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sábado, 3 de novembro de 2012

O COMPLEXO AGROINDUSTRIAL DO CENTRO-SUL

  A concentração e a diversificação das atividades fabris no Centro-Sul criaram, a partir da segunda metade do século XX, as condições tecnológicas necessárias para a produção em série de maquinários e insumos agrícolas, até então importado dos países ricos e industrializados do hemisfério Norte. Como consequência da fabricação desses produtos agroindustriais, estabeleceu-se na região, sobretudo a partir da década de 1970, uma série de empresas voltadas ao desenvolvimento da biotecnologia, principalmente à criação de técnicas de melhoramento genético, tanto de plantas e sementes como de rebanhos.
O melhoramento genético contribuiu para aumentar a produtividade, tanto de plantas como de animais
  Essas inovações foram a base para a expansão do agronegócio, que desencadearia, a partir de então, profundas mudanças na paisagem agrária desse complexo regional, promovendo saltos de produtividade e a ocupação de extensas áreas com lavouras monocultoras, principalmente com commodities, como o café, a cana-de-açúcar, a laranja, a soja e, na porção mais meridional do país, o trigo, gêneros agrícolas destinados, sobretudo, à exportação e ao abastecimento das indústrias. Os estímulos concedidos a essas culturas comerciais, tanto pelo mercado como pelo Estado, causaram a redução da área ocupadas com culturas alimentares, como feijão, mandioca, batata, frutas e hortaliças, nessa região.
  Ainda nesse período, destacou-se também a pecuária bovina, com a criação extensiva de gado em grandes propriedades, valendo-se da aplicação de tecnologias avançadas, como vacinação, inseminação artificial e ração balanceada. Outro destaque foi a criação de suínos e de aves por meio do chamado sistema de integração, modelo de trabalho muito difundido no interior dos estados sulistas. Nesse sistema, é estabelecida uma parceria direta entre os criadores, em geral pequenos e médios proprietários rurais que oferecem seus estabelecimentos e sua mão de obra para criar animais, e as grandes empresas de alimentos, como laticínios e frigoríficos, que oferecem técnicos especializados, insumos e filhotes para o desenvolvimento das criações nesse minifúndios.
Criação de aves no sistema de integração em Santa Catarina
  Essas foram as principais estratégias criadas de acordo com o modelo agroexportador implantado pelo Estado brasileiro, que passou a colocar as tecnologias do campo a serviço do aumento da produção, como forma de abastecer em larga escala as agroindústrias com matéria-prima (farelo de cereais, suco concentrado, carne, couro, leite, entre outras) e de cumprir as metas estatais de exportação de grãos, angariando novas divisas econômicas para o país.
O DESLOCAMENTO DAS FRONTEIRAS AGRÍCOLAS
    Boa parte dos centros urbanos fundados no Brasil a partir da década de 1960 tem origem no movimento de expansão das fronteiras agrícolas em direção à porção ocidental do território nacional. No Centro-Sul houve, nas últimas décadas, uma intensificação desse processo por meio do deslocamento dos investimentos para atividades ligadas ao agronegócio, como a cultura da soja, do algodão e do milho, e a pecuária extensiva tecnificada.  Empresas de beneficiamento desse tipo de produção foram implantadas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, sul do Tocantins e oeste da Bahia, assim como no Distrito Federal.
Agronegócio - provocou uma mudança significativa no campo brasileiro
  Entre as principais causas dessa migração de capitais para o interior, podemos citar: o esgotamento das bases de expansão agrícola nas porções mais antigas da região Centro-Oeste (com o aumento do valor da terra, o intenso fracionamento das propriedades rurais em estados como Santa Catarina e Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, a concentração de terras no interior do Paraná e de São Paulo); os incentivos fiscais concedidos pelos governos estaduais e federal para a compra de terras nas áreas de fronteira agrícola, em geral, latifúndios; o desenvolvimento da infraestrutura necessária para o escoamento da produção e para o afluxo de pessoas em direção a essas porções interioranas; o desenvolvimento de tecnologias apropriadas à exploração do cerrado, disponibilizando extensas áreas para a introdução de lavouras monocultoras e para a pecuária bovina de corte.
Solo do Cerrado sendo preparado para o plantio em Goiás
  Além do incremento na criação de animais e na produção de lavouras comerciais, tem sido notório o crescimento das atividades de beneficiamento, com a implantação de empreendimentos agroindustriais (frigoríficos, indústrias de óleos vegetais, usinas de álcool e açúcar, entre outros) com capital de grupos empresariais estrangeiros, como Bunge e Unilever, e nacionais, como Seara, Perdigão, Sadia e Batavo.
Fábrica da Sadia em Concórdia - SC
  Na realidade, esse processo vem consolidar o plano de metas instituído pelo governo federal a cerca de cinquenta anos, que visava à ocupação do interior do território nacional por meio do deslocamento das fronteiras agrícolas a partir do Sul-Sudeste em direção ao Centro-Oeste e à Amazônia.
FRONTEIRAS AGRÍCOLAS E OS BIOMAS DO CENTRO-SUL
  O avanço acelerado das fronteiras agrícolas, provocado sobretudo pelas atividades agropecuária e madeireira, devastou grande parte dos biomas localizados no Centro-Sul do país, como as áreas de mata de Araucárias, de floresta tropical, de campos e de cerrados.
  No período de aproximadamente cinquenta anos, as áreas de mata de Araucárias ficaram reduzidas a pequenas áreas com relevo de maior altitude no interior dos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. As áreas com floresta tropical foram confinadas a parques estaduais e nacionais. O cerrado, por sua vez, foi o bioma que sofreu maior devastação, tendo sua extensão reduzida drasticamente.
Mapa do desmatamento do Cerrado
FONTE: Boligian, Levon. Geografia espaço e vivência, volume único / Levon Boligian, Andressa Turcatel Alves Boligian. -- 3. ed. -- São Paulo: Atual, 2011.

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