igualdade. Porém, pouco a pouco foi-se firmando a supremacia de Roma e, em 338 a.C., Roma rompeu o tratado e dissolveu a Liga Latina. O território de algumas das cidades que a integravam foi incorporado a Roma, que as organizou sob a forma de tribos rurais. Com outras cidades foram formados tratados pelos quais, embora essas cidades mantivessem sua autonomia administrativa, não tinham elas o direito de declarar guerra ou fazer paz. Outras cidades mais próximas também foram incorporadas e organizadas em forma de tribos.
Batalha do Lago Regilo - ilustração de J. R. Weguelin
  Em 395 a.C., os romanos, sob o comando de Marco Fúrio Camilo, venceram a cidade etrusca de Veios, numa luta iniciada pelo controle da foz do rio Tibre. De 327 a 290 a.C., Roma guerreou três vezes contra os Samnitas (povo indo-europeu) pelo domínio da fértil região da Campânia. Na terceira guerra, os romanos venceram uma coligação de samnitas, galos, etruscos e latinos.
  Posteriormente, Roma controlou o norte da Etrúria, cujos domínios compreendiam a Itália central e parte da Itália setentrional. Quando a supremacia romana se estendeu ao sul da Itália, algumas cidades gregas, como Nápoles, aliaram-se a Roma, enquanto outras, como Tarento, próspera na indústria e comércio, declararam-lhe guerra. Para conquistar essa região, os romanos atacaram Tarento, onde seus habitantes pediram ajuda a Pirro, rei do Épiro (atual Albânia), que chegou por volta de 280 a.C. à península Itálica. Apesar de ter derrotado duas vezes os romanos, Pirro sofreu pesadas baixas, perdendo quase todo o exército e sendo derrotado pelos romanos na Batalha de Benavento. Roma conquistou toda a península Apenina, exceto o vale do rio Pó.
Rota de Pirro
  Graças ao enorme potencial humano e ao vasto império que dominava, Roma havia se convertido numa enorme potência. Sua influência viu-se fortalecida com a fundação de colônias estratégicas na Itália ligadas por uma rede de estradas. Estas colônias eram formadas por cidadãos romanos ou por latinos; os primeiros faziam parte do Estado romano, enquanto os demais eram seus aliados, independentes, porém, com privilégios.
  A expansão fora do território da península Itálica teve início com as Guerras Púnicas contra Cartago, cidade-Estado fenícia localizada no Norte da África, que por volta do século III a.C. dominava o comércio do Mediterrâneo. Com as Guerras Púnicas, começa a fase histórica da República romana.
Cartago antes da Primeira Guerra Púnica
  Os ricos comerciantes cartagineses possuíam diversas colônias na Sicília, Sardenha, Córsega, Malta e Gozo. Mais a oeste eles tiveram colônias nas ilhas Baleares, cujos nativos tiveram papel importante nas tropas cartaginesas. Na península Ibérica, colonizaram parte de Granada e Andalúzia.
  Os conflitos entre Roma e Cartago iniciaram-se a partir da expansão romana pelo sul da península Itálica. O motivo da guerra foi o choque entre o expansionismo romano e o cartaginês. Quando Roma anexou os portos do Sul da península e os interesses de Nápoles e Tarento (colônias gregas rivais de Cartago) tornaram-se interesses romanos, a guerra passou a ser inevitável. A maior parte da ilha da Sicília era habitada por cartagineses, que vivia em luta constante com as colônias gregas ali existentes.
República Romana e Império Cartaginês antes da Segunda Guerra Púnica
  Nas três Guerras Púnicas (264 a 146 a.C.), os romanos venceram os cartagineses. Dominaram a Sicília, a Córsega e a Sardenha, além da península Ibérica, que foi totalmente submetida à Roma após a derrota dos celtíberos, habitantes da península, em 133 a.C. A Lusitânia foi dominada em 140 a.C., quando os lusitanos, liderados pelo pastor Viriato, foram vencidos pelas tropas romanas. Parte do Norte da África também foi subjugado pelos romanos, a partir da queda e destruição de Cartago, em 146 a.C. Todo o Mediterrâneo ocidental passou para o domínio romano.
Ruínas de Cartago - destruída após a invasão romana
  Ao mesmo tempo que estava envolvida com as guerras púnicas, Roma voltou sua atenção para o Mediterrâneo oriental, onde o império formado por Alexandre, o Grande, havia se desagregado.
  Filipe V da Macedônia, aliado de Cartago na Segunda Guerra Púnica, apoiou a Síria, contra o Egito e protegido de Roma. Foi derrotado na Batalha de Cinocéfalo em 197 a.C. A Macedônia tornou-se protetorado romano. Mais tarde, o seu filho, Perseu, reiniciou a luta contra os romanos, na chamada Revolta dos Macedônios, onde foi derrotado pelas tropas romanas.
  Os romanos conquistaram a Grécia em 146 a.C., provocando a revolta dos gregos, que não aceitavam o domínio romanos que incendiaram Corinto e tornaram a Grécia uma província romana com o nome de Aqueia, em 129 a.C.
  Em 133 a.C., Roma obteve como herança a cobiçada província da Ásia. No mesmo ano, a cidade do curso superior do rio Douro, Numância, foi conquistada pelos romanos, levando os numantinos à morrerem de fome e de suicídio.
  A partir do final do século II a.C., Roma já era o império mais poderoso do mundo, que se estendia da Hispânia até a Ásia Menor.
Mapa da expansão romana na península Itálica
  Durante o Período Republicano, os romanos conquistaram a região da Gália (no atual território da França) e toda a região as margens do Mediterrâneo. A expansão territorial provocou algumas importantes mudanças em Roma. A escravidão se tornou a base da economia e a cidade se tornou mais rica e poderosa. Por outro lado, a expansão provocou a falência e o empobrecimento dos pequenos proprietários, além da falta de trabalho para os homens livres pobres, dada a preferência pelo trabalho escravo.
  Essa situação provocou crises e conflitos sociais. Em meio à perturbação social, o Estado romano conquistava cada vez mais terras, cada vez mais escravos e riquezas. As campanhas vitoriosas do exército conferiam popularidade e prestígio aos generais romanos que, cada vez mais desafiavam o poder dos cônsules, interferiam nas decisões do Senado e usavam seus exércitos para massacrar adversários políticos. Essa situação provocou o fim da República e grandes generais romanos passaram a ser os imperadores.
Relevo ilustrando uma batalha entre guerreiros romanos e germânicos
  Durante o Império, Roma conheceu seu apogeu e sua decadência. As conquistas se estenderam, tanto para o Ocidente quanto para o Oriente, até atingir o máximo de sua extensão em fins do século II d.C.
  A partir do século III d.C., a expansão do território foi substituída pela defesa das fronteiras contra a invasão de povos do norte da Europa, chamados pelos romanos genericamente de "bárbaros". Internamente, agravaram a situação a corrupção, a alta do custo de vida e a falta de escravos provocada pelo fim das conquistas.
  A crise manteve-se ainda por mais dois séculos, período em que ocorreram constantes ameaças de revoltas, em razão da piora da situação econômica e do aumento dos impostos. No século V d.C., em meio a muitas crises internas, o então poderoso Império Romano, foi derrotado por sucessivas invasões de povos asiáticos e germânicos.
Mapa das conquistas romanas
RELIGIÃO NA ROMA ANTIGA
  Pesquisas historiográficas sobre os antigos romanos apontam que suas crenças eram marcadas pela grande influência etrusca e grega. Dos etruscos, os romanos herdaram o culto do fogo sagrado e a adoração dos deuses Lares (protetora das casas) e Penates (protetor dos celeiros). Outras crenças romanas, como a divinização dos mortos, existência de demônios, mau-olhado, bruxas e feiticeira e o poder da advinhação, também tinham origem etrusca.
  Dos gregos, os romanos assimilaram a crença em várias divindades, cujos nomes foram traduzidos para o latim.
Principais deuses greco-romanos
  Durante a realeza e nos primeiros tempos da República, a religião era vivenciada de forma familiar, sem excesso de devoção. Quando a religião se tornou oficial, passou a ser coordenada pelo Estado. Este organizava os cultos, a formação de sacerdotes e a construção de templos.
  A mitologia romana apresentava uma diferença em relação à grega: os deuses romanos não agiam como mortais, não tinham, como os homens e os deuses gregos, virtudes e defeitos.
  Os romanos tinham dois tipos de deuses: os di indigetes, protetores do Estado, cultuados em festivais especiais com datas fixadas no calendário romano e os novinsides, que protegiam as atividades humanas.
  Dos deuses, eram especialmente venerados em Roma: Júpiter, considerado o mais importante, protegia os militares e mandava as chuvas, que ajudavam as lavouras; e Marte, o deus da guerra, que protegia e guiava o exército romano.
  À medida que Roma se expandiu com a anexação de novos territórios e a conquista de povos diferentes ao seu Império, outros cultos e divindades foram incorporados (da Grécia, do Egito, dos persas etc.). Os romanos foram, em geral, bastante tolerantes tanto com a religião como com outros aspectos culturais próprios dos povos dominados.
Deuses da mitologia romana
  O ano do nascimento de Jesus Cristo coincide com o início da fase imperial romana. Nessa época, surgiu uma pequena seita monoteísta de origem judaica, na Palestina, uma das províncias de Roma. Essa seita era o cristianismo, propagado por Jesus Cristo e que aos poucos foi ganhando um enorme número de seguidores, principalmente as pessoas mais pobres e exploradas. Durante muito tempo, os cristãos foram perseguidos pelo governo romano, em especial, no governo de Diocleciano, imperador romano de 284 a 305. O motivo principal dessa perseguição devia-se ao fato de os cristãos não conhecerem a autoridade divina do imperador.
  Apesar das perseguições, o cristianismo continuou a se expandir, em grande parte pela ação dos apóstolos. Em 313, o imperador Constantino publicou o Édito de Milão, documento que deu liberdade religiosa aos cristãos. Assim, reconhecia-se oficialmente a religião cristã monoteísta, terminando com as perseguições aos seus adeptos.
  No final do império, em 391, no governo de Teodósio I, o cristianismo tornou-se a religião oficial do Estado romano. Daí em diante, os deuses não podiam mais ser adorados e os sacrifícios foram proibidos.
A visão da cruz - afresco de Rafael retratando a conversão de Constantino ao cristianismo
A ARTE E O DIREITO NA ROMA ANTIGA
  Ao longo de sua história, a cultura romana teve três grandes influências: a etrusca, a grega e a oriental. Especialmente nas artes plásticas, os romanos observaram os ensinamentos dos etruscos, a técnica; dos gregos, a decoração e os estilos; dos orientais, a monumentalidade.
  O povo que mais influenciou os romanos foram os gregos, conquistados militarmente pelo exército de Roma. A importação de valores culturais e de peças produzidas pelos gregos virou moda em Roma nos tempos imperiais. Os romanos passaram-se a vestir como os gregos, a decorar as casas com objetos gregos e a produzir réplicas de prédios, edifícios e templos gregos.
O Arco de Adriano e ao fundo, a Acrópole de Atenas
  Nas artes, o maior destaque foi a arquitetura. Os romanos foram grandes construtores de pontes, viadutos, aquedutos, arcos e colunas triunfais, estradas, termas, teatros, anfiteatros e circos. Utilizaram colunas nos estilos gregos - dório, jônico e, principalmente, o coríntio -, em centenas de templos e prédios públicos imponentes. Com os etruscos, os romanos aprenderam a fazer os arcos e as abóbadas, aprimorando essa técnica fundamental para a construção de aquedutos, pontes e viadutos.
  Os romanos foram também hábeis escultores, usando mármore na maioria das peças. Embora feitas de um material relativamente resistente, muitas das esculturas que chegaram ao nosso tempo têm a cabeça ou os braços danificados, por serem as partes mais frágeis da escultura.
Local onde funcionava as Termas dos Maximinos, em Braga - Portugal
  A maioria dos especialistas na História romana considera que o maior legado romano para as culturas posteriores  foi a criação da ciência do Direito. As leis romanas, iniciadas com a Lei das Doze Tábuas, apresentaram evolução contínua e se aperfeiçoaram de acordo com a realidade e as necessidades, atingindo o apogeu em 535 d.C. com a elaboração do Código de Justiniano.
  De forma geral, o chamado Direito Romano primava pela separação entre público e privado e pela objetividade de definição da norma, embora excedesse nas penalidades, em muitos casos cruéis: crucificação, mutilação e outras equivalentes.
  Apesar disso, a legislação de boa parte dos países ocidentais baseia-se em muitos fundamentos do direito romano.
Maquete do Fórum Romano
  Outras contribuições romanas importantes foram: a técnica de produzir o cimento, uma mistura de cinza vulcânica, água e cal; as termas, edifícios imensos destinados ao relaxamento e ao banho; os espetáculos circenses, que incluíam corrida de bigas e de cavalos e apresentações de acrobatas, bandas e palhaços.
  O idioma predominante nos domínios romanos era o latim. Atualmente é considerada uma "língua morta", pois há poucos falantes e não existe um país que o adote como língua oficial. Mas foi do latim que derivaram diversas línguas faladas por milhões de pessoas no mundo: italiano, francês, espanhol, português, romeno, catalão, entre outras. Além disso, o latim culto ainda é usado para nomenclatura do mundo acadêmico (nome de espécies animais e vegetais) e em algumas celebrações da Igreja Católica.
A língua latina no mundo
  castelhano
  português
  francês
  italiano
  romeno

  Em muitas coisas, os romanos foram influenciados pelos gregos, inclusive nas tradições sociais. Assim como na Grécia, a família era paternalista. Mulheres, filhos e escravos estavam subordinados ao homem.
  Tanto os meninos quanto as meninas de famílias ricas aprendiam a ler e a escrever, porém, com objetivos diferentes. As meninas estudavam para serem boas esposas e mães. Já os meninos eram educados para assumirem as funções do pai e atuar na vida pública romana.
  Dificilmente as crianças de famílias com menos condições podiam estudar. Elas se dedicavam aos trabalhos na agricultura e no artesanato.
  As atribuições da mulher romana também mudavam conforme sua classe social. As mais abastadas passavam o dia administrando os afazeres domésticos, ensinando suas meninas a tecer, fiar e como deveriam se arrumar. No final da tarde, com a ajuda de seus criados, as mulheres se dedicavam ao seu próprio embelezamento para receber seus maridos.
Jovens romanas
  Nem só de trabalhos domésticos viviam as romanas. As mais pobres trabalhavam lado a lado com seus maridos e, quando solteiras, podiam administrar seu próprio negócio. Ainda havia um grupo de mulheres diferentes de todas as outras: eram as vestais. Vesta era a deusa do fogo, e como o fogo era cultuado em Roma, haviam mulheres que dedicavam sua vida a cuidar da chama sagrada no templo de Vesta. Para se transformar em uma vestal, a menina deixava sua família entre os 6 e 10 anos e passava a viver no templo.
  As vestais não precisavam obedecer aos pais e, como precisavam se manter virgens, não podiam se casar. Eram muito respeitadas por todos, homens e mulheres.
Vista aérea das ruínas do Templo de Vesta, localizado no Fórum Romano
 FONTE: Ribeiro Vanise. Encontros com a história: 6° ano / Vanise Ribeiro; Carla Maria Junho Anastásia; Ilustrações José Luís Juhas; Rogério Borges; Theo Cordeiro. - 3. ed. - Curitiba: Positivo, 2012.